A lição do professor e o roubo do relógio

A lição do professor e o roubo do relógio

Texto escrito para o Instituto Signativo, organização que visa contribuir para uma educação que valoriza a autonomia, para que as pessoas se tornem protagonistas em um processo que estimula nossos jovens atingirem o máximo do seu potencial. Conheça a Pós Graduação em Inteligência Socioemocional na Educação do Instituto Signativo!

 

Educar sem punir não é tarefa fácil, principalmente porque isso não nos é ensinado. Em também porque, em sua maioria, as influências sociais que temos durante a vida nos levam para o caminho mais fácil, que é o da punição.

Temos poucas referências que nos levam para a direção da educação não violenta. Temos curto repertório de estratégias construtivas para lidar com as situações desafiadoras que não nos dão tempo para pensar.

Por isso, trago aqui mais uma inspiração sobre educar sem humilhar:

 

Um jovem encontra um senhor de idade e lhe pergunta:

— Lembra-se de mim?

E o velho diz ‘não’.

Então o jovem diz que ele era aluno dele. E o professor pergunta:

— O que você está fazendo, o que você faz para viver?

O jovem responde:

— Bem, eu me tornei professor.

— Ah, que bom, como eu? (disse o velho)

— Pois sim. Na verdade, eu me tornei professor porque você me inspirou a ser como você.

O velho, curioso, pergunta ao jovem que momento foi que o inspirou a ser professor. E o jovem conta a seguinte história:

— Um dia, um amigo meu, também estudante, chegou com um relógio novo e bonito, e eu decidi que queria para mim e eu o roubei, tirei do bolso dele. Logo depois, meu amigo notou o roubo e imediatamente reclamou ao nosso professor, que era você. Então, você parou a aula e disse:

— O relógio do seu parceiro foi roubado durante a aula hoje. Quem o roubou, devolva-o.

Eu não devolvi porque não queria fazê-lo. Então você fechou a porta e disse para todos nós levantarmos e iria vasculhar nossos bolsos até encontrarmos o relógio. Mas, nos disse para fechar os olhos, porque só procuraria se todos tivéssemos os olhos fechados. Então fizemos, e você foi de bolso em bolso, e quando chegou ao meu, encontrou o relógio e o pegou. Você continuou procurando os bolsos de todos e, quando ele terminou, ele disse:

— Abra os olhos. Já temos o relógio.

Você não me disse nada e nunca mencionou o episódio. Nunca disse quem foi quem roubou o relógio. Naquele dia, você salvou minha dignidade para sempre. Foi o dia mais vergonhoso da minha vida. Mas também foi o dia em que minha dignidade foi salva de não me tornar ladrão, má pessoa, etc. Você nunca me disse nada e, mesmo que não tenha me repreendido ou chamado minha atenção para me dar uma lição de moral, recebi a mensagem claramente. E, graças a você, entendi que é isso que um verdadeiro educador deve fazer. Você se lembra desse episódio, professor?

E o professor responde:

— Lembro-me da situação, do relógio roubado, que procurava em todos, mas não lembro de você, porque também fechei os olhos enquanto procurava.

 

Compreendo que, na vida real, não é praticável a ação do professor como contada na história. Entretanto, fica a inspiração, um exemplo de um educador que se mantém no foco de educar. E que compreende que uma criança tem potencial de sobra para aprender sem ser submetida ao sermão de um adulto.

Há muitos anos, escutei essa história com o Mário Sérgio Cortella. Fonte do texto: Blog da Parábola Editorial.

Comunicação assertiva e não violenta no trabalho

Comunicação assertiva e não violenta no trabalho

Para prosperar, uma organização precisa cuidar das necessidades das pessoas individualmente e também das necessidades da própria organização. O tempo, geralmente, é um recurso escasso. Por isso, uma comunicação assertiva facilita a convivência e a compreensão entre as pessoas, ajudando a construir relações produtivas para a organização.

 

O que NÃO é uma comunicação assertiva?

Uma comunicação onde haja julgamentos, rótulos e acusações passam longe do que é uma comunicação assertiva. Muitas pessoas confundem a objetividade de uma fala assertiva com a tirania de uma fala julgadora.

Outro extremo do que não é uma comunicação assertiva vem de uma postura de passividade e insegurança. A fala que pisa em ovos, que dá mil voltas antes de chegar na questão central, que tem medo de ser julgada e de ofender as pessoas.

 

O que é uma comunicação assertiva?

É uma comunicação clara e objetiva que nasce de quem:

– tem consciência sobre o conceito de autorresponsabilidade (apesar de gerarmos impactos uns nos outros, eu sou responsável pelas minhas emoções, e as outras pessoas são responsáveis pelas delas);

– pensa e reflete antes, durante e após se posicionar;

– está consciente do que precisa;

– tem a empatia como ponto de partida para suas falas.

 

Como faço para me comunicar de forma mais assertiva sem ser violenta?

 

Tenha clareza sobre o que você quer

1) Pense no que você quer dizer;

2) Pergunte-se: 

– “o que quero com isso que tenho a dizer?”

– “qual o meu objetivo com isso que tenho a dizer?”

– “o que espero da outra pessoa?”

3) Deixe às claras para a outra pessoa as respostas para essas perguntas.

 

Por exemplo:

“Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de sua preferência.”

Como tornar essa fala mais assertiva? Informando o seu objetivo ao dizer isso. Segue algumas possibilidades:

– Informar:

Só informando: Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de preferência.”

– Coletar feedback:

“Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de preferência. Quero escutar a opinião de vocês em relação a isso.”

– Consultar objeções:

“Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de preferência. Quero saber se alguém tem objeções.”

 

Outro exemplo: “Coxinha?! Por que não pediram empada?”

Como tornar essa fala mais assertiva? Deixando a outra pessoa saber o que você quer ao dizer isso:

– Fazer uma pergunta:

Tenho uma dúvida: É possível trocar por empada?”

– Expressar uma consideração:

“Não me oponho, mas tenho uma consideração: alimentos fritos perdem a qualidade quando não são consumidos imediatamente. Penso que empada seria uma opção mais versátil.”

– Propor um acordo:

“Se eu tivesse sido consultada antes, teria dito que prefiro empada do que coxinha. Seria possível combinarmos, para os próximos cursos, fazermos uma enquete sobre a preferência de cada um antes de a comissão tomar essa decisão?”

Outras falas não tão assertivas poderiam surgir, e, talvez, gerar algum desequilíbrio no grupo. Todas as vozes são legítimas, entretanto algumas falas podem entrar em discordância com as necessidades do grupo em determinado momento, por exemplo:

– Compartilhar experiências pessoais:

“Tenho uma história para compartilhar sobre isso, pessoal. Coxinha de frango me faz lembrar de quando eu morava em Araraquara e ia toda semana até Bueno de Andrada com meus amigos comer as melhores coxinhas do Brasil. A gente se divertia muito, e sempre tínhamos uma discussão sobre quem ia ficar sem beber para dirigir na volta. Teve um dia que o Luciano se comprometeu a ser o motorista da vez, mas ele acabou se esquecendo…”

(desejo de compartilhar, necessidade de expressão, de conexão, de escuta)

– Fazer uma reclamação : 

“Eu tenho uma reclamação! Toda vez coxinha! Estou enjoado disso. Não aguento mais comer a mesma coisa. Quem é o responsável pelo coffee break?”

(desejo de variedade, necessidade de cuidado, de eficiência, de ser escutado)

São necessidades legítimas, que, talvez, precisariam ser cuidadas em outros momentos, por exemplo, no intervalo do almoço e numa reunião de feedback, respectivamente.

 

Especifique

Muitas vezes, supomos que as pessoas pensam exatamente como nós pensamos. Quanto mais partimos de suposições, maiores são as chances de haver mal-entendidos.

Por exemplo, em vez de dizer “me ajuda com esse documento?”, deixe a pessoa saber como ela pode te ajudar: “você pode ler esses documentos e me indicar se encontrar algum erro ortográfico?”

 

Contextualize

Antes de se dedicar a falar o que tem a dizer, certifique-se de que você e a outra pessoa estão na mesma página, de que vocês estão falando sobre a mesma coisa.

Por exemplo: ao invés de começar uma conversa com “Você não tem executado sua função de secretária muito bem” ou “Acho que a secretária está sobrecarregada” poderia ser dito “Na ata da reunião do dia 30/01, não encontrei a lista de pessoas que estavam presentes na reunião.”

 

Rompa o silêncio

Ao invés de apenas pensar silenciosamente sobre seu colega de trabalho “Mas ele disse que ia adequar a apresentação e agora está jogando nas minhas costas?!”, diga “Eu tinha entendido que você ficaria responsável por adequar a apresentação. Você pode fazer isso?”

Ao invés de reclamar em pensamento “Que reunião mais improdutiva!” diga “Não ficou claro para mim o que ficou decidido. Poderia me dizer quais são as propostas?”

Ao invés de pensar “Lá vem a Joana que não para de falar”, diga para ela “Estou com tempo apertado, preocupada com algumas pendências para resolver, podemos tratar sobre isso em 10 minutos?”

Em todas essas sugestões, existe algo em comum: fale de si, em primeira pessoa, em direção à sua honestidade vulnerável. Não fale sobre qual é o problema da outra pessoa ou sobre o que há de errado com ela. Fale sobre as suas compreensões, sentimentos, necessidades e pedidos.

 

Usar uma comunicação assertiva não é garantia de que a outra pessoa fará o que você está pedindo. A intenção de obter a obediência das pessoas não é o que queremos aqui. A intenção primária é que as pessoas compreendam umas às outras e tenham condições de fazerem acordos de benefício mútuo.

Usar uma comunicação assertiva não é garantia de que a outra pessoa irá te compreender exatamente como você gostaria. Não descarte a necessidade de fazer e solicitar checagens de compreensão, mesmo quando você pensar que está se comunicando perfeitamente.

Usar uma comunicação assertiva não fará as pessoas gostarem mais ou menos de você. Principalmente se você for uma mulher, muito provavelmente as pessoas acabem gostando menos. As expectativas sobre as mulheres recaem sobre a antiga construção da mulher que se preocupava em atender as necessidades dos outros em detrimento das suas, ou seja, da mulher passiva, e não da mulher assertiva.

É possível ter uma comunicação não violenta, empática, respeitosa e assertiva, compreendendo que o nosso objetivo não é fazer as pessoas gostarem de nós. Mas sim, o de sermos coerentes com os nossos valores.

Como discordar de forma construtiva?

Como discordar de forma construtiva?

Se você tem dificuldades para dizer que discorda de alguém, que tal visitar algumas crenças sobre a discórdia?

Quais histórias você se conta sobre a diferença de pensamentos entre pessoas e sobre o discordar? Quais discursos sobre isso você escuta desde que se conhece por gente?

Será algo como estes exemplos?

  • Para que possamos viver bem, precisamos estar sempre em consenso.
  • Discordar de uma pessoa desgasta a relação.
  • Quem discorda de mim é meu inimigo.
  • É ruim as pessoas pensarem de formas diferentes.
  • É impossível conviver com pessoas que pensam diferente de mim.
  • Precisamos prevenir e evitar qualquer discórdia.

Talvez algumas partes de nós ainda acreditem nessas vozes. Mas ainda estamos em tempos de ampliar a forma de pensar sobre a discórdia para algo parecido com isto:

  • Onde há pessoas conscientes e honestas, geralmente haverá opiniões contrárias.
  • Pensamentos contrários são pontos de partida para conversas que conectam pessoas.
  • Eu aprendo e evoluo minhas ideias com quem discorda de mim.
  • O fato de pensarmos de formas diferentes possibilita a criação de novas possibilidades.
  • A liberdade para discordar é um princípio fundamental da democracia.
  • Precisamos criar ambientes seguros para que possamos conversar sobre nossas discórdias.

“Posso não concordar com uma palavra que você disse, mas defendo até a morte o teu direito de dizê-las.” Evelyn Beatrice Hall

Aqui você encontrará algumas sugestões de como discordar de alguém preservando o respeito mútuo e possibilitando a construção de novas realidades.

Não se trata de uma receita de bolo com passos determinados que te levarão a resultados garantidos. Mas sim um compilado de ações e reflexões que podem fazer sentido em algumas ocasiões e em outras não.

Vários fatores podem influenciar nisso: se a conversa é com alguém com quem você já tem uma conexão, se é com pessoas com quem já existe um clima de desconfiança, ou se é com alguém que você está conhecendo pela primeira vez; se a conversa está acontecendo cara a cara, via mensagem ou via comentários nas redes sociais; se há tempo disponível para a conversa ou o tempo é restrito; se o assunto em questão irá gerar impacto imediato em sua vida ou não.

Mas previamente às sugestões, é importante colocar alguns lembretes:

Antes de discordar, avalie se você está disposta a entrar num diálogo que pode levar tempo e pode te tirar da zona de conforto. Avalie também se existe abertura da outra pessoa, pois, mesmo que você expresse suas ideias da forma mais respeitosa possível, você não pode controlar como ela irá recebê-las.

Abandone a intenção primária de fazer a outra pessoa mudar de ideia numa única conversa. Imediatismo não costuma resultar em transformações sustentáveis. Calibre seus parâmetros do que é considerada uma boa conversa. Deixe um pouco de lado o pensamento de que “ficarei satisfeita quando ele mudar de ideia” para “ficarei satisfeita se novas reflexões, aprendizados, significados ou ideias surgirem”.

 

1) Antes de discordar, escute. Depois que escutar, escute mais.

Na tentativa de entender o mundo, temos uma tendência natural de reduzir os fenômenos à forma como é estruturada a nossa mente, ou seja, à nossa capacidade de entendimento. 

Daí a necessidade de um segundo passo após a redução: a reampliação. Entretanto, nem sempre é fácil voltar a ampliar depois da redução inicial. Nossa tendência a eliminar é mais forte que a necessidade de integrar. Ouvir até o fim, sem concordar nem discordar, tornou-se extremamente difícil para todos nós. Não sabemos ficar — mesmo de modo temporário — entre o conhecido e o desconhecido. Confundimos o desconhecido com o nada e por isso o tememos. A frase do escritor americano William Faulkner, “entre a dor e o nada eu prefiro a dor”, traduz nosso apego a esse tipo de repetição.

Portanto, num diálogo, questione o seu primeiro impulso de discordar.

Escute o que a outra pessoa tem a dizer, até que ela conclua suas ideias.

Leia a notícia inteira, e não apenas a manchete.

Leia a legenda inteira de um post, e também os comentários e as respostas a eles, quiçá, os posts anteriores.

Assista ao vídeo inteiro, e não apenas os primeiros segundos, quiçá outros vídeos da mesma autora ou autor.

Em todas as ocasiões, escute buscando possibilidades em vez de certezas.

Quando, nas primeiras palavras que a outra pessoa disser, vier o pensamento “Eu discordo!”, diga para si mesma “Peraí, deixa eu entender melhor…”.

 

2) Quando você achar que entendeu, cheque se entendeu corretamente.

“Entre o que eu penso, o que quero dizer, o que digo e o que você ouve, o que você quer ouvir e o que você acha que entendeu, há um abismo.” Alejandro Jodorowsky

Em qualquer meio de comunicação – especialmente nos virtuais – as falhas de comunicação existem, e não são exceção, são a regra. Quando pensamos que estamos nos comunicando com perfeição, estamos, na verdade, iludidos.

Parta do princípio de que são enormes as chances de você ter compreendido algo incompatível com o que o emissor quis transmitir. E não há nada mais natural do que isso.

Faça perguntas para checar a sua compreensão. Dê espaço para esclarecimentos, reformulações, e até mesmo, mudanças de ideia.

Habitue-se, antes de colocar as suas verdades, a dizer: “Deixa eu ver se eu entendi o que você quis dizer. Você disse que … É isso?”

 

3) Comece pelo que vocês têm em comum

Não caia na tentação imediata de encontrar o que está errado, incompleto ou defeituoso nas afirmações da outra pessoa. Não coloque toda a sua energia em identificar as falhas, expô-las e desmontar a argumentação dela.

O diálogo é um processo de comunicação único pois focaliza a atenção dos participantes no ato de escutar para compreender. Ele funciona melhor quando os participantes procuram escutar o que está certo, é verdadeiro é válido naquilo que os outros falam. Os que escutam buscam as ideias com as quais conseguem concordar, potencialmente combinando estas com suas próprias ideias a fim de construir uma verdade maior do que qualquer dos lados teria sozinho. Lisa Schirch e David Campt

Mesmo pessoas que estão em posições opostas podem ter interesses comuns, ou, ao menos, interesses mutuamente compreensíveis.

Aprofunde-se na busca pela humanidade compartilhada que existe entre vocês. Todas nós temos necessidades em comum. Todas nós queremos ser respeitadas, viver em segurança e que nossas crianças sejam felizes, mesmo quando discordamos das estratégias para alcançar tudo isso.

“Quando compreendemos as necessidades que motivam nosso comportamento e o comportamento dos outros, nós não temos inimigos.” Marshall Rosenberg

É possível ter um bom debate (disputa de argumentos) quando ele está inserido num contexto onde haja diálogo (disposição para pensar juntos).

Talvez isso se expresse em falas como estas:

“Me parece que queremos as mesmas coisas. Concordamos que… Neste aspecto aqui pensamos diferente…”

“Concordo com você sobre… Sobre estes pontos aqui talvez discordemos.”

 

4) Faça com humildade

A sua opinião não é a verdade em si. O que um grupo de pessoas considera “verdadeiro” é a construção de uma verdade consensual.

O seu ponto de vista é mais uma vista de um ponto. 

Você sempre pode estar enganada – e está tudo bem se enganar. Se isso acontecer, a queda é menor quando nos expressamos com humildade.

Coloque-se. Posicione-se. E tenha educação. Peça licença. Cuide das palavras e do tom de voz, não seja irônica ou sarcástica. Evite falar no imperativo (como estou fazendo aqui rs).

 

5) Queira convidar, e não lacrar

Faça da sua fala um convite para que a outra pessoa queira seguir junto com você numa conversa construtiva. 

Não coloque um ponto final na conversa onde você ganha um troféu por ter derrotado o argumento da outra pessoa.

Expresse o seu interesse em saber como a outra pessoa se sente após te escutar ou o que ela pensa sobre aquilo que você estava dizendo, por exemplo: “Eu vejo a situação de uma forma diferente. Penso que… O que você acha?”

 

6) Fale em primeira pessoa

Mesmo que seja verdade, apontar dedos é contraproducente. Comece a sua fala com críticas ou acusações e prepare-se para o contra-ataque.

Falar de nós, em vez de falar sobre o problema que identificamos no outro, nos previne da nossa pressa em julgar, nos aproxima da nossa vulnerabilidade e autenticidade e abre espaço para uma comunicação que conecta pessoas. 

Fale sobre como você se sente, sobre as suas necessidades e expectativas.

“Me gera uma preocupação escutar que…”

“Estou desconfortável com algumas coisas que escutei…”

“Alguns pontos que você colocou ainda não fazem sentido para mim…”

 

7) Vá contra o argumento, e não contra o argumentador.

Separe a pessoa de suas ideias. 

Em vez de desqualificá-la com rótulos ou acusações (p. ex: chata, burra, egoísta, grossa), analise e questione os argumentos e as ideias.

Você pode seguir respeitando a dignidade de um ser humano sem concordar com ele. Parece óbvio mas vale lembrar: é totalmente possível admirar uma pessoa que pensa diferente de nós.

 

“Nenhum de nós individualmente é mais inteligente ou capaz do que todos nós coletivamente.” inspirado em Warren Bennis

Educação sem punição nas escolas

Educação sem punição nas escolas

Texto escrito para o Instituto Signativo, organização que visa contribuir para uma educação que valoriza a autonomia, para que as pessoas se tornem protagonistas em um processo que estimula nossos jovens atingirem o máximo do seu potencial. Conheça a Pós Graduação em Inteligência Socioemocional na Educação do Instituto Signativo!

 

Como educadores podem usar a sua autoridade para proteger, e não para punir

Marshall Rosenberg, o sistematizador da comunicação não violenta, contava uma história de quando visitou um amigo diretor de escola. Pela janela de sua sala, o diretor viu um menino grande bater num outro menor. Ele correu para o pátio, deu um tapa no menino maior e lhe deu um sermão. Quando o diretor voltou de sua sala, ele disse: “Eu ensinei aquele menino a não bater em pessoas menores do que ele.” Marshall respondeu: “Não tenho tanta certeza de que foi isso que você fez. Suspeito que você o ensinou a não fazer isso enquanto alguém maior estivesse vendo.” O diretor não percebeu que estava sendo modelo do mesmo comportamento que ele tentava impedir. (1)

Violências ocultas

No Brasil, a aplicação de castigos físicos e morais em crianças e adolescentes é crime. Todas e todos nós sabemos que nossas crianças e adolescentes não devem ser submetidos ao sofrimento físico, ameaça, ridicularização ou humilhação. (2)

A presença de violência explícita nas escolas gera uma sensação de insegurança e causa efeitos profundos nos alunos e em suas famílias. Entretanto, apesar de serem menos extremas, as ocorrências diárias que induzem o medo nos alunos acabam minando sua segurança emocional.

Formas de violências sutis são estratégias frequentemente utilizadas pelos adultos em meio aos desafios de comportamento das crianças e jovens, por exemplo, o uso de acusações, rótulos desumanizadores e comparações. 

Microviolências e violências ocultas são atos que não contradizem a lei, mas geram exclusão, medo e culpa, principalmente quando vindos de pessoas que estão em posição de poder, o que limita a capacidade da vítima de se defender.

Cultura de violência

A questão da violência nas escolas é complexa e precisamos ir além da busca por culpados.

Os educadores encaram grandes desafios em relação ao comportamento das crianças e jovens que trazem para dentro das escolas todas as suas necessidades não atendidas pela família e pela sociedade. 

Ao mesmo tempo, que existe a tentativa de proteger os alunos de serem vítimas de violência dentro das escolas, o Brasil lidera o ranking de agressões contra docentes.

Quando os alunos são autores de ações violentas, injustas ou transgressoras, parece ser correto e coerente o uso das punições, por mais sutis que sejam.

Entretanto, há séculos, essa é uma forma socialmente adquirida de se pensar. Numa cultura de violência, as pessoas privilegiam a violência como meio normal de defender sua comunidade das ameaças que pesam sobre ela. As pessoas recorrem a construções racionais que as permitam justificar e aceitar a violência. A ideologia da violência visa ocultar aquilo que a ela mesma tem de irracional e inaceitável, valorizando-a positivamente. (3)

Quando escutamos um pai, por exemplo, dizer ao filho quando aplica uma punição a ele que “dói mais em mim do que em você”, que faz isso “por amor” ou se justifica dizendo “eu apanhei e não morri”, esse pai se apresenta como um produto bem sucedido da cultura de violência na qual estamos todos inseridos.

“Não se pode construir a paz sobre os alicerces do medo.” Arun Gandhi

Cultura de paz

As perguntas que quero refletir sobre são as seguintes: Como lidar com o comportamento inapropriado das crianças e jovens nas escolas cultivando a paz ao invés de cultivar a violência?  Como incentivá-los a colaborar com ações que visem o bem comum? Como os educadores podem usar sua autoridade para proteger, e não para punir? É possível a escola se tornar em um território de interrupção de ciclos profundos de violências?

Eu acredito que sim. E é exatamente quando acontece um conflito que um ciclo de violência pode ser interrompido, no momento em que respondemos à violência sem o uso dela mesma.  Mas para que isso seja possível, é necessária a normalização de um novo paradigma que torne possível a criação de estruturas que sustentem práticas adequadas para resolução de conflitos.

“Como podemos nos opor ao mal sem criar novas maldades e nós mesmos nos tornarmos maus?” Walter Wink

Diferentes tipos de uso da força

Quando duas pessoas conseguem, através do diálogo, serem compreendidas no nível de suas necessidades, geralmente pode-se chegar a uma solução que gere benefício mútuo. No mínimo, os dois lados podem concordar de boa vontade em discordar. Elas podem até acabar se afastando, mas seguirem se respeitando.

Porém, haverá ocasiões que envolvem questões importantes e não será possível simplesmente se afastar. E não existindo a possibilidade para o diálogo (seja por falta de tempo, de acesso, disposição ou capacidade das pessoas envolvidas) pode ser que precisemos recorrer ao uso da força. Se o fizermos, é importante ter a clareza se estamos escolhendo o uso da força no sentido punitivo ou no sentido protetor.

Uso punitivo da forçaUso protetor da força
IntençãoFazer os alunos sofrerem pelo mal que praticaram.Proteger a vida e garantir direitos fundamentais;

Evitar danos e injustiças;

Retornar ao diálogo assim que possível.

PremissaOs alunos são naturalmente maus e egoístas e fazem coisas ruins;

Eles precisam sofrer o suficiente para perceberem que suas ações são erradas, se arrependam e passem a agir como determinam as regras.

Alguns alunos se comportam de maneira prejudicial a si e aos outros por algum desses motivos:

a) falta de consciência das consequências das suas ações;

b) desconhecimento de que suas necessidades podem ser atendidas sem prejudicar os outros;

c) a crença que eles têm o “direito” de maltratar outras pessoas porque elas “merecem”;

FormasCastigo físico (p. ex: puxar a criança pelo braço, dar apertões);

Rótulos ou julgamentos que desumanizam, humilham ou culpabilizam (p. ex: dizer “você é burro”);

Retirada de benefícios ou ameaças para tal (p. ex: reprovar o aluno por questões pessoais, dizer “você não vai para a aula de educação física porque me desobedeceu”);

Retirada da afeição ou do respeito (p. ex: olhares repreensivos, ignorar o aluno, excluir de atividades, dizer “ninguém gosta de você”).

Influenciar os alunos a agirem de formas construtivas;

Fazer demandas (p. ex: dizer “entre para dentro da escola” cuidando da segurança de um aluno que saiu pelo portão);

Contenção física (p.ex: segurar um aluno que está batendo no outro);

Obstruir o acesso dos alunos a lugares ou materiais que apresentem riscos.

ResultadosResultados de curto prazo;

Aumento da violência;

Ressentimento e hostilidade;

Aumento da resistência ao comportamento que buscamos.

Resultados de longo prazo;

Construção de paz;

Responsabilidade social;

Autodisciplina.

Existem dois tipos de poder. Um é obtido pelo medo da punição, e o outro por atos de amor. O poder baseado no amor é muito mais efetivo e permanente do que o derivado do medo da punição. Gandhi

Subprodutos da punição

“De onde tiramos a absurda ideia de que, para levar uma criança a agir melhor, precisamos antes fazê-la se sentir pior?” Jane Nelsen

A punição ainda continua sendo a principal característica da disciplina escolar porque ela é rápida, fácil de administrar e parece atender ao critério segundo o qual “ao menos fizemos alguma coisa a respeito”. (4)

Suponho que todos nós concordamos que uma boa educação visa ajudar as crianças e jovens a assumirem a responsabilidade pelo seu próprio comportamento. Entretanto, a punição dada por um adulto trata-se de uma tentativa externa à eles para regular o seu comportamento. Quando sua vida e seu comportamento são constantemente regulados pelos outros, as crianças e jovens perdem oportunidades para desenvolver a autodisciplina, já que os outros o fazem em seu lugar. (4) (5)

Além disso, os efeitos negativos da punição são diversos e estão bem documentados. Tais efeitos incluem sentimento de raiva por parte da pessoa punida, cujo foco passa do mal cometido para a pessoa que administrou a punição. O aluno castigado tende então a questionar a natureza da punição e a culpar o punidor ao invés de assumir a responsabilidade das consequências de seu mau comportamento. (4) (6)

Diante de uma punição, o aluno entra em posição de defender seus próprios interesses e faz com que ele se distancie das pessoas que agrediu, reduzindo a oportunidade de se sensibilizar pelos danos causados às outras pessoas e de agir de modo responsável. Ou mesmo ele se paralisa pela culpa e pela vergonha. Por isso o processo punitivo dificilmente estimula o aluno a compreender as consequências de seus atos e a reparar os possíveis danos. (6)

Quando um adulto com sua autoridade é o responsável por determinar ao aluno o que ele merece, esse adulto assume o lugar de todas as pessoas envolvidas no conflito e acaba por enfraquecer o sentido comunitário. As comunidades precisam de oportunidade e encorajamento para assumirem suas obrigações em favor do bem-estar de seus membros e trabalharem colaborativamente para resolver os problemas da comunidade dentro dela mesma. (6) (7)

Métodos alternativos à punição

Voltando à história contada por Marhsall Rosenberg no início deste texto, quais seriam as possibilidades de respostas para a violência praticada pelo menino grande contra o menino menor?

A primeira reação deveria ser o uso da força no sentido de proteger a vida e os direitos fundamentais de todas as pessoas envolvidas (inclusive do menino grande). Isso poderia ser feito tanto pelos colegas presentes, quanto pelos adultos que poderiam ser chamados.

Uma vez que não houverem riscos iminentes, os diversos métodos que se apoiam no diálogo poderiam ser utilizados para transformar aquela situação, reatar os laços rompidos e prevenir a reincidência desses eventos.

Para que tudo fosse possível, seria necessário que os alunos fossem guiados por valores que prezam pelo cuidado mútuo e treinados sobre como reagir ao testemunhar uma situação de violência. Os alunos deveriam perceber uma agressão como algo inaceitável, e não como entretenimento.

Os próprios alunos poderiam receber treinamentos para que fossem capazes de mediar conflitos entre eles mesmos (veja aqui um projeto realizado nessa direção). 

Os adultos da comunidade escolar poderiam se capacitar para a facilitação de círculos de construção de paz e para a mediação de conflitos.

Práticas constantes para a nutrição de bons relacionamentos que envolvam toda a comunidade escolar poderiam passar a fazer parte do dia a dia da escola.

“Aqueles que amam a paz precisam aprender a se organizar de forma tão efetiva quanto aqueles que amam a guerra.” Martin Luther King Jr.

Todas essas possibilidades têm raízes na justiça restaurativa e nas práticas restaurativas na educação que vem sendo implantadas de forma sistemática em várias escolas e incluídas em políticas públicas.

Acesse aqui a Cartilha Justiça Restaurativa no ambiente escolar

Coragem e inspiração

Apesar de as rodas de conversa serem o método mais antigo para lidar com os conflitos e fortalecer comunidades, tudo isso parece ser muito novo para nós que carregamos crenças originárias de paradigmas de dominação.

Espero que tenhamos a coragem de nos arriscar nessa jornada de resgate à bondade inerente e presente em todos nós.

Deixo aqui duas inspirações: Tião Rocha, o criador da pedagogia da roda; e, em seguida, um texto com base na filosofia Ubuntu.

Sawabona Shikoba!

SAWABONA, é um cumprimento usado na África do Sul e quer dizer: “Eu te respeito, eu te valorizo, você é importante para mim”.

Em resposta, as pessoas dizem SHIKOBA, que é: “Então, eu existo para você”.

Há uma tribo africana que tem um costume muito bonito. Quando alguém faz algo prejudicial ou errado, eles levam a pessoa para o centro da aldeia, e toda a tribo vem e o rodeia. Durante dois dias, eles vão dizer ao homem todas as coisas boas que ele já fez.

A tribo acredita que cada ser humano vem ao mundo como um ser bom, cada um de nós desejando segurança, amor, paz e felicidade.

Mas, às vezes, na busca dessas coisas, as pessoas cometem erros. A comunidade enxerga aqueles erros como um grito de socorro. Eles se unem então para erguê-lo, para reconectá-lo com sua verdadeira natureza, para lembrá-lo quem ele realmente é, até que ele se lembre totalmente da verdade da qual ele tinha se desconectado temporariamente:

“Eu sou bom”

Referências Bibliográficas

1 – Hart, S., Hodson, V. K. The Compassionate Classroom: Relationship Based Teaching and Learning. 1st ed. Encinitas, CA: PuddleDancer, 2004.

2 – Estatuto da Criança e do Adolescente https://www.unicef.org/brazil/estatuto-da-crianca-e-do-adolescente

3 – Muller, J. O princípio da não-violência: uma trajetória filosófica. São Paulo: Palas Athena, 2007.

4 – Amstutz, L. S.; Mullet, J. H. Disciplina Restaurativa para Escolas. 3ª ed. São Paulo: Palas Athena, 2018.

5- Nelsen, J. Disciplina positiva. 3ª ed. Barueri: Manole, 2015.

6 – Zehr, H. Justiça Restaurativa. 2ª ed. São Paulo: Palas Athena, 2017.

7 – Evans, K.; Vaandering, D. Justiça Restaurativa na Educação: Promover Responsabilidade, Cura e Esperança nas Escolas. 1ª ed. São Paulo: Palas Athena, 2018.

Como a comunicação não violenta pode apoiar educadoras e educadores?

Como a comunicação não violenta pode apoiar educadoras e educadores?

Texto escrito para o Instituto Signativo, organização que visa contribuir para uma educação que valoriza a autonomia, para que as pessoas se tornem protagonistas em um processo que estimula nossos jovens atingirem o máximo do seu potencial. Conheça a Pós Graduação em Inteligência Socioemocional na Educação do Instituto Signativo!

 

Prezada educadora ou educador,

Penso que a comunicação não violenta é um caminho para o resgate da humanidade que mora dentro de nós. O que você encontrará aqui são apenas lembretes daquilo que já sabemos, mas que os desafios da vida cotidiana acabam nos desconectando.

Já de antemão, expresso minha admiração por você que abraça a corajosa missão de educar e de apoiar quem educa.

 

Complexidade das relações

Numa escola existem vários tipos de relacionamentos acontecendo de forma simultânea sob os olhos de um educador. Segue alguns deles:

– Educador consigo mesmo
– Educador com o aluno
– Aluno com outros alunos
– Aluno com ele mesmo
– Aluno com seu processo de aprendizagem

Isso sem citar as diversas relações que os educadores têm com outros integrantes da comunidade escolar (corpo docente, administração, mães, pais, funcionários).

Aqui trataremos das relações educador consigo mesmo e educador com o aluno.

Te convido a olhar com lentes de aumento da comunicação não violenta e conferir sugestões de como ela pode ajudar as educadoras e educadores a construírem conexão com suas alunas e alunos.

 

Educador consigo mesmo

 

Conecte-se à uma fonte de energia: suas necessidades humanas.

Ser educador ou educadora trata-se de uma missão desafiadora repleta de percalços. É preciso muita energia para se colocar na liderança de uma turma de alunos.

Uma fonte de energia sustentável é ter a consciência das necessidades humanas que te motivam a fazer o que você faz.

Por trás de toda ação, por trás de toda palavra dita, existem necessidades tentando ser atendidas. Uma das minhas aqui escrevendo esse texto, é a minha necessidade de contribuir com você e com seus alunos.

Quais necessidades te motivam a ler esse texto? A necessidade de aprender, de descobrir novos conhecimentos? De encontrar apoio para executar o seu trabalho da melhor forma possível?

E quais necessidades você tenta atender quando diz para os alunos algo assim:”Vocês não merecem atividade ao ar livre hoje!” Seria uma tentativa de atender as necessidades de colaboração, de respeito, de consideração?

Acesse uma lista com palavras sugestivas de necessidades humanas universais.

 

Seja a primeira pessoa a saber como você se sente

Os nossos sentimentos são mensageiros das nossas necessidades. Sentimentos desconfortáveis vêm para avisar que temos necessidades não atendidas, como quando a luz do combustível no painel do carro acende.

Já os sentimentos confortáveis vêm para nos ajudar a enxergar as nossas necessidades que estão sendo atendidas.

Portanto, não vemos os sentimentos como “positivos” ou “negativos”. Todos eles são bem-vindos e carregam mensagens importantes.

O problema é que, quando suprimimos ou não percebemos nossos sentimentos desconfortáveis e nossas necessidades não atendidas, é impossível atendê-las efetivamente.

“Toda violência é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida.” Marshall Rosenberg

A inconsciência das nossas necessidades não atendidas é o que nos leva a acabar cometendo uma violência não intencional.

Por exemplo, se uma educadora age ou fala de forma agressiva quando dois alunos estão conversando durante a sua aula, é muito difícil que eles sejam capazes de enxergar que a educadora pode estar se sentindo exausta (sentimento) e precisando de apoio (necessidade). A tendência é que eles acabem fazendo julgamentos sobre ela (contra-ataque) ou sobre eles mesmos (reduzindo sua autoestima).

Por isso, seja a primeira pessoa a saber como você está se sentindo.

Crie momentos de pausa ao longo do seu dia e faça uma checagem do sentimento presente em você naquele exato momento. Dê nome àquele sentimento. E estão, escute a mensagem que ele traz.

Nós não podemos controlar os nossos sentimentos, mas podemos escolher as nossas ações.

 

Educador com o aluno

 

Cheque suas intenções primárias

Ao se ver num conflito com um aluno, faça uma checagem interna: você está jogando o jogo do “quem tem razão” ou o jogo do “vamos melhorar nossas vidas”?

Quando alguém te desobedece, você entra no jogo de “mostrar quem manda aqui” ou no jogo “precisamos nos entender”?

Por mais que o objetivo de todo educador seja que seus alunos aprendam, os nossos egos também se envolvem nos conflitos e, com frequência, precisamos lembrá-los que eles podem se acalmar.

O que é mais importante obter primeiro: conexão e uma relação de confiança com o aluno ou ter as atividades realizadas da forma como você quer?

Não é preciso escolher conexão, em detrimento do aprendizado. Nem vice-versa. Conexão é condição para o aprendizado. E conexão acontece quando as necessidades de todas as pessoas são igualmente valorizadas.

 

Como você vê as alunas e alunos?

Todas e todos nós sabemos os riscos de limitar um aluno a um rótulo. Apesar disso, os nossos pensamentos nos levam, com frequência, a esse caminho de reduzir as pessoas à rótulos.

Ao tomar consciência desse hábito reducionista, precisamos fazer o esforço consciente de ampliação e traduzir os rótulos que fazemos sobre os outros em:

  • comportamentos observáveis;
  • sentimentos presentes;
  • necessidades tentando ser atendidas;
  • pedidos implícitos.

Por exemplo: um aluno que tendemos a pensar que é “preguiçoso”.

Qual foi o comportamento observável que te fez o rotular de “preguiçoso”?
Ex: Ele colocou seu caderno sobre a minha mesa com as lições em branco, sem dizer nada.

Como ele pode estar se sentindo?
Ex: Ele pode estar se sentindo triste, desmotivado.

Quais podem ser as necessidades dele que não estão sendo atendidas?
Ex: Diversão e movimento.

Quais podem ser os pedidos implícitos desse aluno?
Ex: Atividades que envolvam o corpo.

As possibilidades são tão infinitas quanto a complexidade humana. Mas se partirmos do rótulo, será muito mais difícil você se abrir para todas essas possibilidades e se conectar com o aluno.

Pode ser que ele esteja tendo o sono interrompido por conta da irmã mais nova que chora de madrugada e só precisa de noites de sono reparador. Pode ser que ele esteja envergonhado porque não se sente pertencente à turma, pois não consegue acompanhar a compreensão dos seus colegas.

Para descobrir os sentimentos e necessidades dos seus alunos, é preciso escutar o que eles têm a dizer. Escutar para além das palavras que eles dizem.

 

Antes de chegar a uma conclusão, escute. E demonstre que está escutando.

Escutar costuma ser uma prática desafiadora para quem está na posição de ensinar, de transmitir conhecimento, de motivar e inspirar.

Segue algumas sugestões para afinar a escuta das suas alunas e alunos:

Perceber por quanto tempo você fala, e quanto tempo passa escutando;

Não reduzir o que os alunos dizem à questões menos importantes do que os conteúdos que você precisa trabalhar;

Procrastinar a solução de um problema e escutar o ponto de vista das pessoas envolvidas nele antes de resolvê-lo;

Desenvolver as conversas trazendo mais perguntas do que respostas;

Escutar o que não é dito: sentimentos, necessidades, pedidos;

Checar se suas hipóteses de sentimentos, necessidades e pedidos fazem sentido para o aluno;

Partir do princípio que o que compreendemos não, necessariamente, é o que ele quis dizer. Parafrasear o que o aluno disse e checar sua compreensão.

 

Espero que essas sugestões sirvam como plataforma para impulsionar a conexão entre você e seus alunos, e aproximem a todos de terem suas necessidades mutuamente atendidas.

 

Sobre os conflitos que emergem no casal com a chegada de um bebê

Sobre os conflitos que emergem no casal com a chegada de um bebê

Eu imagino que você, pessoa que me lê, seja uma mãe. Mas, por favor, não desista da leitura se você foi um pai. É que, considerando a minha experiência como pessoa que trabalha com conflitos, 100% das pessoas que já me procuraram para lidar com os conflitos que emergem ao nascimento de um bebê, eram mães. Considerando também uma observação pessoal das minhas amigas que passaram por isso e a minha própria como mãe de duas filhas, são as mães que mais sofrem, refletem e buscam (desesperadamente) formas para lidar com os conflitos familiares ao nascimento de um bebê.

Há grandes chances, também, de você estar experienciando as dores e as delícias do puerpério. Hormônios e mecanismos biológicos intensos despertando todos os instintos para proteger a cria, e ninguém mais. O cérebro agindo menos de formas racionais, analíticas e organizadas e mais de formas intuitivas, emocionais e subjetivas.

Você deve estar com dor nas costas e com os sinais e sintomas da privação de sono que envolvem instabilidade emocional (tristeza, irritabilidade, impaciência), queda da imunidade, cansaço, fadiga e falhas na memória e na atenção. Você deve estar vivenciando, não apenas a privação de sono, mas também privação de exercícios físicos, das realizações profissionais, da cervejinha com as amigas, das maratonas de Netflix, dos cursos, et cetera infinito.

Isso, se você ainda não estiver com dores advindas da amamentação, do parto, das hemorroidas, da síndrome do túnel do carpo, da depressão, dentro várias outras dores que são comuns no pós parto e consomem muita energia.

Para agudizar a situação, como mortos vivos que saem de suas covas, emergem as questões do relacionamento que estavam enterradas e esquecidas. E a mais comum delas é a falta de apoio dos pais nos cuidados com o bebê, com a casa, e com nós mesmas. Resultados: carga mental e muita revolta.

Como você, mulher momentaneamente arrebentada, pode lidar de forma construtiva com esse conflito?

Primeiramente, não quero que isso aqui seja mais uma cobrança nas suas costas. Portanto sugiro que você utilize os filtros necessários na leitura para que seja capaz de jogar fora o que não te servir. Você já sabe, mas é sempre bom lembrar: você não é obrigada a nada. Além disso, cada uma de nós sabe das possibilidades e limitações que cabem em nossa realidade, neste determinado momento.

Por questões de praticidade e fluidez da leitura, vou utilizar o rótulo de “marido” ou “companheiro” para as pessoas com quem você se relaciona afetivamente e de quem você precisa da colaboração. Imagino que, em raras ocasiões, o desequilíbrio seja inverso. Ou mesmo com pessoas que não são casadas. Peço a sua compreensão em relação a essa limitação linguística excludente.

 

Primeira reflexão: perspectiva social para o seu conflito pessoal

Se você, assim como eu, escolheu criar crianças física e mentalmente saudáveis; socialmente conscientes; desenvolvidas intelectualmente; autônomas; e bondosas, em meio a essa cultura individualista; imediatista; urbana; e consumista, bem-vinda à missão de plantar em solo árido.

O provérbio africano diz: “É preciso toda uma tribo para criar uma criança.” Passe um dia sozinha com uma criança para compreender a veracidade desse provérbio. É uma exigência pesada que todas as necessidades de uma criança sejam atendidas apenas pela mãe e pelo pai. Assim como é insustentável esperar que tenhamos todas as nossas necessidades atendidas apenas pelos nossos companheiros. E vice-versa.

Você está lidando não apenas com um conflito no seu casamento. Você está desafiando a natureza ao cuidar de um bebê com o apoio de uma ou duas pessoas, num país onde não temos nem mesmo nossos direitos básicos de saúde, segurança, emprego e educação garantidos pelo Estado.

Além disso, a desigualdade entre homens e mulheres nos cuidados domésticos e infantis é histórica. Você está lidando com uma questão estrutural, uma praga insistente de raízes profundas.

O movimento de tomada de consciência dos homens sobre seus privilégios e responsabilidades é necessário e urgente, e está acontecendo de forma mais lenta que eu gostaria. Não podemos fazer isso por eles, e nem forçar esse processo. Ainda são poucos os homens que têm outros “homens paternos” como referências.

Diante disso tudo, acredito que, dentro de casa, a primeira postura a se tomar para dar espaço ao diálogo, possa ser a mais difícil: parar de procurar culpados.

Inclusive, porque você pode cair na cilada de pensar que a culpa de tudo isso que está acontecendo é sua.

A culpa não é do seu marido. A culpa não é dos pais dele.

Não é culpa de ninguém. Vamos sair desse jogo.

Não se veja numa luta contra ele. São vocês dois contra um problema.

Desarme-se, para que ele também possa ir se desarmando aos poucos.

 

Segunda reflexão: não somos educadas para conflito, nem mesmo para o diálogo

O problema não é a louça suja, não é o mercado que precisa fazer ou a fralda que precisa trocar. O problema é a nossa inabilidade para lidar com os conflitos e ter conversas delicadas.

Ilusoriamente, esperamos que sejamos capazes de oferecer o nosso melhor nos conflitos sem nunca ter nos preparado para eles, sem nunca, ao menos, ter conversado abertamente sobre eles.

Nesses casos, lidar com o conflito, tendo um novo bebê em casa, é como entrar numa maratona sem, ao menos, ter feito uma caminhada antes. Prepare-se para não cruzar a linha de chegada no tempo que você espera. Mas vale seguir a caminhada.

Não fomos educadas para expressar nossas necessidades, nossos sentimentos, nossas incertezas… Se isso tudo é um desafio para nós, imagine só para os homens, que escutam desde criança que “meninos não choram”.

 

Terceira reflexão: poder compartilhado, ao invés de poder de uma pessoa sobre a outra

Não queira um marido obediente, submisso, passivo. Casa limpa, bebê cuidado e comida feita às custas de um companheiro apático, é um preço que será pago pelo relacionamento no médio/longo prazo.

Assim como é insustentável que o sacrifício seja seu, é igualmente insustentável que o sacrifício seja dele. Ao menos, quando a sensação de sacrifício for equilibrada, o olhar poderá sair da visão do sacrifício e caminhar para a visão das maravilhas que é evoluir em parceria.

Não espere que as coisas sejam do seu jeito. Nem do jeito dele.

Se tudo der certo, as coisas vão ser do jeito de vocês.

Não no seu tempo. Não no tempo dele.

Mas no tempo de vocês.

Portanto, será algo novo. Diferente do que você quer, diferente do que ele quer. Para isso, posturas de abertura e criatividade ajudam um bocado.

Verbalizar essa abertura talvez seja um bom começo antes de qualquer conversa sobre qualquer assunto prático.

 

Quarta reflexão: tudo é urgente, mas…

“Conflitos exigem de nós tudo o que temos para oferecer.” Diz Johan Galtung, o pioneiro no campo dos estudos de paz e conflitos.

O momento no qual o bebê está chorando com a fralda cheia, é o pior momento para fazer um bom acordo sobre as trocas de fralda. É muito difícil, se não impossível, evocar a nossa melhor versão para um diálogo quando há sensação de urgência.

Para situações que se repetem, vale a pena preparar o terreno, abastecer o combustível de energia e de empatia e ter conversas destinada à construção de um acordo.

“O jeito que temos feito em relação à troca de fraldas não está funcionando para mim. Vamos pensar juntos sobre isso? Você pode conversar hoje à noite?”

 

Quinta reflexão: a vulnerabilidade como caminho

Todas as pessoas são diferentes. Apesar disso, temos algo em comum: nossa humanidade. 

Uma forma de resgatar a nossa humanidade é expressar a vulnerabilidade que existe por trás dos comportamentos e falas agressivas, das críticas e das ordens.

O que você sente? O que o seu coração mais quer?

“Eu estou preocupada com o nosso relacionamento…”

“Eu não sei o que fazer…”

“Não sei se isso vai dar certo, mas gostaria de tentar.”

“Queria que a gente conseguisse se entender.”

As habilidades de linguagem da Comunicação Não Violenta ajudam a trazer as conversas para esse lugar humano, desarmado, e que conecta as pessoas. A não deixar nos perder em meio às acusações, cobranças e críticas que fazemos.

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Sexta reflexão: a construção de pontes

Cada conflito é uma forma de surpreender positivamente ou negativamente o seu companheiro. É uma oportunidade para fortalecer ou para dissolver um pouquinho mais os laços entre vocês. 

Não espere que em uma conversa, ou em duas, os problemas se resolvam. A parceria e a confiança vão sendo construídas a cada dia, a cada conflito.

Essa ponte será a sustentação de uma cultura de diálogo na família. É observando a forma que vocês lidam com os conflitos que as crianças aprenderão a fazer isso também.

Podemos jogar os conflitos para debaixo do tapete e seguir a vida; podemos falar o que pensamos, virar as costas e bater a porta na cara das pessoas que foram injustas; ou podemos trazer as questões para o diálogo e conversar honestamente sobre elas. O que queremos que as crianças considerem “normal”?

Sim. Haverão escorregos e tropeços no meio do caminho. Em algum momento (na verdade, em vários momentos), você terá que se desculpar e dizer que está arrependida. E assim, naturalmente, todas as pessoas que estiverem vendo, também aprenderão a pedir desculpas e a expressar seu arrependimento.

Te desejo força nesse processo desafiador e gratificante que é construir pontes com as pessoas mais importantes da sua vida.

Ao dizer tudo isso, não quero te influenciar a se submeter a um relacionamento custe o que custar. É óbvio, mas importante lembrar que, mesmo que você escolha se separar, o seu ex-marido será, para sempre, o pai do seu filho. E mesmo separados, a forma que vocês tratarem um ao outro, trará impactos positivos ou negativos.

Eu acredito que cada uma de nós é responsável por determinar os limites necessários para que seja capaz de respeitar as pessoas como seres humanos, independentemente do que elas façam ou deixem de fazer.

 

*Parto do princípio ao escrever este texto, de que você não está numa relação abusiva, onde haja qualquer tipo de violência, seja ela física, psicológica, moral ou patrimonial. Precisamos nos lembrar que as situações extremas onde há ameaça à vida e aos direitos fundamentais são mais comuns do que podemos imaginar. Nesses casos, o diálogo não é suficiente para tratar essas situações e é necessária a proteção da lei e da comunidade.

*Escrevo esse texto em 2021, quando Maya está com 3 meses e Emi com 3 anos, compartilhando o teto e os objetivos com o Roberto, há 10 anos. E, diariamente, navegando nos mares dos conflitos cotidianos familiares.

Como receber uma crítica sem se ofender?

Como receber uma crítica sem se ofender?

“No momento em que qualquer um dos lados se vê criticado, diagnosticado ou intelectualmente interpretado, sua energia se volta para a tentativa de se defender e de contra-atacar, não para encontrar soluções que atendam às necessidades de todos.”

Marshall Rosenberg, em seu livro, Vivendo a Comunicação Não Violenta

 

“Há apenas uma maneira de não receber críticas: não faça nada, não diga nada, não seja nada.”

Elbert Hubbard

 

Como receber uma crítica sem se ofender?

 

1) Não responda imediatamente

De imediato, não se defenda, não se feche, não se justifique.

Mas também não se submeta, não obedeça, não saia querendo resolver o problema atendendo todos os desejos da pessoa que faz a crítica.

Regule seus instintos defensivos. Se não há riscos imediatos à vida ou à direitos fundamentais das pessoas envolvidas, faça uma pausa para ser capaz de enxergar a situação por um ponto de vista mais alto.

 

2) Converse

É possível dialogar com a pessoa que fez a crítica?

Se sim, faça perguntas que ajudem a “desembrulhar” a crítica, e encontrar a mensagem preciosa que existe dentro dela.

 

3) Empatia

Se não for possível dialogar, faça hipóteses sobre as necessidades e os pedidos da outra pessoa.

Traduza a crítica em necessidades e pedidos:

Do que essa pessoa está tentando cuidar?
O que ela está tentando proteger?
O que é importante para ela?

Qual o pedido por trás da crítica?
O que ela gostaria de ver acontecendo?

 

Busque as razões pelas quais você sentiu desconforto ao escutar aquela crítica.

O que estou tentando proteger?
Do que tenho medo?

 

4) Aprenda

Todos nós precisamos dos olhares de outras pessoas para nos ajudar a enxergar além das nossas perspectivas.

As críticas podem carregar mensagens importantes que iluminam nossos pontos cegos.

“Tudo o que você procura e percebe arranja um jeito de comprovar qualquer coisa em que você acredite.”

 

Pince as informações novas que aquela crítica te trouxe.

Que informações tenho agora, que não tinha antes?

 

5) Filtre

De tudo que escutei, o que quero guardar, e o que quero descartar?

 

6) Cuide de você

Se você está recebendo uma crítica de alguém que parece ter a intenção de te ferir, e não existe a possibilidade de um diálogo, determine os limites que cuidam de você e que te ajudam a se manter alinhada aos seus valores.

Lembre-se que, quando uma pessoa te critica, ela não fala sobre você. Ela fala sobre o que ela precisa, sobre o que ela sente e sobre as expectativas dela.

Os julgamentos dela pertencem a ela, e não a você.

 

Segue um vídeo da Djamila Ribeiro que me inspirou a lidar com as críticas de uma forma mais leve:

 

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Sugestões de presentes para dar para uma pessoa importante (custam zero reais)

Sugestões de presentes para dar para uma pessoa importante (custam zero reais)

Esses presentes que o dinheiro não pode comprar, talvez sejam os mais caros.

 

Sua escuta acolhedora

Mais do que nunca, muita gente não vai bem. 

Ou perderam pessoas queridas, ou perderam seus empregos, ou têm trabalhado mais, ou estão sobrecarregadas sem apoio, ou estão sofrendo de saudades, solidão, medo…

Escute-as. Suspenda seu desejo de salvá-las, ou de consertá-las. Aceite-as como elas estão se sentindo. Lide com o seu desconforto ao presenciar a dor.

Respire, acalme sua alma, e escute.

 

Seu interesse em saber mais da história de vida dela

Faça perguntas curiosas, que não venham do desejo de confirmar seus julgamentos, mas sim que demonstrem o seu desejo de compreender a forma que ela vê o mundo.

“Me conta, como foi quando vocês se mudaram pra cá? Como era aqui? O que foi mais difícil?”

“Como era a sua relação com o seus pais? Seus avós? Seus irmãos? Quem eram seus melhores amigos?”

“O que você ainda gostaria de realizar?”

 

Os seus olhos nos olhos dela

Nosso bem mais precioso é a nossa atenção, a nossa presença.

Uma forma de demonstrar que você valoriza a pessoa que está ao seu lado é olhando para ela.

Para isso, lide com as distrações internas (seus pensamentos) e externas (seu celular).

Dê a atenção que você daria para uma celebridade. Neste momento, ela é a pessoa mais importante do mundo.

 

Uma apreciação (ou várias)

Mais do que elogios ou agradecimentos, diga para ela de que forma ela torna sua vida melhor.  Coisas que ela faz sem perceber, mas que têm grande importância para você.

Diga sobre as características dela que você admira, que te trazem inspiração.

E mesmo que a pessoa já saiba dessas coisas “óbvias”, expressar apreciações alimenta a alma e fortalece os laços.

 

Seu afeto

Se você admira essa pessoa, diga para ela “te admiro.”

Se você a ama, diga “amo você”. 

Se você está com saudades, diga “estou com saudades.” 

Se tudo que você queria era dar um abraço, mas não pode, diga “tudo que eu queria era era te dar um abraço”.

Diga. Seja para todo mundo escutar, seja só cochichando no ouvido, seja através de uma carta, ou mesmo por mensagem. 

Estamos todos e todas precisando de afeto (desde que nascemos).

Qualquer presente desses que você ofereça para alguém não deixam de ser presentes para você mesma, para a comunidade que vocês vivem, para nossas próximas gerações…

Relações onde as pessoas cuidam umas das outras é solo fértil para as conversas com o potencial de construir um mundo mais justo para todos nós.

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Numa conversa, quem deve ESCUTAR primeiro?

Numa conversa, quem deve ESCUTAR primeiro?

Está todo mundo precisando ser escutado. Mas todo mundo querendo falar. E aí? Quem começa escutando?

A resposta é: Quem tem mais condições para isso no momento da conversa.

Se você está numa posição de privilégio em relação à outra pessoa, seja você a primeira a escutar com empatia.

Se você está descansada, e a outra pessoa não,
se você tem apoio, e a outra pessoa não tem,
se você não está sentindo dor, e a outra pessoa está,
se você não está com medo, e a outra pessoa está,
se você pode se defender, e a outra pessoa não,
se você não precisa se preocupar com a sua sobrevivência e a da sua família, e a outra pessoa precisa,
VOCÊ TEM MAIS RECURSOS PARA ESCUTAR COM EMPATIA.

É impossível escutar com empatia quando estamos em nosso estado de defesa. Quando nossas necessidades não atendidas estão transbordando.

Ainda assim, adultos têm mais condições biológicas para gerenciar suas emoções do que crianças e adolescentes.

Pessoas em posições hierárquicas mais altas podem se sentir mais seguras do que quem está nas bases da pirâmide.

Enfim, pessoas que têm direitos fundamentais e necessidades básicas atendidas têm mais condições para oferecer empatia do que quem não tem.

Se essa pessoa é você, lembre-se que o caminhar da conversa para um diálogo ou um debate é mais responsabilidade sua do que do outro.

Sim, você terá sua vez. Mas você só poderá ter a sua necessidade de escuta atendida pela outra pessoa se, antes, ela se sentir compreendida.

Construa rede de apoio. Aprenda metodologias, ferramentas, técnicas. Fortaleça seus valores. Desenvolva-se pessoalmente para cuidar de quem precisa. Minimamente cuidadas, elas terão condições para cuidar de você.

PRIVILÉGIOS CARREGAM RESPONSABILIDADES
O que você tem feito com os seus?

5 dicas para quem tem dificuldade de dizer “não”

5 dicas para quem tem dificuldade de dizer “não”

1

Não responda imediatamente

Tome um tempo para pensar e fazer escolhas conscientes. 

Se você precisar dar uma resposta imediata, peça por essa pausa:

“Gostaria de um tempo para pensar, posso te responder em x minutos?”

“Só um minuto, preciso ir ao toalete e já te digo.”

 

2

O seu “não” liberta

Mesmo quando a outra pessoa recebe sua resposta negativa com resistência, quando você é honesta e diz “não”, você libera a outra pessoa para que ela possa buscar outras formas de atender suas necessidades de formas mais efetivas e prazerosas.

É um favor que você faz tanto para você, quanto para ela.

 

3

Organize sua vida

Tenha clareza sobre suas prioridades do momento. Assim será mais fácil saber o que cabe na sua vida agora ou não. 

Deixe espaços para o inesperado, para que você não precise recusar pedidos o tempo todo.

 

4

Arrependimentos acontecerão

Depois de ter dito “sim”, você percebeu que deveria ter dito “não”?

Assim que você identificar seu engano, considere expressar seu arrependimento para a outra pessoa e se dispor para reparar algum dano que sua mudança de ideia possa causar.

 

5

Questione sua necessidade de aprovação

Geralmente, temos dificuldade de dizer “não” porque queremos ser vistas como pessoas boas, que cumprem bem seus papéis.

Aprofunde-se nas suas necessidades de aceitação, pertencimento e amor. Procure-as de formas que realmente façam sentido, principalmente, dentro de você.

 

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Como dizer não, e cuidar do relacionamento

Como dizer não, e cuidar do relacionamento

O segredo para dizer não sem ser agressiva, é dizer “não” com o mesmo cuidado e respeito que eu digo “sim” para a outra pessoa.

Partindo do desejo de cuidar de coisas importantes, e não de apenas impedir coisas que eu não quero.

 

1. Legitime as necessidades da outra pessoa

Reconhecer e valorizar as necessidades dos outros é mais importante do que sair querendo atendê-las sem considerar as suas.

A outra pessoa está te pedindo algo porque tem necessidades. O pedido pode não ser razoável, mas as necessidades são legítimas. Expresse que você as compreende.

 

2. Expresse seu interesse pelo bem comum

Deixe claro que você não está pensando apenas nos seus interesses. Expresse sua intenção de gerar benefício mútuo.

Lembre-se, você não quer vencer. Você quer melhorar a vida para todo mundo.

O que você imagina que todos gostariam de ver acontecendo?

 

3. Proteja o que é importante para você

Por trás do “não” que você diz à outra pessoa, existe um “sim” para as suas necessidades.

Do que você está tentando cuidar ao dizer não?

Perceba e valorize suas necessidades. Ao negligenciá-las você consome o seu potencial de cuidar dos outros.

 

4. Estratégia que contemple as necessidades de todos

Não queremos estratégias que atendam a necessidade de uma pessoa, em detrimento da outra.

Com criatividade e compaixão, novas estratégias que contemplem a todos podem ser propostas.

Como você pode contribuir com a outra pessoa, cuidando do que é importante para você?

 

Exemplo 1

PEDIDO: Você pode me ajudar com a mudança amanhã?

  1. Imagino que esteja sendo pesado para você fazer a mudança sozinha.
  2. Gostaria de te ajudar de alguma forma.
  3. Acontece que quero cuidar dos meus filhos neste final de semana. É o momento que temos para ficar juntos.
  4. Conheço uma pessoa de confiança que pode te ajudar, posso entrar em contato com ela. O que acha?

 

Exemplo 2

PEDIDO: Faça a apresentação do jeito que estou mandando, é melhor.

  1. Vejo que você gostaria que a apresentação fosse bem sucedida, e que você quer cuidar desse cliente.
  2. Eu também quero que o cliente sinta-se satisfeito, que saia daqui com o contrato assinado.
  3. E gostaria que o trabalho acontecesse colaborativamente. Penso que minhas sugestões também podem contribuir para a apresentação.
  4. Poderia dedicar 10 minutos para eu te explicar melhor minhas ideias?

 

Exemplo 3

PEDIDO: [Alguém gritando com você]

  1. Pelo seu tom de voz percebo que você precise dizer coisas muito importantes.
  2. Eu quero te escutar, que tenhamos uma boa conversa e que possamos nos entender.
  3. Para isso, preciso me sentir segura de que serei respeitada e escutada também.
  4. Podemos fazer uma pausa e continuar a conversa em alguns minutos?

 

*Essas dicas só valem a pena para os relacionamentos que você quer cultivar (mesmo). Em situações que consideramos não valer a pena, dificilmente iremos nos dar todo o trabalho.

Importante lembrar que dizer “não” de forma respeitosa para as pessoas envolve respeitar o “não” delas também.

E você? Também encara desafios ao dizer “não” para algumas pessoas?

 

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Dicas para quem tem o hábito de interromper a fala das pessoas

Dicas para quem tem o hábito de interromper a fala das pessoas

Eu, você, todo mundo faz, já fez ou fará isso: interromper a fala da outra pessoa numa conversa.

Geralmente fazemos isso de forma não intencional, inconsciente.

Segue algumas dicas para você que ainda se vê com esse hábito de interromper a fala das pessoas:

 

1

Se você não quer esquecer o que tem a dizer:

Anote num papel palavras-chave referentes às suas ideias e, rapidamente, volte a atenção para o que a outra pessoa está dizendo. 

Previna desconfortos perguntando a ela se está tudo bem você fazer isso.

*Quando possível, vale se dedicar à prática da atenção ao momento presente e do desapego temporário das suas ideias.

 

2

Se você não quer ver a outra pessoa sofrendo:

Acalme seu desejo de contribuir.

Compreenda que os sentimentos desconfortáveis são passageiros, e eles passam mais rápido quando estamos acompanhadas.

Confie que a outra pessoa encontrará o caminho para se sentir melhor quando ela tiver a segurança de que é aceita e acolhida incondicionalmente.

Pergunte se ela quer escutar seus pitacos antes de oferecê-los.

 

3

Se você tem receio de não ter a oportunidade de se expressar:

Escutar com atenção a outra pessoa (e demonstrar que você escutou), torna mais fácil pedir pela sua vez de fala e você ser realmente escutada e considerada.

Não adianta nada ficar interrompendo. A outra pessoa não irá escutar com abertura ao que você tem a dizer. Ela resistirá às suas ideias e ao seu comportamento, mesmo que em silêncio.

Quando necessário, faça acordos para cuidar da vez de fala de cada pessoa.

 

4

Se você está com pressa ou cansada:

Não tente disfarçar. Deixe a outra pessoa saber disso. Diga a ela quanto tempo você tem disponível. Ofereça a possibilidade de conversar em outro momento.

Se isso for frequente, vale questionar suas escolhas e cultivar um estilo de vida onde seja possível oferecer atenção para as pessoas à sua volta

 

5

Faça o que estiver ao seu alcance para tornar as relações mais horizontais.

Para transformar estruturas que não oferecem condições para o diálogo, em estruturas onde as pessoas não precisem competir para serem escutadas.

 

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Escutatória: Rubem Alves

Escutatória: Rubem Alves

ESCUTATÓRIA

Trecho da crônica “Escutatória” de Rubem Alves | Livro: O amor que acende a lua

 

“Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória. Todo mundo quer aprender a falar. Ninguém quer aprender a ouvir. Pensei em oferecer um curso de escutatória. Mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil. Diz o Alberto Caeiro que “não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. É preciso também não ter filosofia nenhuma”. Filosofia é um monte de ideias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas. Aí a gente que não é cego abre os olhos. Diante de nós, fora da cabeça, nos campos e matas, estão as árvores e as flores. Ver é colocar dentro da cabeça aquilo que existe fora. O cego não vê porque as janelas dele estão fechadas. O que está fora não consegue entrar. A gente não é cego. As árvores e as flores entram. Mas – coitadinhas delas – entram e caem num mar de ideias. São misturadas nas palavras da filosofia que mora em nós. Perdem a sua simplicidade de existir. Ficam outras coisas. Então, o que vemos não são as árvores e as flores. Para se ver é preciso que a cabeça esteja vazia.

[…]

Parafraseio o Alberto Caeiro: “Não é bastante ter ouvidos para se ouvir o que é dito. É preciso também que haja silêncio dentro da alma”. Daí a dificuldade: a gente não aguenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor, sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer. Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração e precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor. No fundo somos todos iguais às duas mulheres do ônibus. Certo estava Lichtenberg – citado por Murilo Mendes: “Há quem não ouça até que lhe cortem as orelhas”. Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil da nossa arrogância e vaidade: no fundo, somos os mais bonitos…

[…]

Para mim Deus é isto: a beleza que se ouve no silêncio. Daí a importância de saber ouvir os outros: a beleza mora lá também. Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto…”

A Casa de Hóspedes

A Casa de Hóspedes

A Casa de Hóspedes

O ser humano é uma casa de hóspedes.
​Toda manhã uma nova chegada.
​A alegria, a depressão, a falta de sentido, como visitantes inesperados.​
Receba e entretenha a todos​
Mesmo que seja uma multidão de dores​
Que violentamente varrem sua casa e tira seus móveis.​
Ainda assim trate seus hóspedes honradamente.​
Eles podem estar te limpando​
para um novo prazer.​
O pensamento escuro, a vergonha, a malícia,​
encontre-os à porta rindo.​
Agradeça a quem vem,​
porque cada um foi enviado​
como um guardião do além.

 

Jalâl ad-Dîm Rûmî (1207-1273) nasceu em Bali, atual Afeganistão, no seio de uma família de juristas e sábios.

Dedicou a vida à teologia e ao sufismo (vertente mística/espiritual da religião islâmica, um caminho trilhado através do cultivo das virtudes).

Compôs obras magníficas, testemunhos da grandeza da civilização islâmica.

Táticas não violentas da história mundial

Táticas não violentas da história mundial

Para a maioria das pessoas do planeta, a violência é a única saída para enfrentarmos as maldades e injustiças. A nossa cultura de dominação tenta nos convencer que a violência é justificável nessas situações. Até mesmo o livros de história nos dão a impressão de que a vida se desdobra apenas uma série de guerras.

Mas a história do mundo é repleta de significativas ações não violentas que acabam não chegando ao nosso conhecimento. Por isso crescemos sem referências de como reagir de forma não violenta às injustiças.

Conheça aqui alguns momentos em que a não violência entrou em cena e mudou o rumo da história.

 

Dinamarca contra a ocupação nazista na Segunda Guerra Mundial

[não cooperação] Durante a Segunda Guerra Mundial, a Dinamarca foi o único país que conseguiu salvar a maioria da população judaica ao resistir ativamente à ocupação nazista. Quando os nazistas forçaram os judeus dinamarqueses a usar a estrela amarela, os dinamarqueses não judeus começaram a usar a estrela em solidariedade aos judeus. Na véspera do dia em que os nazistas começariam a levar os judeus para os campos de extermínio, civis dinamarqueses coordenaram uma estratégia em massa para esconder os judeus e tirá-los do país em barcos de pesca.

Os dinamarqueses também fizeram greves trabalhistas, organizaram momentos simbólicos de silêncio, sabotaram seus próprios sistemas ferroviários e utilizaram outros meios não violentos para dificultar a ocupação de seu país pelos nazistas, minando a operação. Ao mesmo tempo, os dinamarqueses protegiam sua cultura local e resistiam à ocupação, entoando canções folclóricas e encenando performances solidárias ao Rei e ao governo da Dinamarca, enquanto os nazistas marchavam nas ruas.

SCHIRCH, Lisa. Construção Estratégica de Paz. 1ª Edição. São Paulo: Palas Athena, 2019 (página 37)

Filosofia do Acompanhar

Filosofia do Acompanhar

A FILOSOFIA DO ACOMPANHAR
Alan D. Wolfelt

  1. Acompanhar trata-se de estar presente para a dor de outra pessoa, não de fazer com que sua dor desapareça.
  2. Acompanhar trata-se de ir ao deserto da alma com outro ser humano, não de achar que somos responsáveis por encontrar a saída.
  3. Acompanhar trata-se de honrar a alma, não de focar no intelecto.
  4. Acompanhar trata-se de escutar com o coração, não de analisar com a cabeça.
  5. Acompanhar trata-se de ser testemunha da luta do outro, não de julgar ou lutar por ele.
  6. Acompanhar trata-se de estar ao lado, não de conduzir ou ser conduzido.
  7. Acompanhar trata-se de descobrir os dons do silêncio, não significa encher com palavras a cada momento.
  8. Acompanhar a quem sofre trata-se de permanecer e sustentar, não de querer se mover rapidamente adiante.
  9. Acompanhar trata-se de respeitar a desordem e a confusão, não de impor ordem e lógica.
  10. Acompanhar trata-se de aprender com os outros, não de ensinar.
  11. Acompanhar trata-se de ter atitudes curiosas e não de especialistas.

 

(Tradução livre de um trecho deste documento)

Referência: https://www.centerforloss.com/

Indicações de leituras sobre Comunicação Não Violenta

Indicações de leituras sobre Comunicação Não Violenta

Para começar:

Marshall Rosenberg – Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais

Thomas D’Ansembourg – Deixe de Ser Bonzinho e Seja Verdadeiro

 

Para se aprofundar:

Marshall Rosenberg – Vivendo a comunicação não violenta

Marshall Rosenberg – A linguagem da paz em um mundo de conflitos

Marshall Rosenberg – Amo Você Sendo Quem Sou

Marshall Rosenberg – O coração da transformação social

Marshall Rosenberg – Superando a dor entre nós

 

Sobre a relação com filhos e filhas:

Marshall Rosenberg – Criar Filhos Compassivamente

Elisama Santos – Educação não violenta

Lua Barros – Eu não nasci mãe

 

Sobre mediação de conflitos:

Marshall Rosenberg – Juntos Podemos Resolver Essa Briga

 

Para mudar paradigmas:

Riane Eisler – O cálice e a espada

Riane Eisler – O Poder da Parceria

Humberto Mariotti – As paixões do ego

 

Indicações em inglês

Václav Havel – The Power of the Powerless (Vintage Classics) (English Edition)

Oren Jay Sofer – Say What You Mean: A Mindful Approach to Nonviolent Communication

Miki Kashtan – Spinning Threads of Radical Aliveness: Transcending the Legacy of Separation in Our Individual Lives

Inbal Kashtan – Parenting from Your Heart: Sharing the Gifts of Compassion, Connection, and Choice

Miki Kashtan – Reweaving Our Human Fabric: Working Together to Create a Nonviolent Future

Porque e como respeitar o outro, mesmo quando somos desrespeitados

Porque e como respeitar o outro, mesmo quando somos desrespeitados

Não é fácil respeitar uma pessoa quando ela não nos respeita, não é?

Quando somos desrespeitados, parece ser óbvio que não devemos respeitar a quem nos desrespeitou.

Ao pensar em respeitar a pessoa que nos desrespeitou, parece que estamos oferecendo a ela um prêmio por ter agido de forma negativa.

Mas saiba que esse pensamento é a maior causa da perpetuação da violência na nossa sociedade.

Vou pedir pedir para que você entre na minha viagem imaginativa: Eu gostaria que martelos deixassem de existir porque as pessoas os usam para ferir as outras. Se um dia, eu recebo uma martelada na cabeça, e como resposta a isso, eu fabrico um novo martelo para devolver a agressão com a mesma ação e a mesma ferramenta, como posso esperar que marteladas e martelos deixem de existir?

Se quero que a violência, o desrespeito, a dominação, a opressão desapareçam (ou no mínimo, sejam exceção e não a regra em nossa sociedade) é preciso utilizar novas ferramentas e mecanismos para responder a eles.

Portanto, este é um bom momento para se perguntar: Qual a qualidade de respeito que você oferece para as pessoas, quando elas fazem algo “errado”? Quando elas se comportam de formas que te prejudicam?

 

O que é Respeito?

Respeito não é gostar das pessoas. Você pode não gostar.

Não é sobre fazer o que os outros querem. Você pode fazer o contrário.

Nós podemos respeitar as pessoas, e dizer “não” para seus comportamentos e escolhas. Nós podemos rejeitar as ações das pessoas, sem rejeitá-las como pessoas.

Respeitar as outras pessoas é, simplesmente, reconhecê-las como seres humanos. Reconhecer a humanidade delas por trás de seus comportamentos.

É reconhecer que, assim como nós, a outra pessoa existe, que seus sentimentos e necessidades são legítimos, e que ela tem poder.

Respeito não é algo que precisa ser dado em virtude de um bom comportamento. Todo ser humano merece a chance de ser visto e ser escutado, simplesmente, pela virtude de ser humano.

 

Oferecer respeito, mesmo quando não for espontâneo

Nós podemos não sentir nenhum respeito pelo outro num determinado momento. Mas, mesmo que não tenhamos muita escolha sobre o que sentimos, nós temos o controle sobre como agimos.

Respeito começa com com comportamentos concretos, como escutar e reconhecer o outro, o que pode (ou não) nos levar a sentimentos genuínos de respeito.

Você oferece respeito aos outros não pelo que eles são, mas sim por conta do que você é. Respeito é uma expressão de si mesmo e dos seus valores.

E quando você oferece respeito a outra pessoa, isso não reduz o seu próprio suprimento dele. Respeito, empatia e amor ao outro são recursos inesgotáveis, quando você oferece isso a si mesmo.

Respeito ao outro começa com respeito por si próprio. Respeito e cuidado com nós mesmos cria o espaço emocional e mental que nos permite enxergar verdadeiramente o outro.

Faça o que necessário para que você consiga sustentar a sua capacidade de respeitar as pessoas, independentemente de suas ações.

E se você não consegue respeitar a outra pessoa num determinado momento, espere até que você consiga para proceder.

 

Respeitar o outro traz benefícios para você

 

– Interdependência

Numa sociedade que confunde individualidade (cada ser humano é único) com individualismo (eu não preciso de ninguém), as relações de interdependência entre seres humanos é algo que poucas pessoas conseguem enxergar.

Somos interdependentes entre nós. Nem dependentes, nem independentes. Precisamos uns dos outros para termos nossas necessidades mais básicas atendidas de pertencimento, importância e conexão humana. Mesmo nossas necessidades físicas de alimento e abrigo, só podem ser atendidas através de outras pessoas.

Por isso, o meu bem-estar e o bem-estar das outras pessoas são a mesma coisa.

Eu jamais terei segurança sustentável e verdadeira enquanto os ladrões estiverem nos presídios. Eu terei segurança quando outras pessoas não precisarem mais roubar para terem suas necessidades atendidas.

Por isso não faz sentido algum cuidar de mim, sem cuidar dos outros. Cuidar dos outros é cuidar de mim. E cuidar de mim é cuidar dos outros.

 

– Benefícios imediatos para mim

Se esse conceito de interdependência estiver muito distante ou vago, pense nos benefícios que oferecer respeito ao outro pode trazer para você.

“Um motivo óbvio para oferecer respeito ao outro é porque isso funciona.” Willian Ury

Numa negociação, respeito é a concessão mais barata que você pode dar a outra pessoa. Custa muito pouco e, certamente, irá te render muito.

Oferecer respeito à outra pessoa, mesmo que vocês sejam adversários, também serve aos seus interesses. Quando você oferecer respeito a outra pessoa, não pense que você está fazendo um favor a ela. Pense que você está fazendo um favor para si mesmo, porque no final, isso te ajudará a ter às suas necessidades atendidas.

Se queremos influenciar alguém positivamente, precisamos que ela nos escute, considere nossas necessidades, e colabore conosco. 

De onde tiramos a absurda ideia de que, para fazer uma pessoa agir melhor, precisamos antes, fazê-la se sentir pior? (Inspirado em Jane Nelsen)

Lembre-se que demonstrar respeito não provém da fraqueza ou insegurança, mas sim da força e da confiança.

 

Como demonstrar respeito mesmo quando discordamos?

Independentemente de seu comportamento, trate os outros com o mesmo senso de dignidade com o qual você gostaria de ser tratado.

 

  1. Escutando

“Respeito é a chave para abrir a porta da mente e do coração da outra pessoa.” Willian Ury

Ouvir é diferente de escutar. Ouvir provém de uma capacidade biológica. Nós ouvimos os sons em geral, latidos dos cachorros, os sons dos automóveis, as vozes das pessoas.

Escutar exige uma capacidade interpretativa, envolve atenção, presença e silenciamento dos nossos próprios pensamentos.

Esperar a outra pessoa terminar de falar também não é escutar. Quando estamos planejando nossa próxima resposta, estamos escutando a nós mesmos, e não ao outro.

Quando estamos escutando, toda a nossa atenção está direcionada ao que o outro pensa, sente, precisa e deseja. E não na direção das minhas impressões sobre tudo isso.

Para demonstrar que escutou a outra pessoa, você pode dizer para ela o que você compreendeu sobre o que ela disse, e assim ela terá a oportunidade de checar se você compreendeu como ela realmente gostaria. 

Você pode dizer o que você imagina que a pessoa esteja sentindo e qual deve ser a necessidade dela.

Você também pode fazer perguntas de esclarecimento. Se você não tiver certeza sobre o que o outro deseja ou por que ele fez o que fez, não apenas tente adivinhar, pergunte.

“O que aconteceu que te fez ficar chateado?”

“Você poderia me ajudar a compreender as suas necessidades?”

Tente não interromper a fala da outra pessoa. Inclusive, faça o oposto: quando ela finalizar sua fala, surpreenda positivamente perguntando se tem mais algo que gostaria de dizer. Se tem mais algo que ela gostaria que você soubesse.

 

  1. Oferecendo o benefício da dúvida

Parta do princípio de que você não sabe todas as condições e circunstâncias que levaram a outra pessoa a fazer o que ela fez.

Mesmo que você tenha a certeza de que sabe, dê ao outro a chance de ter uma alternativa que não seja reagir de forma defensiva a uma acusação.

Por exemplo:

Exemplo 1:

“Imagino que você não tenha percebido que essas pessoas já estavam na fila antes de você. Poderia, por gentileza, ir ao final da linha que está demarcada no piso?”

Exemplo 2:

“Estou vendo suas roupas sujas pelo chão da casa. Aconteceu alguma coisa?”

 

  1. Partindo da perspectiva do outro

Partir da perspectiva do outro ajuda muito a construir a conexão que possibilita a compreensão das mensagens que queremos transmitir.

Antes de corrigir, educar, sugerir, demonstre que você imagina como deve ser estar na experiência do outro (a partir da perspectiva dele, e não da sua).

Exemplo 1:

“Meu filho, você finalmente conseguiu abrir a geladeira sozinho! Você está contente né?! Que forte está ficando! Agora que consegue fazer isso, eu gostaria que você abrisse a geladeira só para pegar o que vamos usar agora, e que feche logo depois, para preservar as comidas e elas não estraguem ok?”

Exemplo 2:

“Eu entendo o problema que aconteceu, isso realmente é extremamente desgastante e eu lamento muito que você esteja passando por isso. Eu já estive no seu lugar. Apesar disso, não posso atender o seu pedido. O que eu posso fazer é…”

 

  1. Oferecendo gestos de reconhecimento e valorização

Todos os seres humanos têm a necessidade básica de serem reconhecidos e valorizados. Oferecer isso para elas é uma demonstração de que você a considera um ser humano digno, como você.

Exemplo 1:

“Eu imagino que o seu trabalho não seja fácil, que requer muita determinação e paciência, e que ele seja importante para que mais pessoas tenham acesso a esse serviço que me ajuda tanto. Gostaria que soubesse que eu estou bem com o meu pacote de serviços atual, e que me ajudaria muito poder trabalhar sem as interrupções das ligações da operadora…”

Exemplo 2:

“Filho, por mais que eu discorde do que você fez, eu queria que você soubesse que eu sei que não foi sua intenção causar mal para ninguém.”

 

Partindo de um lugar de respeito, o diálogo se torna possível, bem como a busca por soluções que cuidem de você ao mesmo tempo que cuida do relacionamento.

Você gostaria de ser respeitado incondicionalmente? Mesmo quando erra, quando perde a cabeça, quando está com raiva ou com medo? Ofereça essa oportunidade para as outras pessoas também.

Quer começar a praticar Comunicação Não Violenta? Comece por aqui!

Quer começar a praticar Comunicação Não Violenta? Comece por aqui!

Que legal sua presença aqui! Fico feliz que a Comunicação Não Violenta esteja fazendo sentido para cada vez mais e mais pessoas.

Mas antes, preciso te deixar saber que esses passos são direcionados:

  • Para quem sabe que não pode mudar as outras pessoas, mas que as mudanças no seu próprio comportamento geram transformações nas reações delas;
  • Para quem não quer perpetuar violência através das suas ações;
  • Para quem tem como objetivo criar relações de confiança, e não manipular as pessoas para obter o que quer.

 

Nós não começamos a praticar Comunicação Não Violenta nas conversas que temos com as outras pessoas. Mas sim nas conversas que temos com nós mesmos.

Afinal, a linguagem que usamos em pensamento influencia na qual utilizaremos para nos comunicar com os outros.

Essa dinâmica da CNV na qual obtemos clareza e compreendemos o que se passa dentro de nós, chama-se Autoconexão. E ela é a raiz para uma boa escuta e para uma boa expressão. Por isso começaremos por ela.

O que ajuda a realizar mudanças sustentáveis relacionadas aos nossos hábitos de comunicação é fazer mudanças pequenas e incrementais que possam se sustentar com o tempo, ao invés de almejar mudanças bruscas, dolorosas e revolucionárias.

Por isso, em vez de consumir este conteúdo numa única sentada, sugiro que você dedique a energia de um dia todo para cada reflexão.

A proposta é que sejam 7 dias de reflexões e práticas para começar a praticar a Comunicação Não Violenta nas conversas que você tem consigo mesmo.

 

Dia 1:

Crie um espaço entre seus pensamentos e suas ações, onde haja a opção de fazer escolhas. De agir em vez de reagir.

Pare de agir impulsivamente e comece a agir conscientemente.

Essas vídeo aulas podem ajudar:

Comece a praticar a presença de estar no aqui e agora. Peça licença para as distrações internas (preocupações com o futuro e lamentações do passado) e externas (tecnologias, informações) para que você esteja consciente do que faz e pensa.

Tenha estratégias de fácil alcance para te prevenir de agir impulsivamente na hora do aperto. Porque não é sobre “se” esse momento vai acontecer, é sobre “quando” ele acontecerá.

Segue uma sugestão para deixar baixado no seu celular: Técnica STOP para gerenciamento emocional.

 

Dia 2:

Por trás dos nossos sentimentos de revolta, de raiva, de inconformação, por trás das acusações, das críticas e dos julgamentos que fazemos às pessoas, temos sentimentos vivos.

Na verdade, o tempo todo temos sentimentos. Só deixamos de ter sentimentos quando morremos. Quando achamos que não estamos sentindo nada, na verdade só não estamos percebendo o que estamos sentindo.

Acesse aqui uma lista sugestiva de palavras que expressem sentimentos.

Comece a dar nome para o que você sente. Afinal, só sabemos lidar com aquilo que conhecemos.

 

Insira no seu dia a dia, a prática do Check in:

Faça pausas entre uma tarefa e outra ao longo do dia. Entre tomar o café e voltar a trabalhar, entre finalizar os estudos e ir fazer o lanche, entre finalizar a refeição e arrumar a cozinha…

  1. Decida pausar;
  2. Faça 3 respirações profundas. Sinta o ar oxigenando todas as células do seu corpo;
  3. Faça uma checagem de como está o seu corpo 
  4. Procure uma palavra que expresse como você está se sentindo agora;
  5. Siga para a próxima atividade.

Tenha a lista de sentimentos acessível para te ajudar a encontrar palavras que expressem sentimentos.

Executar a prática é muito simples. O mais difícil é se lembrar de fazer.

Se você vive com o celular ao lado de você, troque as espiadas nas redes/mensagens no celular por um check in.

 

Dia 3:

Os sentimentos são mensageiros. Eles vêm para nós avisar que nossas necessidades estão sendo atendidas ou não.

A lista sugestiva de palavras que expressam necessidades humanas universais está na segunda página, logo após a lista de sentimentos que você baixou há pouco (ou clique aqui para baixar).

Quando temos sentimentos confortáveis, eles dizem que temos necessidades atendidas.

Quando temos sentimentos desconfortáveis, eles dizem que temos necessidades atendidas.

Por exemplo:

Eu me sinto cansada quando preciso de “descanso. Me sinto com medo quando não tenho “segurança”. Eu fico triste quando tenho a necessidade de “afeto” não atendida.

Me sinto maravilhada quando tenho “colaboração”. Me sinto segura quando tenho minha necessidade de “apoio” atendida.

Comece a dar nomes para as suas necessidades.

Como você se sente agora? Qual necessidade atendida ou não atendida esse sentimento vem para te avisar?

Use as palavras da lista para te ajudar a criar esse vocabulário de necessidades.

Na sua prática de pausa e check in, além dos seus sentimentos, identifique quais as necessidades atendidas ou não.

 

Dia 4:

Toda violência é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida.

Na tentativa de atender necessidades, muitas vezes escolhemos estratégias que, quando paramos para pensar, não fazem sentido algum, pois nos distanciam de termos as nossas necessidades atendidas.

Por exemplo, quando eu grito com alguém, estou tentando atender a minha necessidade de ser escutada, ser considerada. Mas na realidade, o que acontece, é o contrário. Quanto mais eu grito, menos as pessoas me escutam e me consideram.

Além de me distanciar de ter as minhas necessidades atendidas, quando não estou consciente delas, eu acabo causando danos para mim e para as outras pessoas.

Olhe com compaixão para as violências invisíveis que você pratica.

Identifique quais necessidades você tentava atender. Do que você estava tentando cuidar, quando fez ou disse algo que saiu de forma agressiva.

Dia 5:

Na CNV, partimos do princípio que tudo o que fazemos, fazemos para atender nossas necessidades humanas universais. São os motivadores mais centrais de todos os seres humanos.

Consciente ou inconscientemente, todos nós fazemos escolhas que tentam cuidar de coisas importantes para nós.

Você está lendo este material para atender, provavelmente, as suas necessidades de aprendizado, de conhecimento, de clareza.

Você toma banho para atender suas necessidades, pode ser de saúde e de bem estar.

Se você trabalha, você trabalha para atender suas necessidades. Pode ser de sustento, de segurança, de valorização, reconhecimento.

Se uma pessoa entrega sua bolsa para um ladrão armado, ela o faz para atender a sua necessidade de proteção, de sobrevivência.

Se uma pessoa deixa de fazer o que gosta para obedecer às ordens dos seus pais, pode ser que ela esteja atendendo suas necessidades de ser aceito, de pertencimento, de amor.

Na prática da Comunicação Não Violenta queremos sair do jogo da culpa, e começar a nos comunicar a partir do que está vivo em nós.

Faça o exercício de autorresponsabilidade.

Vamos começar a desafiadora jornada de nos responsabilizar pelas nossas ações.

 

Dia 6:

Nessa transformação da linguagem da culpa na linguagem das vida, a CNV nos convida a fazer a distinção entre o ESTÍMULO para os nossos sentimentos, e a CAUSA deles.

O estímulo consiste em tudo que acontece. Os fatores externos a nós. A causa consiste nas minhas necessidades atendidas ou não.

Por exemplo: Quando meu sócio não compareceu à reunião (estímulo), me senti irritado, pois a minha necessidade de apoio atendida (causa).

Um mesmo estímulo pode despertar sentimentos diferentes para mim, em momentos diferentes.

Por exemplo: Quando meu sócio não compareceu à reunião (estímulo), me senti aliviado, pois eu não tinha terminado o relatório que havíamos combinado de discutir. Tive minha necessidade de tranquilidade atendida (causa).

E um mesmo estímulo pode despertar sentimentos diferentes em pessoas submetidas à mesma experiência.

Por exemplo: Quando nosso sócio não compareceu à reunião (estímulo), eu me senti muito irritado porque a minha necessidade de apoio não foi atendida. Mas meu outro sócio se sentiu motivado porque, assim, ele teve a oportunidade de mostrar suas habilidades para o cliente. Ele pôde atender a sua necessidade de contribuição plenamente.

Pense em situações que você se diz que seus sentimentos são causados por outras pessoas. Escreva essas situações:

  1. Me sinto cansado porque meus filhos não me ajudam.
    2. Fiquei angustiada porque meu fornecedor não me entregou a matéria prima.
    3. Fico preocupada com o meio ambiente porque as pessoas não se conscientizam.
    4. Me sinto grata porque o meu marido é muito carinhoso.

Agora, para cada sentimento, separe Estímulo (o que acontece) da Causa (necessidades):

  1. Sentimento: Cansado / Estímulo: Meus filhos não me ajudam / Causa: Necessidade de apoio não atendida.
  2. Sentimento: Angustiada / Estímulo: Meu fornecedor não me entregou a matéria prima / Causa: Necessidade de previsibilidade não atendida.
  3. Sentimento: Preocupada / Estímulo: As pessoas não se conscientizam / Causa: Necessidade de colaboração, comunidade e apoio não atendidas.
  4. Sentimento: Grata / Estímulo: Meu marido é muito carinhoso / Causa: Necessidade de afeto e amor atendidas.

 

Dia 7:

Na linguagem da culpa misturamos os fatos com o que pensamos sobre os fatos. Com isso, ficamos presos em nossos julgamentos e na nossa visão distorcida sobre as pessoas e sobre o mundo.

Por isso, outra distinção importante da CNV é entre nossos julgamentos e as observações (fatos observáveis por qualquer observador).

Separe o que aconteceu, das suas opiniões sobre isso.

Por exemplo, se eu penso: “Meus tios são muito insensíveis, eles não cuidam da minha avó.” Este é um julgamento. Não há nada de errado em fazer julgamentos. Todos nós fazemos isso. O que queremos, é transcendê-los. E começamos separando-os dos fatos observáveis.

Para responder isso, pergunte-se: O que você viu ou escutou, que te despertaram esse pensamento?

A observação que você encontraria poderia ser: “Eu escutei minha tia dizer: ‘eu não tenho tempo de ficar cuidando dela’.”. Ou “Eu vejo minha avó sozinha em casa no dia do aniversário dela.”

Quando você se perceber fazendo julgamentos ou emitindo opiniões, dê um passo para trás e procure ter claro: quais os fatos observáveis de onde partiram suas opiniões, avaliações e julgamentos.

Descreva como se você estivesse fazendo um relato para a construção de um boletim de ocorrência.