Texto escrito para o Instituto Signativo, organização que visa contribuir para uma educação que valoriza a autonomia, para que as pessoas se tornem protagonistas em um processo que estimula nossos jovens atingirem o máximo do seu potencial. Conheça a Pós Graduação em Inteligência Socioemocional na Educação do Instituto Signativo!

 

Educar sem punir não é tarefa fácil, principalmente porque isso não nos é ensinado. Em também porque, em sua maioria, as influências sociais que temos durante a vida nos levam para o caminho mais fácil, que é o da punição.

Temos poucas referências que nos levam para a direção da educação não violenta. Temos curto repertório de estratégias construtivas para lidar com as situações desafiadoras que não nos dão tempo para pensar.

Por isso, trago aqui mais uma inspiração sobre educar sem humilhar:

 

Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta:

— Lembra-se de mim?

E o velho diz ‘não’.

Então o jovem diz que ele era aluno dele. E o professor pergunta:

— O que você está fazendo, o que você faz para viver?

O jovem responde:

— Bem, eu me tornei professor.

— Ah, que bom, como eu? (disse o velho)

— Pois sim. Na verdade, eu me tornei professor porque você me inspirou a ser como você.

O velho, curioso, pergunta ao jovem que momento foi que o inspirou a ser professor. E o jovem conta a seguinte história:

— Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou com um relógio novo e bonito, e eu decidi que queria para mim e eu o roubei, tirei do bolso dele. Logo depois, meu amigo notou o roubo e imediatamente reclamou ao nosso professor, que era você. Então, você parou a aula e disse:

— O relógio do seu parceiro foi roubado durante a aula hoje. Quem o roubou, devolva-o.

Eu não devolvi porque não queria fazê-lo. Então você fechou a porta e disse para todos nós levantarmos e iria vasculhar nossos bolsos até encontrarmos o relógio. Mas, nos disse para fechar os olhos, porque só procuraria se todos tivéssemos os olhos fechados. Então fizemos, e você foi de bolso em bolso, e quando chegou ao meu, encontrou o relógio e o pegou. Você continuou procurando os bolsos de todos e, quando ele terminou, ele disse:

— Abra os olhos. Já temos o relógio.

Você não me disse nada e nunca mencionou o episódio. Nunca disse quem foi quem roubou o relógio. Naquele dia, você salvou minha dignidade para sempre. Foi o dia mais vergonhoso da minha vida. Mas também foi o dia em que minha dignidade foi salva de não me tornar ladrão, má pessoa, etc. Você nunca me disse nada e, mesmo que não tenha me repreendido ou chamado minha atenção para me dar uma lição de moral, recebi a mensagem claramente. E, graças a você, entendi que é isso que um verdadeiro educador deve fazer. Você se lembra desse episódio, professor?

E o professor responde:

— Lembro-me da situação, do relógio roubado, que procurava em todos, mas não lembro de você, porque também fechei os olhos enquanto procurava.

 

Compreendo que, na vida real, não é praticável a ação do professor como contada na história. Entretanto, fica a inspiração, um exemplo de um educador que se mantém no foco de educar. E que compreende que uma criança tem potencial de sobra para aprender sem ser submetida ao sermão de um adulto.

Há muitos anos, escutei essa história com o Mário Sérgio Cortella. Fonte do texto: Blog da Parábola Editorial.

Juliana Matsuoka
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