Empatiza: A solidão das mães especiais – Lau Patrón

Empatiza: A solidão das mães especiais – Lau Patrón

Imagem: https://jornalggn.com.br/inclusao/a-inclusao-das-familias-especiais/

A Lau Patrón é mãe do João Vicente, um menino sorridente e portador de uma síndrome raríssima auto-imune. Ela abriu meus olhos para a solidão das mães que têm filhos e filhas com deficiência através dessa palestra (maravilhosa).

“Inclusão parece uma palavra difícil. Um movimento grande que cabe a grandes esferas e se ensina em livros complicados. Mas a verdade é que a mudança cabe na mão de cada um de nós.” Lau Patrón

 

Na categoria #Empatiza da Criando Pontes, você encontra motivos, informações e inspiração para ampliar espaço no seu coração. A empatia é uma habilidade social que todos os seres humanos foram feitos para exercer, mas que precisa ser incentivada, praticada e fortalecida. Empatia é compreender e olhar a partir da humanidade que compartilhamos (e não justificar ou concordar com ações específicas). Que a empatia nos leve a ações compassivas que transformarão vidas. Nossas, e das outras pessoas.

Empatiza: Torcida organizada

Empatiza: Torcida organizada

Mamilos 104 – Síria, Torcidas organizadas e BBB

 

Pra quem quer ir além dos julgamentos sobre pessoas que integram torcidas organizadas, talvez esse episódio do Mamilos Podcast ajude.

Vá direto pro minuto 00:51:30 do áudio, ou, se preferir ler, a transcrição tá aqui embaixo:

Ju: Então eu queria dar um passo para trás e, antes de falar sobre a responsabilidade das torcidas na violência, conversar um pouco sobre a importância que a… pra quê que existe torcida? Então a relevância que eles têm para o futebol como espetáculo, para experiência de ir para o jogo e sentir a vibração, a música, o quanto eles contribuem para a festa e pro quanto eles contribuem como senso de comunidade para formação de jovens principalmente de periferias.

Kaique: Os jovens, os adolescentes gostam de estar em grupos, eles se sentem bem em grupos de outros jovens, enfim, sempre querem pertencer a um grupo. Outro ponto é que culturalmente no Brasil você nasce, principalmente quando é menino, você já tem que ter um time de futebol, você já tem que gostar de futebol e ser apaixonado por futebol. É muito comum isso, sobretudo nas periferias que não tem muita opção assim, a não ser o futebol na rua. O futebol, de qualquer jeito: assistir, jogar, tudo. Então você nasce apaixonado por futebol e querendo pertencer a grupos, então você vai se aproximar das torcidas organizadas. Muitos jovens se aproximam por causa disso. Por querer estar com outras pessoas que são apaixonadas pela mesma coisa que ele é. Ele é apaixonado pelo São Paulo, no meu caso, querer está próximo de pessoas que também eram tão apaixonados quanto eu, que queria xingar o jogador quando o time tava ruim, que queria comemorar. E é uma emoção muito grande assim, ir para o estádio conforme a gente vai crescendo e vivendo…

Ju: É uma catarse, né?

Kaique: É.

Ju: É muito louco, cara.

Cris: Kaique, você concorda ou não que as torcidas são sociedades patriarcais e quando a gente vai para questões mais periféricas a gente tem pouca presença paternal e que isso acaba atraindo muito esses jovens buscando esse reforço do paternal que pode estar ali?

Kaique: Sim, e a gente também falou dessa questão da ausência da família também né, da ausência, alguma ausência da pessoa que ela encontra, o jovem encontra na torcida, o jovem da periferia. Então são várias ausências, assim na vida dele que encontra na torcida. Isso é fascinante, é magnífico, assim pro jovem. Ele ama aquilo.

Ju: Eu acho que assim, o poder, do que você tá falando, o espetáculo em si, só o espetáculo do futebol, a experiência do espetáculo do futebol no estádio, daquelas pessoas ao mesmo tempo cantando a mesma coisa. Isso aí, independente do seu momento de vida, da sua história, é inescapável. Você chegar num estádio lotado, cantando a mesma música, a vibração que aquilo dá, o que ele faz com você. E assim, não precisa ter ligação com o futebol, não precisa ter ligação com time. Você pode chegar, sei lá, caí na Terra agora, entrei aqui, as células do corpo vibra na mesma vibração que a de todo mundo, é um negócio muito louco, o estádio é uma coisa muito louca. Então assim, considerando que para qualquer pessoa isso é uma experiência superlativa, pensar o impacto disso num jovem e pensar o impacto disso não só do espetáculo, mas de pertencer a um grupo de pessoas que têm um objetivo e, como você falou, de pertencer a um grupo em que você funciona porque você gosta das mesmas coisas que aquelas pessoas, vocês são apaixonadas pelas mesmas coisas, então o senso de pertencimento, de que você tem um lugar no mundo não é uma coisa pequena ou que se possa ignorar.

Cris: É o sentimento de turba. Você sente a mesma coisa que todo mundo que tá ali está sentindo, a hora que perde um gol você sente a dor igual todo mundo que tá perto e a hora que faz um gol ou que faz uma arrancada, você abraça um estranho com o mesmo carinho que você abraça um familiar, então você tem um senso de comunidade, um sentimento de turba que ele não é explicável, ele não é logicamente explicável. De repente todo mundo ali é uma família. Vocês tão compactuando do mesmo sentimento. Então quando faz um gol, a alegria, o choro, o abraço faz parte de um senso comum. Você perde o seu senso de individualidade e ganha um sentimento da massa. É muito poderoso isso e muito gostoso. Se tem alguém muito estressado, inclusive eu acho que muita gente vai no estádio porque isso é uma descarga de energia absurda. Você chega lá, você grita, você chora, você xinga, você fica muito feliz, você abraça e quando aquilo vai para um sentimento de violência, você também não é mais um indivíduo, você faz parte daquele todo, é uma massa que tá se movendo, não é você enquanto pessoa.

Peu: Para quem tem nada ou muito pouco, a torcida se torna muito. Acho que esse é o lance. Tem um trecho da versão de Umbabarauma que fizeram mais recente que tem uma letra do Brown e tem um trecho que ele fala: “meu time é quem me inspira por falta de alguém”, e aí você pensa como um garoto periférico… ou não.

Ju: A gente tá bem carente de inspiração, viu Peu? Não precisa ser periférico, não. Você vai ter qualquer menino com ausência de figura paterna, com ausência de inspiração, com ausência de “para onde eu vou, quem é minha turma, quem sou eu nesse mundo muito doido, né, que que eu tenho pra oferecer?”

Peu: Nessas conversas que a gente teve, nós falamos com alguns líderes de torcida e eles acabam tendo a representação dessas figuras paternas assim; e talvez eles não estejam preparados para serem pais não de um, não de dois, mas de milhares. E talvez eles também não tenham essa representatividade, essa figura. Nós não estamos julgando se o presidente de uma torcida deve ou não ser presidente de uma torcida – isso é uma coisa muito interna – mas o que a gente está falando é isso, é você, às vezes, não tem nada e você encontra ali. Como tem gente que encontra na religião, tem gente que encontra no esporte – praticando e não torcendo – tem gente que encontra nos estudos, tem gente que encontra [Cris: no tráfico] no tráfico, [Ju: no amor, na família] na desilusão amorosa.

Ju: É, mas é um caminho, uma inspiração, é um objetivo, né?

Peu: E eu entendo uma coisa assim, por exemplo, no amor: se você tem uma desilusão amorosa, às vezes seu amor não continua ali, ele vai embora. A torcida, não. O time, não. Cê perde hoje, semana que vem você tá lá para recuperar isso.

Cris: E outra coisa, você pode mudar de tudo na vida, você pode mudar de orientação sexual inclusive, você pode se descobrir outra coisa, você pode mudar de profissão, você pode mudar de parceiro na vida sexual, mas você não muda de time. É a única coisa que não dá para mudar. Nasceu ali, amigo, esquece. Você vai ser daquele time. Você pode mudar tudo, cê pode ser PT hoje e PSDB amanhã… time não.

Peu: Eu tenho… recentemente tenho assistido os jogos do Santos, todo mundo sabe que sou santista, e uma coisa que me desagrada muito é a torcida gritando “bicha” quando o goleiro adversário vai bater o tiro de meta. Eu fico com muita raiva mesmo assim e me incomoda e é uma das coisas que eu repenso em levar a minha filha ao estádio, por exemplo. Eu levei a Betina já aqui no Pacaembu, ela gostou, choveu muito e a gente foi embora [risos da Cris e da Ju]. Foi a primeira vez na minha vida que eu fui embora antes de acabar um jogo, mas não tinha lugar para ficar, assisti 45 minutos com ela no meu colo e não tava rolando mais braço para aguentar, mas eu fico pensando, porque ela agora tá com 3 anos, e se ela ouvir uma torcida inteira gritar “bicha” ela vai… isso vai virar um questionamento. O problema não é eu ter explicar para ela o que é “bicha”. O problema é a motivação assim que faz essas pessoas gritarem isso como uma questão ofensiva…

Ju: E o problema maior é você dizer que você faz parte desse grupo, que eles te representam de uma certa maneira.

Peu: E eu tô pensando que talvez eu tenha que demorar um pouco mais para levar ela para uma hora eu gritar: “Filha, olha é legal estádio, mas essa parte aqui não é legal de você incorporar na sua vida, entendeu? Mas eu não vou deixar de ser Santista por causa disso.”

Cris: Não, não dá pra deixar, mudar de time.

 

Na categoria #Empatiza da Criando Pontes, você encontra motivos, informações e inspiração para ampliar espaço no seu coração. A empatia é uma habilidade social que todos os seres humanos foram feitos para exercer, mas que precisa ser incentivada, praticada e fortalecida. Empatia é compreender e olhar a partir da humanidade que compartilhamos (e não justificar ou concordar com ações específicas). Que a empatia nos leve a ações compassivas que transformarão vidas. Nossas, e das outras pessoas.

Empatiza: Narcotráfico

Empatiza: Narcotráfico

“O que é a favela?

A favela é a falta de oportunidade de participar do mundo civilizado. Nós estamos na periferia, estamos à parte dele.

O narcotráfico lhe permite um sentido. Você ter um comércio ao qual você pode participar. Você precisa ter uma arma, um pouco de olhar violento, algumas palavras prontas e tá ali. Você vende, recebe dinheiro por isso, traz comida para casa, compra roupa, pode sair com a garota bonitinha 16 anos você tendo 14.

O narcotráfico lhe dá significado. Não há emprego para todo mundo na sociedade, nem ele não quer dar emprego pra todo mundo.

Você não foi preparado para ter um emprego se você nem estudou. Então o narcotráfico é um sentido para essas pessoas, é um significado de vida. Elas se sentem integradas e valorizadas e pertencentes a algo, a uma regra. Elas sabem que a morte é um castigo se descumprir essa regra, mas vale a pena morrer, porque só vai se morrer que vive, e pra viver você tem que pertencer a alguma coisa e o tráfico lhe dá o pertencimento.”

Transcrição da fala de Joselito Crispin

 

Aqui você vai direto pro momento que ele diz isso aí que você leu, mas recomendo muito que assista ao vídeo inteiro.

 

Na categoria #Empatiza da Criando Pontes, você encontra motivos, informações e inspiração para ampliar espaço no seu coração. A empatia é uma habilidade social que todos os seres humanos foram feitos para exercer, mas que precisa ser incentivada, praticada e fortalecida. Empatia é compreender e olhar a partir da humanidade que compartilhamos (e não justificar ou concordar com ações específicas). Que a empatia nos leve a ações compassivas que transformarão vidas. Nossas, e das outras pessoas.