Um convite para combater o racismo, em vez de combater os racistas

“Racismo é uma doença cultural traiçoeira. É tão traiçoeira que ela não se importa se você é uma pessoa branca que gosta de pessoa negra, ela ainda vai achar uma forma de infectar você. Sim, racismo parece ódio, mas ódio é só uma de suas manifestações. Privilégio a outra. Acesso é outra. Ignorância é outra. Apatia é outra. E assim por diante. Então, ainda que eu concorde com pessoas que dizem que ninguém nasce racista, ele continua sendo um sistema poderoso no qual somos imediatamente inseridos. É como nascer no oxigênio: você o internaliza assim que você respira. Não é um resfriado que você consegue superar. Não existe uma aula que te dê um certificado de anti-racista. É uma série de armadilhas socioeconômicas e valores culturais que são agitados toda vez que interagimos com o mundo. É algo que você tem que continuar tirando do barco da sua vida para que você não se afogue.”

Scott Woods

 

“Meu desenvolvimento psicossocial aconteceu nas águas da supremacia branca. É isso que chamo de sistema. Eu não estou falando do KKK. Eu falo do sistema no qual a cultura branca e as pessoas brancas são o centro, e elas são vistas como inerentemente superiores em relação às pessoas negras. Minha personalidade foi formada nessa água. Minha visão de mundo foi formada nessa água. Eu não escolhi isso, não é minha culpa. Mas sou responsável por mudar isso porque o padrão da nossa sociedade é a reprodução do racismo. Ele está em todo o sistema e em toda instituição. E se apenas vivermos nossas vidas da forma mais confortável, nós iremos reproduzi-lo. Não há espaço neutro. Não ação é uma forma de ação.”

Dr. Robin DiAngelo

E como eu, pessoa que não é preta, posso combater o racismo para além das correntes das redes sociais?

  • Me educando: E isso não é buscar opiniões com as quais eu concordo. É aprender o que não sei sobre história, sobre a vida das pessoas, sobre políticas públicas… É possível fazer isso com a ajuda do instagram. Segue alguns perfis que podem ajudar: @levikaief @giovborges @ajmoreirabh @djamilaribeiro @pretitudes @escurecendofatos
  • Criando crianças conscientes: Crianças que tenham relacionamentos com pessoas pretas, que não de subalternidade; que conheçam a história da escravidão; que saibam dos seus privilégios; que leiam livros, vejam filmes e brinquem com brinquedos com personagens pretas; contribuindo na construção de uma escola representativa. @criandocriancaspretas
  • Sabendo que o lugar de fala/protagonismo não é meu. Mas que a luta também é minha.
  • Me abrindo e me esforçando para enxergar meus privilégios, sobre os quais sempre haverão pontos cegos.
  • Criando estratégias construtivas para usar quando estiver diante de falas e comportamentos racistas.
  • Incentivando pessoas, ações e políticas públicas que reduzam a desigualdade social.
  • Compreendendo e tendo empatia por pessoas que escolhem estratégias com as quais discordo no movimento antirracismo.
  • Me permitindo ser influenciada por pessoas pretas (autores, artistas, produtores de conteúdo, intelectuais).
  • Incentivando diálogo com amigos, família, com todas as pessoas que estiverem abertas.
Materiais de apoio para conversar sobre Emoções com as crianças

Materiais de apoio para conversar sobre Emoções com as crianças

A maioria das pessoas da nossa geração para as anteriores foi criada e educada com base nas punições, tenham sido elas físicas ou emocionais.

Estamos buscando oferecer uma educação para nossas crianças bem diferente daquela que sabemos como fazer.

Na história das nossas vidas podemos ter lembranças fortes de pessoas que nos disciplinavam e nos ensinavam. Mas raramente temos referências de pessoas que realmente nos escutavam e nos compreendiam.

Por isso é bem vindo todo apoio possível que nos ajude a trilhar este caminho novo e desconhecido que é criar crianças através da empatia, da compaixão e da conexão humana.

 

Por que conversar sobre emoções com as crianças?

Porque é conversando sobre as emoções que as crianças aprenderão a lidar com elas. Elas só vão saber lidar com o que elas conhecem. E não há forma melhor de conhecer mais sobre as emoções do que através de boas conversas com as pessoas que elas mais confiam, que são seus cuidadores principais.

Precisamos conversar sobre emoções porque comportamentos agressivos contra si ou contra os outros são expressões de sentimentos e necessidades não escutados.

E é provado cientificamente que suprimir ou ignorar as emoções causa a exacerbação delas. Assista esta palestra TED que fala sobre isso.

Se quiser, veja neste documentário os tristes efeitos de uma cultura que reprime a expressão das emoções.

 

Adulto preparado

Para ser possível conversar sobre emoções com as crianças, é preciso:

  1. Compreender que a parte do cérebro responsável pela regulação das emoções e do corpo (córtex pré frontal) NÃO está completamente formada até os vinte e poucos anos.
  2. Partir do princípio que emoções não são boas nem ruins. São reações naturais de todos os seres humanos.
  3. Compreender que as emoções são passageiras. Não é porque você está conversando sobre a tristeza que você está incentivando a criança a ser triste. Emoções não escutadas é que permanecem e podem se transformar em traumas.
  4. Compreender que as emoções desconfortáveis passam mais rápido e mais efetivamente quando as percebemos e as acolhemos.
  5. Compreender que os exemplos consistentes valem mais do que mil palavras. Não adianta ensinar e conversar se você mesmo(a) não lida com suas próprias emoções. Se você age de forma violenta quando vem raiva, é isso que você estará ensinando seu filho fazer. 

Agora segue algumas sugestões de materiais de apoio para estimular as conversas com as crianças sobre emoções:

 

LIVROS

Os livros são ferramentas didáticas para pais e docentes.

São muito úteis em casa, pois reforçam o vínculo entre a criança e seus pais no ato da leitura. Além disso, os livros nos “lembram” de coisas que geralmente nós mesmos já sabemos, mas acabamos nos esquecendo na rotina do dia a dia.

Os livros também servem de apoio para os docentes nas escolas. Eles podem promover a troca de ideias em sala de aula e inspirar atividades em grupo.

 

Coleção Lidando com as emoções – James Missie

Minha filha ama esses livros. Antes dos 2 anos ela já se interessava, associava as emoções às reações corporais e se divertia bastante quando a gente lia. Clique para saber mais: Coleção Sentimentos e Emoções – James Missie

 

Ciranda do ser – Cristina Lobato

Este livro é um recurso para aproximar as pessoas da Comunicação Não Violenta de forma mais lúdica.

Em sua produção, detalhes importantes foram cuidadosamente pensados. O papel reciclável é uma lembrança dos ciclos da Terra e da nossa corresponsabilidade pelo ambiente. Os personagens representam diferentes etnias, inclui pessoas com deficiência e traz o protagonismo tanto do feminino quanto do masculino.

As crianças adoram as páginas que são para colorir. Além disso, o livro pode ser utilizado no processo de aprendizagem da língua inglesa (o livro é bilíngue).

Para adquirir, entre em contato com a autora: cirandadoserCNV@gmail.com ou @cirandadoser.

 

Emocionário

É um livro em forma de dicionário que traz uma descrição e uma arte referente a 42 emoções. Ele é destinado para crianças a partir de 6 anos, apesar de ser perfeitamente adaptável para ser utilizado antes dessa idade. Clique para saber mais: Emocionário: Diga o que você sente

 

MÚSICAS

Não é de hoje que a música vem sendo apontada como uma das áreas de conhecimento que mais impulsionam o desenvolvimento infantil.

A linguagem musical promove a integração entre o corpo e a mente, a sensibilidade e a razão, a técnica e a criatividade.

Como cantar facilita a memorização, a música é uma ótima estratégia para introduzir e fixar aprendizados, de maneira leve, lúdica e espontânea.

 

Emoções (Show no Paiol) – Hélio Ziskind e a Turma do Cocoricó

 

Mundo Bita – Sinto o que Sinto

 

Mundo Bita – Que saudade que eu tô

 

Mundo Bita – Todo mundo chora

 

BRINQUEDOS

 

Faça você mesma(o): Expressões faciais

As expressões faciais dizem muito sobre nossas emoções. Brincando com as expressões, a criança não só aprende a se conscientizar das suas próprias emoções, mas trabalha também a empatia, o imaginar como o outro se sente. O passo a passo de como fazer (em inglês, mas com imagens explicativas) você encontra clicando aqui.

 

Faça você mesma(o): Bonecos de bexiga e farinha

Além de uma atividade legal para fazer junto com a criança, os bonecos de bexiga podem ser formas de ajudar a criança se expressar. Ela pode ter a chance de dizer “Agora eu tô me sentindo assim ó, igual este boneco aqui, muito bravo”.

 

Espero que você tenha se inspirado para ter boas conversas sobre emoções com as crianças!

Como pedir, e não exigir?

Como pedir, e não exigir?

Ter a coragem de pedir

A nossa cultura não nos incentiva a pedir coisas para os outros. Fomos ensinados a sermos independentes, capazes de atender nossas próprias necessidades sozinhos. E que “ficar pedindo” as coisas para os outros é chato, inconveniente.

Sim, todos nós precisamos de liberdade e autonomia. E sim, somos todos capazes de atender várias necessidades nossas por conta própria.

Mas isso não se sobrepõe ao fato de que somos seres humanos interdependentes. Estamos todos interligados. Não é possível vivermos isolados ou sozinhos. E muitas de nossas necessidades precisam das outras pessoas para serem atendidas.

Pedir não nos coloca numa situação de inferioridade. Muito pelo contrário. Pedir algo a outra pessoa oferece a ela a possibilidade de fazer algo que todo ser humano gosta de fazer: contribuir de coração para tornar vidas mais maravilhosas.

“Você recebe da vida aquilo que você tem coragem de pedir.”

Oprah Winfrey

 

Existe um pedido em tudo que dizemos

Nem sempre percebemos, mas toda vez que dizemos algo a outra pessoa, estamos pedindo alguma coisa.

Quando escrevo esta frase “em tudo que dizemos existe um pedido”, estou te pedindo: “Por favor, deixe-me contribuir com você. Por favor, leia e considere isso que eu escrevi. Por favor, reflita sobre como isso se relaciona com a sua vida.”.

Veja só quantos pedidos estão implícitos numa pequena frase!

Quando eu digo “Olá, que saudades!”, eu estou pedindo “Por favor, me dê reciprocidade. Por favor, veja que eu gosto muito de você.”.

Quando eu ligo para um amigo para dizer “Feliz aniversário”, eu estou pedindo “Por favor, escute-me dizer que eu pensei em você hoje e quero o seu bem.”.

 

Pedidos em forma de acusação

​Dizemos “Você não sabe me escutar!” quando, na verdade, estamos pedindo “Por favor, escute em silêncio o que estou tentando dizer e mostre para mim que você entendeu.”

Dizemos “Você é um preguiçoso!” quando, na verdade, estamos pedindo “Por favor, preciso de apoio e você poderia me apoiar colocando as suas roupas no cesto.”

Dizemos “Você não se importa” quando, na verdade, estamos pedindo “Por favor, preciso de reciprocidade. Me diga como você se sente em relação ao que eu disse.”

É muito mais fácil apontar o dedo e acusar do que entrar em contato com o que sinto, com a minha real necessidade e escolher a forma que quero que minha necessidade seja atendida. Acusar é tentar fazer o caminho mais curto, pular a trabalhosa jornada de conversar comigo mesma para obter o que quero.

Para transformar suas críticas e acusações em pedidos, tenha claro:

  1. Qual a sua real necessidade? O que é realmente importante para você?
  2. Qual ação específica que você, o outro ou um terceiro poderia realizar que atendesse a sua necessidade?

 

Como fazer pedidos assertivos?

Clareza. É disso que precisamos para fazer pedidos assertivos.

Não conte com a habilidade das pessoas lerem seus pensamentos ou de perceberem suas indiretas.

Para ajudar as pessoas a compreenderem como elas poderiam contribuir com as minhas necessidades, eu preciso fazer pedidos claros, conscientes e assertivos.

Mas antes disso, eu preciso esclarecer dentro de mim, como eu gostaria que minhas necessidades fossem atendidas.

A Comunicação Não Violenta oferece alguns critérios para nos guiar neste processo de obter clareza sobre o que realmente queremos: pensamos em pedidos positivos, concretos e realizáveis no momento presente.

 

1. Pense em pedidos positivos

É muito comum sabermos muito bem o que NÃO queremos, em vez do que realmente queremos.

Isso acontece principalmente quando não temos clareza de qual a nossa real necessidade humana. Investigue bem as suas necessidades para descobrir quais ações representariam formas de atendê-las.

O que será que eu quero, quando digo para o meu filho

“Não quero que você fique tanto tempo assistindo televisão”.

Se a minha necessidade for de cuidar do desenvolvimento e saúde dele (cuidado), pode ser que eu queira que ele vá brincar com os vizinhos, ou faça sua lição de casa.

Se a minha necessidade for de apoio, pode ser que eu queira que ele guarde as louças lavadas.

Quando uma pessoa diz sobre sua companheira

“Quero que ela pare de trabalhar tanto assim”,

qual necessidade não atendida?

Será que é de companhia? Então, pode ser que o pedido seja passear ou assistir um filme juntos.

Mas se a necessidade for de apoio, então pode ser que o pedido seja algo como “Você poderia buscar nosso filho na escola?”.

 

2. Pense em pedidos concretos

​Pense em ações concretas, bem definidas em termos de tempo e espaço. Evite palavras vagas para prevenir mal entendidos.

Por exemplo, neste pedido: “Gostaria que você fosse honesto comigo.”

“Ser honesto” é um pedido vago pois ele pode ser manifestado através de diversas ações, em diferentes momentos.

Um pedido concreto poderia ser:

“Quero que você me diga como se sente a respeito do que eu fiz e o que gostaria que eu tivesse feito de modo diferente.”

 

3. Pense em pedidos realizáveis no momento presente

Na busca por nos livrar dos desconfortos, temos uma forte inclinação em resolver todos os problemas do relacionamento em um único pedido, em uma única conversa.

A pressa em solucionar o problema definitivamente, muitas vezes, mais nos distancia do que nos aproxima de uma solução sustentável e de benefício mútuo.

Por isso pense em pedidos que vão te colocar a um passo a frente na direção de ter suas necessidades atendidas, e não em estratégias distantes. 

Por exemplo:

Quando peço para meu companheiro “Gostaria que você fosse buscar nosso filho na escola todos os dias.”, estou pedindo algo que ele não pode realizar neste momento.

Já quando peço “Você poderia me dizer como é para você buscar nosso filho na escola todos os dias?”, estou pedindo que ele diga, naquele momento, como ele imagina que será ficar com essa responsabilidade.

Também posso me focar mais ainda no processo do que na solução se eu pedir: “Você pode me dizer se tudo bem você ficar encarregado de buscar nosso filho na escola todos os dias nessa semana, ver como será a experiência e então conversamos sobre como foi?”

 

Qual a diferença entre um pedido e uma exigência?

Dos pedidos que mencionei como exemplos até aqui, para todos eles, a outra pessoa ainda poderia responder “Não, não quero isso”. Mesmo sendo um pedido que não traz acusação alguma.

E, então, nossa inclinação é pensar “Então não deu certo fazer um pedido dentro dos critérios da Comunicação Não Violenta. Isso não funciona.”.

Mas é exatamente neste ponto que descobrimos se o seu pedido era realmente um pedido ou uma exigência.

Quando uma pessoa diz “não” a um pedido meu, este não precisa ser o fim da conversa. Pode ser um bom começo, na verdade.

Você não precisa desistir na primeira resposta negativa que receber. Nem insistir em ter suas necessidades atendidas por meio da estratégia que você sugeriu.

Mas pode persistir na busca de estabelecer conexão humana. Como? Escutando, considerando e empatizando com as necessidades do outro. Persistindo na tentativa de compreender, e de buscar soluções boas para todos.

 

Quando estou exigindo

Quando uma pessoa diz “não” e minha reação for algo parecido com esses exemplos (mesmo que em pensamento) é muito provável que eu esteja exigindo:

Julgar: “Se você não fizer isso, então você é muito burro mesmo e merece se dar mal.”

Punir: “Se você não fizer isso, você vai ser demitido porque não sabe obedecer ordens superiores.” ou “Se você não fizer o que estou pedindo, não vou mais brincar com você.”.

Na verdade, nesses casos eu não queria fortalecer relacionamentos e estabelecer conexão humana (que são as intenções base da Comunicação Não Violenta). Eu apenas queria que o outro fizesse o que eu quero, mesmo que seja, na minha opinião, para benefício dele.

 

Quando estou pedindo

Mas se, diante de um “Não” a um pedido meu, eu tiver reações parecidas com estas, então estarei realmente fazendo um pedido:

Tentar compreender as necessidades do outro: “Se ele não quer atender ao meu pedido, é porque a minha estratégia não atende alguma necessidade dele. O que será que é importante para ele que a minha proposta não contempla?”.

Investigar o que é importante para o outro e buscar estratégias que contemplem a todos: “Quando você me diz ‘não’ do que você está tentando cuidar? Poderia me dizer para que eu possa pensar em outras formas para que fique bom para nós dois?”.

Pedir sugestões de outras estratégias: “Me parece que a minha proposta não é boa para você. Você teria alguma outra sugestão? Gostaria muito de saber e considerar.”.

Colocar limites que cuidem de necessidades: “Vejo que o meu pedido não te contempla, e sua proposta não atende às minhas necessidades. Escolho sair da parceria para que nós dois possamos cuidar do que é importante para nós de outras formas.”.

Usar a autoridade no sentido protetivo: “Entendo que você queira muito brincar com a faca e por isso não queira me devolver. Mas para cuidar de você, vou tomar da sua mão e juntos procuramos outra brincadeira divertida e segura.”

Ou mesmo:

“Compreendo que você tenha um ritmo diferente e que começar o expediente às 11 horas cuida da sua saúde e produtividade. Mas é importante para mim ser justo com seus colegas de trabalho que começam às 8h, além de garantir que a empresa esteja atendendo os clientes a partir deste horário. Por isso decidimos te demitir e espero que você encontre um outro trabalho que atenda essa sua necessidade.”

 

O “não” do outro é um presente

Você já pediu para alguém, ela disse que “sim”, mas acabou não fazendo o que se comprometeu?

Você ficou esperando ter a sua necessidade atendida através daquela pessoa, e nada. E ainda depois de esperar, percebe que poderia ter tido isso com outras pessoas.

Não seria muito melhor para você se aquela pessoa tivesse te dito “não, vou fazer isso que você está me pedindo. não consigo/não sei/não dou conta/não quero fazer isso?”.

O “não” dela te libertaria para seguir caminhando.

Este é um primeiro motivo para ver o “não” do outro como um presente para você.

Além disso, o “não” do outro previne os desgastes causados na relação de quando as pessoas fazem as coisas por medo, culpa ou vergonha.

A energia cultivada pela obrigação, aos poucos e de forma despercebida, traz redução da confiança, da admiração e do respeito mútuo, o que torna o relacionamento insustentável.

Por isso, prefira um “não” verdadeiro em vez de um “sim” acompanhado pelo medo, culpa ou vergonha. 

Incentive as pessoas a te dizerem “não” em vez de fazerem de má vontade. Deixe-as seguras de que elas não serão julgadas nem punidas caso elas te presenteiem com a honestidade delas. De que você quer ter a oportunidade de mostrar que se importa com as suas necessidades e às dela de forma igual.

 

Primeiro peça por conexão, depois por ação

Imagine que você está em casa, seu companheiro(a) chega do trabalho e vê a pia cheia de louça suja, quando era o seu dia de lavá-las. E logo começa a te dizer:

“Quando é o seu dia de lavar a louça e eu vejo a pia com louça suja, me sinto muito nervoso, porque é importante para mim organização da casa e parceria nos cuidados com ela.” 

Como você se sentiria? Quais são as chances de você, com disposição e boa vontade, ir lá atender as necessidades dele e lavar a louça?

Imagino que as chances sejam baixas, não é? 

Mesmo tendo escutado um pedido sem acusações ou críticas, não foi estabelecida nenhuma conexão. 

Você, que não lavou a louça, está ciente do acordo entre vocês e houve algum motivo para que a louça não tenha sido lavada. Imagino que teria sido muito melhor se a outra pessoa ter se conectado a você, antes de ter se conectado à louça.

Sim, a louça precisa ser cuidada de alguma forma, mas essa é a solução final do problema.

Apesar de todo mundo querer ter seus problemas resolvidos, acredito que, nem você nem seu companheiro(a) querem um relacionamento onde a louça está sempre lavada, mas não há diálogo, compreensão e conexão.

Vocês precisam estar do mesmo lado. Vocês contra o problema, e não um contra o outro.

Se essa conexão ainda não existe, faça pedidos de conexão para a outra pessoa.

Cultive conexão antes de pedir o que você quer, para que o outro tenha a oportunidade de contribuir com você compassivamente.

Convide a outra pessoa para o diálogo

Toda vez que começamos um diálogo com alguém que não concordou com isso, estamos impondo. ​

Por isso, antes de mais nada, saiba que não adianta forçar uma conversa se não estamos confiantes que a outra pessoa quer conversar naquele momento. Em vez de começar diretamente uma conversa com o conteúdo que queremos trazer, podemos expressar nosso desejo pelo diálogo, e perguntar se a outra pessoa está disponível para isso.

Exemplo: Estou aqui bastante incomodado em relação ao nosso acordo sobre a louça. Quero muito conversar com você sobre isso, encontrar alguma solução boa para nós dois. Você está disposto a ter essa conversa agora?​

Queira saber como a pessoa se sente com o que você disse

Se não nos importamos com o impacto gerado no outro a partir do que dissemos, estamos atendendo nossa necessidade de expressão, e não de conexão. Você quer só desabafar seus descontentamentos ou se conectar com a pessoa que está na sua frente?

Se você realmente quiser conexão, depois de expressar tudo que está vivo em você busque saber e se importar com os impactos do que você disse. Isso pode vir da sua necessidade de cuidar do outro e também da necessidade de saber como prosseguir a conversa  (clareza).

Exemplos:

Eu adoraria saber como você se sente sobre o que estou dizendo. Como é pra você escutar isso?

Como isso que eu disse chega pra você?

Estou me sentindo bastante vulnerável sobre o que compartilhei. Gostaria de clareza e honestidade entre nós. Você poderia me dizer o que está acontecendo dentro de você?

​Muitas pessoas não fazem perguntas como essas porque têm medo do que vão escutar. Por isso é tão importante aprimorar nossas habilidades de escutar coisas difíceis se queremos conexão humana.

 

Como me tornar cada vez mais capaz de fazer pedidos

Para que eu seja cada vez mais capaz de fazer pedidos em vez de exigências, além de toda clareza em relação às minhas necessidades e pedidos, preciso também estar conectada:

  • à abundância de estratégias que existem para atender necessidades;
  • à abertura para a possibilidade de ter minhas necessidades atendidas de formas novas, diferentes, ainda desconhecidas;

Muito de nós crescemos pensando que fazer uma faculdade é a única estratégia para termos uma vida segura e estável. Que acumular dinheiro é o único meio para termos sustento e previsibilidade. Que não existe outra forma para encontrar sentido na vida e amparo além de seguir uma religião.

A questão aqui não sobre essas estratégias serem “boas” ou “ruins”. Mas sobre elas não serem as únicas formas que existem para atender essas necessidades. E sobre quanta violência já foi causada por pessoas que não percebiam isso.

Quando acreditamos que não existem outros caminhos, que não temos outra saída, a opressão e a submissão são as únicas opções que temos para escolher.

Esteja aberto às diferentes estratégias que existem e ainda vão surgir para atender diferentes necessidades. Questione-se quando você se perceber acreditando que não existem outras saídas além da que você gostaria que acontecesse. Pesquise. Converse com pessoas diferentes sobre as formas que elas escolhem para atender suas necessidades, ampliando o seu repertório de estratégias. 

Se não podemos mudar uma situação, podemos escolher entre nos adaptar ou nos retirar. Se podemos mudar a situação, podemos fazer isso através da força ou através da colaboração, com criatividade, inovação e persistência.

O que fazer para não ser mais agressivo: Escolhas responsáveis

O que fazer para não ser mais agressivo: Escolhas responsáveis

Você gostaria de conseguir reagir de forma diferente quando está diante de um conflito? De forma mais consciente e menos impulsiva?

Mas é um desafio tão grande, que parece ser maior do que você? E aí você não consegue, acaba sendo violento com as pessoas sem querer, se sentindo mal e achando que isso é um problema da sua personalidade?

Saiba que esse não é um defeito seu. Isso realmente é resultado de algo muito maior que nós. Da nossa educação, das nossas referências, dos discursos que escutamos durante as nossas vidas, em suma, da forma como nossa sociedade funciona há milhares de anos. 

Entretanto, se estivermos realmente dispostos, podemos começar a escrever uma história diferente a partir de hoje.

 

Somos treinados para a violência

Quando somos crianças, fazemos de tudo para sermos amados, aceitos, para pertencer. Pertencer, para as crianças, é mais importante que a própria felicidade, que a própria vida. Sacrificamos qualquer coisa por isso, nossa alegria, espontaneidade, criatividade.

Mas por que fazemos isso?

Porque nossos instintos de sobrevivência sabem que pertencer a uma comunidade é uma condição indispensável para proteger a vida. Principalmente quando somos crianças e não podemos prover para nós mesmos.

Na nossa história distante, como espécie, morte era a consequência de ser excluído de uma comunidade. 

Na nossa cultura, obediência é sinônimo de respeito. E é isso que os adultos esperam das crianças. Em troca disso, elas são aceitas, incluídas e amadas. 

E essa cultura da obediência às regras se perpetua nas nossas vidas adultas cotidianas. Fazemos coisas por obrigação o tempo todo e esperamos que os outros cumpram com suas obrigações também. 

Quem não cumpre é merecedor de punições, julgamentos e sofrimento. Somos autorizados socialmente a praticar violência quando estamos “do lado do bem”. Principalmente, a violência invisível que consiste de acusações, humilhações, críticas e ameaças.

E assim, crescemos e vivemos não só violentos, mas também desprovidos da alegria que é fazer as coisas de coração, por escolha. Afinal, estamos funcionando no mundo há tantos anos no modo do “tenho que …” fazer isso, “sou obrigado a” fazer aquilo.

 

Precisamos de autonomia

Todos nós, seres humanos, somos movidos por necessidades humanas universais, como vimos em relação à necessidade de pertencimento. Outro poderoso motivador que se manifesta em nós, desde os primeiros anos de vida, é a nossa necessidade de autonomia.

Queremos fazer nossas próprias escolhas, dar conta de fazer as coisas por nós mesmos. Quem não se sente maravilhosamente bem quando consegue isso, não é?

As exigências e obrigações são fortes ameaças à nossa necessidade de autonomia. Por isso, diante de uma obrigação, nos vemos diante de apenas duas opções: 

1) nos submeter por medo ou pela expectativa de recompensa (suprimindo a necessidade de autonomia com o intuito de atender outras necessidades);

2) nos rebelar, protestar (na tentativa de proteger nossa autonomia).

Ou seja, diante de uma obrigação, não temos a oportunidade de colaborar através da escolha de contribuir de boa vontade. E quem faz uma exigência perde a oportunidade de receber uma algo que venha de coração.

Por isso, meu objetivo aqui é te ajudar a sair do jogo das exigências. Tanto das que você faz para você mesmo, quando das que você recebe de outras pessoas.

Quando uma pessoa faz uma exigência, ela o faz por não encontrar outras formas de pedir para que suas necessidades sejam atendidas. 

Por pensar que as estratégias são escassas. 

E por não perceber a insustentabilidade da energia cultivada pelas dominação. Por não perceber o quão perigosa ela é. Um solo fértil para a perpetuação da violência.

 

Você não é obrigado a nada

Preparado para pensar diferente, e colher frutos diferentes?

Então vamos lá.

Tudo que você faz, você faz para atender alguma necessidade sua.

E não porque você é obrigado a fazer isso.

Consciente ou inconscientemente, você faz escolhas que tentam cuidar de coisas importantes para você.

Você está lendo este material para atender, provavelmente, as suas necessidades de aprendizado, de conhecimento, de clareza.

Você toma banho para atender suas necessidades, pode ser de saúde e de bem estar.

Se você trabalha, você trabalha para atender suas necessidades. Pode ser de sustento, de segurança, de valorização, reconhecimento.

Se uma pessoa entrega sua bolsa para um ladrão armado, ela o faz para atender a sua necessidade de proteção, de sobrevivência.

Se uma pessoa deixa de fazer o que gosta para obedecer às ordens dos seus pais, pode ser que ela esteja atendendo suas necessidades de ser aceito, de pertencimento, de amor.

Muitas vezes escolhemos estratégias que, quando paramos para pensar, não fazem sentido, pois nos distanciam de termos as nossas necessidades atendidas. Ou que, às vezes, traz danos para nós mesmo ou para os outros.

Por exemplo, quando eu grito com alguém, estou tentando atender a minha necessidade de ser escutada, ser considerada. Mas na realidade, o que acontece, é o contrário. Quanto mais eu grito, menos as pessoas me escutam e me consideram.

Utilizamos estratégias violentas quando estamos inconscientes de quais necessidades nos movem. De quais os nossos motivadores para as nossas ações, falas e pensamentos.

“Ficamos perigosos quando não temos consciência de nossa responsabilidade por nossos comportamentos, pensamentos e sentimentos.”Marshall Rosenberg

Podemos escolher formas para atender nossas necessidades que tragam mais bem estar para nós e para os outros, quando estamos conscientes das nossas necessidades e das necessidades dos outros. Quando nos lembramos que elas são igualmente importantes, já que somos interdependentes. Já que só temos um real bem estar quando o outro também tem.

 

Troque a energia do “tenho que” para energia do “eu escolho”

Se viermos a ceder e nos submeter a ordens sem sentido, nossas ações se originarão de uma energia destituída da alegria de viver. E não haverá dentro de nós energia para a empatia, para a criatividade, e para a superação dos desconfortos inerentes a um diálogo.

Por isso a Comunicação Não Violenta nos inspira a transformar o nosso hábito de pensar e dizer “tenho que” pelo hábito de pensar e dizer “eu escolho”. O exercício abaixo irá te ajudar nesse processo.

criando-pontes-autorresponsabilidade

  1. Pense em algo que você definitivamente não gosta de fazer (apenas uma), mas faz por obrigação.

Por exemplo: Eu tenho que cozinhar para minha família todos os dias.

 

  1. Investigue, com a ajuda da lista de necessidades humanas universais, qual necessidade você busca atender fazendo isso. Se surgirem várias necessidades, escolha apenas as duas principais.

Por exemplo: Ao cozinhar para a família todos os dias, eu estou tentando atender minhas necessidades de cuidar da minha família (cuidado) e de ter comida para comermos (alimento).

 

  1. Você consegue dizer para si mesmo: Eu escolho seguir fazendo isso, para atender às minhas necessidades? Se sim, ok. O “tenho que fazer comida” pode se transformar em “estou disposto a fazer comida”, e quem sabe em “faço comida para a minha família de coração”.

Por exemplo: Eu escolho seguir cozinhando para a família todos os dias para atender às minhas necessidades de cuidado e de alimento.

 

  1. Se você não consegue se dizer que “escolhe” fazer isso, e quer seguir na busca pela autorresponsabilidade, investigue outras estratégias para atender suas necessidades. Você pode pedir ajuda para pessoas de sua confiança para te ajudarem com sugestões de outras possibilidades de estratégias, pesquisar saídas, utilizar a sua criatividade.

Por exemplo: Não vou mais cozinhar para a família todos os dias. Vou buscar outras estratégias para atender minhas necessidades de cuidado e alimento. Poderia ser comprando comida pronta, cozinhando uma vez na semana e congelando para os outros dias, revezando dias de cozinhar com outros membros da família…

 

Já vi diversas reações de pessoas que realizaram este exercício. É muito comum ver algumas se sentindo aliviadas, pois se libertaram de alguma obrigação que elas mesmas se impunham. Decidiram não fazer mais aquilo, e encontraram outras formas de atender suas necessidades. Novas estratégias que elas conseguem dizer que “fazem de coração”.

Mas pode ser que não seja tão fácil simplesmente deixar de fazer o que você sempre fez, devido ao receio dos impactos negativos que isso pode gerar. E isso acabe te levando a uma visão de escassez, de que não existem outras formas para atender suas necessidades.

Em algumas situações não é fácil porque a escolha pode acabar gerando sentimentos desconfortáveis em você e nas pessoas envolvidas. Mas isso tudo não é sobre evitar dos sentimentos desconfortáveis. É sobre fazer escolhas responsáveis para não perpetuar violência nem para si mesmo, nem para os outros.

Passar a agir a partir do coração não significa que só faremos coisas legais e divertidas.

Significa que faremos o que escolhermos para atender nossas necessidades, mesmo que a necessidade seja de sobrevivência. E que nos abriremos para a criatividade na busca de encontrar estratégias que atendam nossas necessidades de formas menos custosas.

Cultivar autorresponsabilidade não anula a existência de violências que causam danos às pessoas e restringem suas possibilidades. Muito trabalho precisa ser feito para diminuir a violência estrutural além do nosso trabalho interno individual. Mas é pelas pessoas que compõem uma sociedade que ela se transforma.

Nossa sociedade não é algo que está lá fora, ela é composta por cada um de nós. Não apenas recebemos os impactos dela, mas também os geramos.

Inimigos da Escuta

Inimigos da Escuta

Por que escutar é tão difícil mim?

Você também acha difícil escutar as pessoas? Ainda mais quando elas falam e fazem coisas que você discorda?

Alguém já te disse “Você não me escuta!”?

Ou mesmo “Deixa eu terminar de falar!”?

Primeiramente saiba que isso não acontece só com você. Pouquíssimos de nós fomos ensinados a exercer essa habilidade que todos temos: a de escutar.

Desde crianças, somos ensinados a conversar através dos exemplos que os adultos nos davam: a querer ganhar as conversas, a falar mais alto até silenciar o outro, a usar a autoridade para obter o que queremos.

Por isso precisamos de um esforço consciente para aprender a escutar.

É importante lembrar que a comunicação não acontece quando falamos. Acontece quando existe compreensão mútua, e para isso, a escuta é inevitável.

Lembrando que escutar alguém NÃO é:

  • aceitar suas imposições;
  • concordar com suas opiniões;
  • ser conivente com suas ações;
  • ser passivo a uma condição;
  • perder uma conversa;
  • só esperá-la(o) terminar de falar.

Escutar é:

  • sustentar a intenção de entender;
  • considerar legítimo o que ela(e) diz;
  • se permitir mudar, aprender com o que vem do outro;

Neste artigo, você encontrará alguns vícios que causam barulhos demais para escutar o outro de verdade.

Pode ser que você identifique situações diferentes para cada um deles. Confere, e conta pra gente, com qual inimigo da escuta você se identifica mais?

DISTRAÇÕES

Você se sente vista(o), considerada(o), escutada(o), por uma pessoa que fica olhando para o celular enquanto você diz algo importante?

Se você escolheu escutar uma pessoa, trate o que ela diz como se fossem as últimas palavras que ela estivesse dizendo nesta vida. Trate-a como você trataria uma pessoa realmente importante.

 

PRESSA

Muitas pessoas dizem não terem tempo para “ficar escutando” as outras. Quem diz não ter tempo para escutar e compreender os outros costuma não perceber o tempo e a energia que os problemas causados pelos mau entendidos exigem. Por exemplo: brigas que tiram o sono dentro de casa, retrabalhos e alta rotatividade de colaboradores nas organizações.

TER RESPOSTAS PARA TUDO

Se você acredita ser o(a) sabedor(a) de tudo, é muito provável que não veja necessidade em escutar os outros.​ A abertura para o diálogo requer o reconhecimento de que se pode aprender com pessoas que têm crenças diferentes das nossas,  pessoas que têm menos experiência de vida, pessoas que fizeram coisas que consideramos erradas.. Afinal, para toda verdade, existem diversas outras verdades.

QUERER GANHAR A CONVERSA

Muitas vezes queremos ter diálogos, mas acabamos cultivando debates. Num debate, os participantes escutam os outros tentando encontrar o que está errado, incompleto ou defeituoso nas afirmações de seu oponente. A intenção é identificar as falhas, expô-las e desmontar a argumentação do oponente. Neste lugar, não há espaço para a escuta.

O MEDO DOS CONFLITOS

Quando temos medo dos conflitos, nosso impulso é evitá-lo, suprimi-lo, resolver o problema prático que o causou com urgência. E não falar mais sobre o assunto. Os “não ditos” e “não escutados” criam um ambiente tóxico e altamente propício para a violência.

A ILUSÃO DA COMUNICAÇÃO

É uma ilusão pensar que o que eu digo é o que o outro escuta. É uma ilusão pensar que o que eu escutei, foi o que o outro disse. Ao contrário do que pensamos, os ruídos não são exceção na comunicação, eles são regra. A complexidade que rege a nossa existência se faz presente na nossa linguagem e nos nossos comportamentos.

OS JULGAMENTOS

Se acredito que o outro está fazendo algo que meu juiz interno diz que é errado, meus ouvidos param de escutar o que ele diz, e começam a escutar mais as minhas vozes internas: o que ela(e) deveria fazer, o que ele(a) merece por ter feito isso, quem é a(o) culpado da história toda… Escutar requer suspender esses julgamentos, mesmo que por alguns instantes.

AGIR POR IMPULSO

Escutar de verdade requer habilidades que o cérebro não tem condições de exercer quando está num estado de luta ou fuga. Nossa sobrevivência como espécie depende dos nossos impulsos de nos proteger. Protegemos nossos valores e integridade como se fossem nossas vidas quando os vemos serem ameaçados. Mas este não é, biologicamente, o melhor momento para escutar.

 

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Como conversar com pessoas que pensam diferente de nós

Como conversar com pessoas que pensam diferente de nós

Estamos na dita “Era da Comunicação”. Mas não é preciso ir muito longe para perceber que estamos bem longe de nos entendermos melhor. 

Basta olharmos os grupos de Whatsapp, principalmente os familiares, para perceber que, apesar dos avanços tecnológicos, as pessoas se compreendem cada vez menos.

A reação natural da maioria das pessoas é dizer que o problema está, claro, no outro. Ficamos abismados com a capacidade das “outras” pessoas em interromper nossas falas e nos apontar dedos.

Mas reconhecer que tudo isso também está em nós, é um começo importante. 

Estamos sendo confrontados com uma realidade que nós mesmos ajudamos a criar e sustentar. Afinal, somos todos filhos dessa cultura de dominação onde aprendemos que precisamos ganhar as conversas para não sermos perdedores. Todos nós queremos ter razão.

Vamos juntos aprender a trabalhar com as nossas tendências humanas que, na tentativa de nos proteger, acabam determinando nossos comportamentos na direção de nos separar, em vez de nos conectar.

Pois, na construção do mundo que queremos, não podemos abrir mão da cooperação entre as pessoas. E, para isso, o diálogo construtivo e respeitoso é um dos caminhos mais transformadores e acessíveis.

 

Parta do princípio que as falhas de comunicação são REGRA, e não exceção

Somos seres humanos dinâmicos e complexos utilizando uma ferramenta para nos comunicar: a linguagem. Mas ela não dá conta de acompanhar todos os nossos movimentos e complexidades em tempo real.

Por isso as falhas de comunicação existem, e não são exceção, são a regra. Quando a gente acha que está se comunicando com perfeição, estamos de fato iludidos que isso acontece.

Sobre as ilusões e ruídos que acontecem quando a gente se comunica, assista essa série maravilhosa de vídeos do GNT: Meia Palavra.

Partir do princípio que as falhas são inerentes à comunicação humana, que nem tudo que eu falo é compreendido como eu digo, me pede persistência no diálogo, na tentativa de dizer o que eu realmente quero dizer, e de escutar o que o outro está realmente tentando falar.

Sabendo dessa limitação da linguagem e do processo de comunicação, antes de chegar a qualquer conclusão, eu permaneço no movimento constante de checar com o outro se a minha compreensão foi coerente com o que ele quis dizer. E dizendo, de diferentes formas, as minhas reais intenções.

 

Não tenha medo dos conflitos

Para conversar com pessoas que pensam diferente de mim, preciso partir do pressuposto que não existe uma verdade absoluta no mundo, cada um vê uma verdade diferente. E que diante de tantas verdades, na tentativa de conviver, estamos o tempo todo, consciente ou inconscientemente, fazendo acordos e criando consensos.

Além disso, somos seres humanos dinâmicos, ou seja, nossas necessidades e visões de mundo mudam com o tempo. Aquele acordo que fizemos no passado para conviver bem, precisa ser atualizado repetidas vezes para acompanhar nossa dinamicidade. E como se manifesta a necessidade de se atualizar um acordo? Através do conflito.

O problema é que queremos evitar desconfortos. E os conflitos são desconfortáveis. Entre uma zona de conforto e outra, existe um conflito. Ainda assim, é através dos conflitos que nós reagimos, inovamos e mudamos. Por isso o conflito pode ser entendido como motor da mudança.

Os conflitos nos relacionamentos de todos os níveis são o modo como a vida encontra para nos ajudar a parar, avaliar e prestar atenção.

Ao mesmo tempo, o conflito é um ponto de decisão, entre deixá-lo se desfigurar em violência, ou transformá-lo em um diálogo.


Esse olhar para os conflitos é lindamente abordado por Dominic Barter. Ele foi convidado pelo Mamilos Podcast para falar sobre CNV, e você pode escutar o episódio aqui neste link.

Temos medo do que não conhecemos. Mas perdemos o medo dos conflitos quando aprendemos a lidar com eles, a transformá-los em diálogos que nos tragam mudanças boas para todos.

Quando aceitamos que os conflitos fazem parte de qualquer relação humana, compreendemos também a importância de nos preparar para eles.

 

O que faz o DIÁLOGO diferente de outros tipos de conversas?

Num diálogo, eu abro mão de vencer para que todos ganhem.

Eu deixo de demandar minha atenção e energia para tentar provar meu ponto. E me esforço para tentar compreender o que o outro quer dizer, por trás dos julgamentos, reclamações, acusações e críticas. 

No diálogo o nosso foco de atenção está no ato de escutar para compreender.

E também buscamos ideias com as quais conseguimos concordar, potencialmente combinando estas com nossas próprias ideias a fim de construir uma verdade maior do que qualquer um dos lados teria sozinho.

Quem sabe menos, escuta melhor

Numa atitude aberta à escuta, temos uma atitude orientada para perguntas e para a valorização do que “ainda não sabemos” em detrimento da antecipação sobre coisas que já sabemos.

Vá para um diálogo aberto para a possibilidade de ter pensamentos como estes:

“Nossa, eu nunca tinha pensado nisso!”
“Olha que interessante, eu nunca tinha olhado por esse ponto de vista.”
“Uau, disso eu não sabia.”

A curiosidade é um ato de vulnerabilidade e coragem, porque aprender começa com a disposição de “não saber”. E acredito que, poucos ou nenhum de nós, temos lembranças de termos sido valorizados por “não saber” algo.

A abertura para o diálogo requer o reconhecimento de que se pode aprender com pessoas que têm crenças diferentes das nossas. Se alguém acredita ser o único detentor da verdade não vê necessidade em escutar os outros.

O ato de permanecer curioso em situações difíceis é uma habilidade que requer prática. É a sabedoria de, mesmo sentindo raiva e medo, continuar perguntando: “O que está acontecendo aqui de fato? O que eu não entendi?”

 

Porque não adianta debater

“Às vezes, se você desmonta um argumento meu, você desmonta a maneira como eu me enxergo, como eu me compreendo, o sentido que eu dou para minha vida. Eu preciso me reinventar como pessoa para deixar de crer naquilo que eu creio.”
Ed Rene Kivitz

Nosso cérebro trata a dor física da mesma forma que a dor da rejeição (ou dor social). Isso porque ele sabe muito bem que as conexões sociais são importantes para a nossa sobrevivência, assim como alimento e abrigo.

Quando você tenta convencer alguém que ele está errado, por exemplo, é muito provável que o corpo dele reaja como se ele estivesse sofrendo uma ameaça física real.

Durante essa reação, o cérebro dele só será capaz de pensar em se defender. Todas as outras funções como a de empatia, flexibilização, aprendizado, planejamento e regulação emocional, serão suprimidas pelo instinto de proteção.

Ou seja, se queremos que o outro tenha empatia conosco, que ele esteja aberto ao aprendizado e à flexibilização, precisamos nos comunicar de forma que ele se sinta seguro, aceito, considerado.

Mas essas intenções precisam ser verdadeiras. Você pode até tentar fingir que se importa com as necessidades do outro. Mas em algum momento ele vai perceber as suas reais intenções.

Por isso esteja consciente das suas intenções. Assim, você terá o poder de escolha entre permanecer com ela, ou de mudar a sua intenção. Leia o artigo sobre a intenção da Comunicação Não Violenta aqui.

 

Efeitos pós diálogo: conte com eles

Muitas vezes, os efeitos de um diálogo acontecem algum tempo depois dele. A mudança no nível de consciência e o grau de disposição para que as pessoas se sintam inclinadas a partir para a ação podem não ficar evidentes ao final de uma única conversa.

Foram diversas as vezes que vi mudanças positivas de comportamento na outra pessoa, nos dias seguintes de um diálogo, mesmo que ao fim dele eu não tivesse me sentido otimista de que algo mudaria.

 

Treine

Com o diálogo, não queremos convencer quem está do “lado de lá” a vir para onde estamos. Mas sim sair das nossas bolhas e construir outras coletivamente, que sejam mais favoráveis para todas. E para isso, apenas empatia e boa intenções não bastam.

Conversar com quem pensa muito diferente de nós exige prática, continuidade, paciência, respiro. Confie e encare essa jornada como um treinamento para cultivar uma habilidade fundamental aos tempos atuais.

A Comunicação Não Violenta oferece ferramentas poderosas para sustentar conversas respeitosas em conflitos nos relacionamentos humanos. Conheça um pouco mais sobre ela clicando aqui!

Como sobreviver às festas de fim de ano em família

Como sobreviver às festas de fim de ano em família

Por que será que as festas de fim de ano em família costumam ser momentos tão estressantes para algumas pessoas?

Muitas famílias funcionam dentro de dinâmicas visivelmente violentas, onde houve e há agressão física, abuso, bullying e/ou vícios. E por mais dolorosas essas experiências sejam, existe o desejo de que numa família, deveria-se encontrar um senso de pertencimento, união e afeto.

Em contrapartida, em muitas famílias não se encontra toda essa violência visível. Mas transbordam as violências invisíveis, críticas diretas e indiretas, acusações e humilhações que fazem despertar o instinto de defesa quase que constantemente nas pessoas.

Acredito que a maioria das pessoas espera que, nas festas de fim de ano, estejamos juntos com pessoas da nossa família convivendo sem conflitos, em paz. O problema é que estamos iludidos por uma visão romantizada do que é paz, e do que são conflitos. 

Pensar em conflito nos faz pensar em climão, em brigas, guerras, processos judiciais. Mas ao olhar a partir de um ponto de vista diferente, podemos perceber que os conflitos fazem parte de qualquer relação humana. Os conflitos nos relacionamentos de todos os níveis são o modo como a vida encontra para nos ajudar a parar, avaliar e prestar atenção. Por isso eles podem ser vistos como motores para a mudança. Afinal, é através dos conflitos que nós reagimos, inovamos e mudamos.

E o que é conviver em paz? Conviver em paz não é sobre ter ausência de conflitos, mas sim, sobre transformá-los em oportunidades para construir uma vida melhor para todos. A paz não é um lugar para se chegar, mas sim um caminho que construímos enquanto caminhamos.

Nosso modo individualista de viver hoje é algo que nos previne do convívio com grupos diversos de pessoas. Mas durante as festas de fim de ano existe um estímulo cultural intenso para estarmos juntos em família, com pessoas que pensam muito diferente de nós. É uma época boa para nos lembrar que viver é conviver.

Então, se você costuma ter festas de fim de ano desafiadoras para se conviver em família, e está afim de ter uma experiência enriquecedora ao se relacionar com pessoas importantes para você, confere essas dicas pensadas com carinho:

  1. Não faça nada por obrigação. Só faça se for de coração
  2. Saiba sobre os seus limites
  3. Seja a primeira pessoa a saber como você está se sentindo
  4. Todas as pessoas têm algo a ser respeitado, procure isso nelas
  5. Espere os conflitos, e se planeje para eles

 

Não faça nada por obrigação. Só faça se for de coração.

É muito difícil ter empatia pelo outro, estar aberta a valorizar as necessidades dele tanto quanto as minhas, se eu estiver fazendo algo com má vontade, por obrigação.

“Ficamos perigosos quando não temos consciência de nossa responsabilidade por nossos comportamentos, pensamentos e sentimentos.”

Marshall Rosenberg

Faça escolhas conscientes, para que suas ações aconteçam de coração.

Ou seja, não vá para a casa da sua avó, dos seus sogros, seja de quem for, por obrigação. Vá apenas se você for capaz de dizer para si mesma que está indo porque é uma ESCOLHA, para atender alguma necessidade sua.

Não faça um jantar por obrigação, porque você “tem que” fazer, ou porque as pessoas esperam que você faça. Faça somente se isso for uma escolha consciente, para atender alguma necessidade sua, que pode ser que seja de união, por exemplo. Caso você não consiga fazer esse jantar de coração, encontre outras formas de atender sua necessidade de unir as pessoas.

Valorizar as suas necessidades torna possível que você tenha alguma empatia dentro de si para que ela possa ser oferecida para os outros. Afinal, nós só podemos dar aquilo que temos.

Leia mais sobre autocuidado.

Isso nos leva a próxima dica…

 

Saiba sobre os seus limites

Se você não consegue tratar uma pessoa com respeito, espere até que você consiga.

Pode ser que você só consiga permanecer respeitando uma pessoa, mantendo uma distância física dela. Respeite seus limites.

Pode ser que você consiga permanecer respeitando uma pessoa não conversando sobre determinados assuntos. Respeite seus limites.

Mas enquanto isso, trabalhe para que seus limites se ampliem.

 

Seja a primeira pessoa a saber como você está se sentindo

Se você quer se manter alinhada aos seus valores, ao seu desejo de cultivar a não violência, o respeito e o diálogo, a prática da autoconexão é o que vai manter seus pés no chão.

Nossos sentimentos dolorosos nos avisam do que estamos precisando, que temos necessidades que não estão sendo atendidas.

“Toda violência, é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida.”

Marshall Rosenberg

Se soubermos expressar nossas necessidades (antes de mais nada, para nós mesmos) não haverá violência. Haverá expressões autênticas do que realmente precisamos para a vida prosperar.

Portanto, se dê oportunidades para se conectar consigo mesma.

Faça pausas para respirar, dar nome aos seus sentimentos, e às suas necessidades. Se for preciso, invente que precisa ir ao banheiro ou buscar algo na cozinha. Faça o que for necessário para permanecer sendo dona das suas emoções, e não refém delas.

E lidere suas necessidades. Elas são seus motivadores humanos mais centrais, é você quem os têm, e não o contrário.

 

Todas as pessoas têm algo a ser respeitado, procure isso nelas

Desumanizamos uma pessoa quando todos os rótulos e julgamentos que temos sobre ela fazem desaparecer o fato de que ela é um ser humano oferecendo o melhor que ela dá conta de oferecer, fazendo o melhor que ela pode naquele momento, através de infinitas tentativas de acertar, mesmo que seja insuficiente para nós.

Quando desumanizamos o outro nos esquecemos que ele é alguém que está tentando sobreviver e prosperar neste mundo onde não há verdades e conclusões absolutas sobre nada.

Nos esquecemos que o outro é muito mais do que o que pensamos sobre ele. Que ele tem sentimentos, necessidades, histórias e dores que jamais saberemos.

Procure. E se você não está encontrando, persista procurando algo ser respeitado nas pessoas com quem você tem conflitos. Mesmo que isso não seja recíproco. Mesmo que, para isso, você precise de ajuda.

Pode ser que você encontre algo a ser admirado nas pessoas se abrindo para saber mais sobre a história delas, em vez de saber mais sobre o que há de errado com elas.

Solte seu escudo e suas armas. Dispa-se das armaduras. Abra seu coração para o desconhecido.

 

Espere os conflitos, e se planeje para eles

A gente pensa previamente em tantas coisas para as festas de fim de ano. A comida, a roupa, os presentes, os convidados. Mas não temos o hábito de nos preparar para os conflitos que são inerentes à convivência humana, principalmente a familiar.

Não é sobre “se” os conflitos acontecerem. É sobre “quando” eles acontecerem.

Tire um tempo para pensar sobre pessoas e falas que mais te engatilham. Que costumam fazer você se tornar uma pessoa que você não gostaria de ser.

Reflita sobre como você gostaria de agir nessas situações, de forma consciente e alinhada com as suas intenções de respeito e não violência. 

Quais são as condições necessárias para que você seja capaz de agir de uma forma construtiva?

Também converse abertamente com as pessoas com quem você já tem uma conexão, sobre como vocês podem lidar com os problemas que possam surgir no futuro. Converse sobre o que pode acontecer se o acordo falhar ou a situação mudar.

Temos a impressão de que prever conflitos já pode exacerbar tensões existentes. Mas, na verdade, ocorre o contrário: mencionar a possibilidade de conflito no futuro e desenvolver um plano mútuo para lidar com ele, transformam-no em uma parte normal e potencialmente produtiva para nossas vidas.

 

Conclusão

Se conecte ao significado que as festas de fim de ano têm para você. E volte para elas quando as coisas ficarem difíceis. Qual é o sentido de estar juntos em família? Criar boas memórias? Aprender sobre a história da sua família? Aproveitar o tempo com as pessoas antes que elas morram? Ou convencer seus tios do quão machistas/alcoólatras/fundamentalistas eles são?

Você não pode mudar as pessoas. Mas pode mudar a forma como enxerga e reage diante das situações, por mais injustas e desafiadoras que elas sejam. Não espere a iniciativa do outro, para agir de forma coerente com o que você acredita. Seja a mudança que você quer ver no mundo, mesmo que isso leve um tempo.

Tenha a lucidez de trabalhar com as pessoas do jeito que elas são. E não como você gostaria que elas fossem. Procure o há por trás da superficialidade dos seus julgamentos sobre os outros. Existe um oceano imenso de humanidade para ser descoberto, tanto nele quanto em você.

Tenha responsabilidade sobre as suas escolhas. Percorra o árduo e longo trabalho interno que é sair do papel de vítima, para que você possa partir de uma energia amorosa ao se relacionar com pessoas tão importantes como seus familiares.

 

 

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O que é Comunicação Não Violenta? Na teoria e na prática

O que é Comunicação Não Violenta? Na teoria e na prática

Comunicação Não Violenta (CNV) é um processo poderoso para inspirar conexões e ações compassivas. É uma forma de se comunicar alternativa à agressividade e à passividade, ou seja, que vai além do nosso estado instintivo de defesa de lutar ou fugir.

Ela cultiva uma consciência e um conjunto de habilidades para abordar os conflitos humanos, desde os relacionamentos mais íntimos até conflitos políticos globais.

 

Quando podemos utilizar a Comunicação Não Violenta?

Quando estamos diante de um conflito e queremos romper um ciclo de violência ou culpabilização (acusações mútuas);

Nos momentos em que queremos encontrar soluções respeitosas e sustentáveis em longo prazo para algum conflito;

Se percebemos que não faz sentido culpar, punir, coagir, manipular. E sim fortalecer o relacionamento, a confiança entre as pessoas.

 

Na Comunicação Não Violenta, partimos do seguinte princípio

Todos os seres humanos têm as mesmas necessidades humanas, mesmo que em graus e momentos diferentes, mesmo que encontrem estratégias diferentes para atendê-las. E tudo que fazemos, fazemos na intenção de atender alguma necessidade.

“As ações de outras pessoas, não importa o quão dolorosas sejam para nós, são simples tentativas de atender suas necessidades.”

Miki Kashtan

Ao praticar a Comunicação Não Violenta, permanecemos numa pesquisa constante na busca da nossa humanidade compartilhada, que são nossos motivadores mais centrais.

São as necessidades humanas universais que queremos encontrar, mas que os rótulos e julgamentos que colocamos sobre as pessoas nos impedem de enxergar.

Ilustração: Juliana Matsuoka

 

A Comunicação Não Violenta acontece através da empatia

Se colocar do outro é um bom primeiro passo para praticar empatia. Mas não tem jeito, todos nós nos colocamos no lugar dos outros, permanecendo sendo nós mesmos.

Empatia é imaginar como o outro está se sentindo, de acordo com a realidade dele e tendo as necessidades que ele tem. Empatia é “se colocar no lugar do outro”, acompanhado pela humilde curiosidade e incerteza do que se passa dentro dele. A curiosidade permeia a empatia, o real interesse de compreender os sentimentos e necessidades do outro.

Por isso a expressamos através de hipóteses. Sem o objetivo fixo de acertar na hipótese, mas sim, de estar presente e aberto para o que quer que o outro esteja sentindo e precisando.

Quando aceitamos o outro como ele está (e não como ele é, porque somos seres dinâmicos), quando não queremos consertá-lo, e o compreendemos sem julgar, é provável que estejamos no lugar da empatia.

Ilustração: Juliana Matsuoka

 

Temos a intenção de estabelecer conexão humana

Ao praticar Comunicação Não Violenta, buscamos nos comunicar escolhendo partir da intenção de nos conectar com as outras pessoas, para que possamos nos entender, e buscar soluções que valorizem as necessidades de todas.

Pois pessoas conectadas, que se importam com as necessidades umas das outras, encontram estratégias para solucionar os problemas de uma forma muito mais efetiva do que quando não há uma relação de confiança.

Portanto, é importante saber que, se sua intenção é mudar o outro ou fazer com que ele obedeça, a Comunicação Não Violenta não funcionará.

Mas se sua intenção for fortalecer relações de confiança ou ajudar as pessoas a atenderem suas necessidades de formas menos custosas, certamente a Comunicação Não Violeta irá contribuir.

“Antes de abrir a boca para falar, ou de agir, pergunte-se: ‘Qual a minha intenção aqui?’”

Raj Gill, Lucy Leu, e Judi Morin

 

Como pratico a Comunicação Não Violenta?

 

Primeiro me conecto comigo mesma

Antes do diálogo com o outro, faço um processo interno de compreender o que há além dos meus julgamentos sobre mim e sobre o outro. Na Comunicação Não Violenta, chamamos este processo de autoconexão.

 

1. Me pergunto: O que vi ou escutei, que me fez pensar isso sobre a outra pessoa?

Dessa forma eu trago meus pés para o chão. Saio do looping emocional, e volto para o que realmente aconteceu. Faço observações, em vez de avaliações. Descrevo o acontecimento como se uma câmera tivesse gravado as cenas e as falas.

Por exemplo: Em vez de me dizer “O que aconteceu foi que eu tenho uma filha uma louca, irresponsável…”, eu me digo “A vi colocar as roupas dela dentro da mala e sair de casa em silêncio.”

 

2. Me pergunto: O que estou sentindo agora?

Procuro palavras para descrever meus sentimentos, minhas emoções. E não meus pensamentos. Eu saio das preocupações com o futuro, e dos rancores do passado, volto para o momento presente, e confiro no meu corpo o que estou sentindo.

As sensações no corpo são dicas para encontrar nossos sentimentos. E os sentimentos são dicas que indicam qual é a nossa real necessidade humana.

Mas é comum que as pessoas tenham dificuldade para encontrar palavras que descrevam seus sentimentos. Somos analfabetos emocionais pois na nossa cultura, não fomos incentivados a entrar em contato com nossa vulnerabilidade. Você pode acessar uma lista de palavras que expressam sentimentos clicando aqui.

Por exemplo: Em vez de me dizer “Estou me sentindo abandonada, sentindo que ela é uma egoísta…”, eu me digo “Estou me sentindo triste e magoada.”

 

3. Me pergunto: O que é importante para mim, que não estou tendo agora?

Procuro palavras para descrever minhas necessidades humanas universais. Não é sobre meus desejos momentâneos, sobre as saídas para os problemas, mas sobre o que o meu coração mais precisa.

Buscar as necessidades humanas é como descascar uma cebola, até encontrar a camada mais interna.

Por exemplo: Em vez de me dizer “Eu preciso que ela volte para casa”, eu me digo “Eu gostaria muito de ter a segurança de que ela está bem.”

De novo, expressar necessidades humanas é um processo que pode ser difícil para a maioria das pessoas, pois não fomos incentivados a falar sobre o que precisamos, mas sim, a falar o que há de errado, de quem é a culpa, o que deveria ter acontecido. Você pode acessar uma lista sugestiva de palavras que expressam necessidades humanas clicando aqui.

 

4. Me pergunto: Como eu gostaria que minha necessidade fosse atendida?

Aqui eu penso sobre o meu pedido de ação. Sobre possibilidades de ação específicas que o outro poderia realizar para atender minha necessidade.

Temos uma tendência a utilizar palavras vagas, e esperar que o outro compreenda exatamente o que queremos. As pessoas não têm a habilidade de ler nossos pensamentos. Precisamos pensar em pedidos concretos para reduzir os ruídos na comunicação.

Por exemplo: Em vez de me dizer “Eu gostaria que ela se importasse mais comigo”, eu me digo “Eu gostaria que ela voltasse para casa agora.”

“Nossos mal-entendidos são “mal-escutados” que, por sua vez, resultam de “mal-formulados”, de “mal-ditos” e de não ditos.”

Thomas D’ansembourg

É o momento também de pensar o que eu gostaria que acontecesse, e não o que eu não gostaria que acontecesse. Temos uma facilidade enorme de identificar o que não queremos. Fazer pedidos positivos também reduz os mau entendidos.

Por exemplo: Em vez de me dizer “Eu gostaria que ela parasse de ser assim tão impulsiva”, eu me digo “Eu gostaria que ela conversasse comigo quando se sentir muito nervosa.”

E o mais importante de tudo, faço pedidos negociáveis, e não exigências. Essa é uma consciência que permeia toda a Comunicação Não Violenta. Trata-se de compreender que o outro também tem necessidades como eu, que o bem estar dele é tão importante quanto o meu, por isso não quero que ele atenda ao meu pedido por medo, culpa ou vergonha. Quero que ele atenda o meu pedido apenas se ele for capaz de fazer isso de coração.

Ou seja, estou aberta ao “não”, pois entendo que dessa forma ele está tentando cuidar de alguma necessidade dele. O “não” é o começo de conversa, e não o fim, quando estou interessada em compreender mais sobre a necessidade do outro e encontrar estratégias boas para todos.

“O que torna possível dizer ‘sim’ de coração, é a certeza de que somos livres para dizer ‘não’ sem sofrer consequências.”

Miki Kashtan

Depois disso, entra uma segunda fase da autoconexão: a fase da empatia.

 

Depois de me conectar comigo mesma, me preparo para me conectar com o outro

  1. Quais será que são os julgamentos dele sobre mim, ou sobre ele mesmo?
  2. O que será que ele viu ou escutou, que pode ter feito ele ter aqueles julgamentos?
  3. O que será que ele está sentindo?
  4. Qual será que é a necessidade dele?
  5. Como será que ele gostaria que as necessidades dele fossem atendidas?

Todo esse processo eu realizo sozinha ou com apoio de uma escuta empática. Até agora, a conversa com o outro ainda não aconteceu. Estou me preparando para ir ao diálogo desarmada, lúcida e aberta.

Não se assuste, com a prática, esse processo que, no começo pode ser demorado, acontecerá no tempo de algumas respirações.

Agora é a hora do diálogo, que consiste de escutar (escuta empática) e falar (expressão autêntica). Sugiro que, antes de falar tudo que você tem para dizer, que você escute.

As pessoas nos escutam quando elas se sentem escutadas, consideradas, vistas, aceitas. Todos nós agimos melhor quando nos sentimos melhor.

“Quanto mais respeitamos a humanidade de nosso oponente, mais efetivamente podemos nos opor à sua injustiça.”

Michael N. Nagler

 

Agora eu tenho mais condições de escutar o outro com empatia

Escutar é muito mais que deixar o outro terminar de falar. Escutar envolve curiosidade em compreender como o outro pensa, sente e vê. Para isso, preciso abandonar as coisas que eu “já sei”, e me abrir para o que eu não sei.

Minha fala mostra se estou realmente afim de escutar. Frases como as seguintes mostram esse desejo:

“Deixe-me ver se estou entendendo. O que entendi foi… É isso?”

“Como você se sente quando eu digo isso?”

“Me diz como isso chega pra você?”

“Não compreendi, você poderia me explicar com outras palavras?”

“Estou curioso para saber, por que não? Você pode me dizer?”

“O que te leva a dizer não? Você tem outras ideias?”

Escutar com empatia é como ter um tradutor simultâneo na nossa cabeça, traduzindo os julgamentos e acusações que vierem em observações, sentimentos, necessidades e pedidos.

“Gosto mais dos seres humanos se não ouço o que eles pensam. Aprendi a apreciar a vida muito mais apenas escutando o que se passa em seu coração, e não caindo nas armadilhas do que está em sua cabeça.”

Marshall Rosenberg

Por exemplo: Se a outra pessoa disser “Você é uma controladora, é impossível viver com você”, eu a escutarei dizer “Quando você diz que quer que eu volte para casa (OBSERVAÇÃO), eu sinto raiva (SENTIMENTO), porque preciso muito de liberdade e autonomia (NECESSIDADE). Eu quero encontrar uma casa para morar sozinha (PEDIDO).”

Eu posso escutar isso em silêncio, e posso também dizer para a outra pessoa a tradução realizada. É uma ótima oportunidade de checar minha compreensão, e dar a ela a oportunidade de esclarecer algo que não tenha chegado como ela gostaria.

 

Agora, eu tenho mais condições de me expressar com autenticidade e responsabilidade

Quando tenho a oportunidade de falar, eu expresso o que está vivo em mim, o que está no meu coração, e não o que está na superficialidade dos meus julgamentos.

Por exemplo:

Se eu escutar outra pessoa dizer:

“Quando você diz que quer que eu volte para casa (OBSERVAÇÕES), eu sinto raiva (SENTIMENTO), porque preciso muito de liberdade e autonomia (NECESSIDADE). Eu quero encontrar uma casa para morar sozinha (PEDIDO).”,

eu poderia falar

“Quando eu escuto que você quer morar sozinha (OBSERVAÇÕES), eu fico preocupada (SENTIMENTO), porque eu gostaria de ter a segurança de que você está bem (NECESSIDADE). Vamos juntas encontrar uma forma de você ter mais liberdade e autonomia, que me ofereça essa segurança (PEDIDO)?”

Esses “passos” nos ajudam muito a colocar a atenção nos lugares que aumentem a possibilidade de conexão na comunicação. Mas ao mesmo tempo, esses passos podem fazer parecer a comunicação robótica, mecânica, artificial, se utilizada sem a intenção de construir conexão humana. E ela não acontece se a outra pessoa sente que está conversando com um livro.

 

A origem da Comunicação Não Violenta

A abordagem que sistematizada pelo psicólogo dos Estados Unidos, Marshall Rosenberg que faleceu em 2015.

Marshall dedicou uma grande parte de sua vida trabalhando a Comunicação Não Violenta em diversos tipos de conflitos e relações, até mesmo em locais como Serra Leoa, Sri Lanka Bósnia e Sérvia, Colômbia e Oriente Médio. Desde a sua criação, ela tem sido ferramenta para trabalhos em presídios, escolas, empresas, e principalmente transformando relações interpessoais, essas que a gente tem uma a uma.

Marshall Rosenberg

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Tendências que dificultam a Comunicação Consciente

Tendências que dificultam a Comunicação Consciente

Todos nós temos algumas tendências que precisamos primeiramente acolher e depois ir além delas, para que possamos nos comunicar de forma consciente e não violenta.

Nessa jornada de me relacionar melhor com as pessoas e comigo mesma, busco fazer escolhas conscientes, e não ser cegamente conduzida pelos meus hábitos, instintos e tendências.

Veja se você identifica alguma tendência mais viva em você agora.

 

Temos a tendência de nos proteger

Nosso instinto de defesa, através dos mecanismos de lutar ou fugir, garantiu a nossa sobrevivência até hoje.

Nosso cérebro têm estruturas que funcionam como um alarme para as ameaças, que é o nosso par de amígdalas cerebrais. Diante de uma ameaça, ele faz com que o cérebro e o corpo não façam mais nada, além de se defender, lutando ou fugindo.

Mas esse alarme tem dificuldades de discernir estímulos que ameaçam a nossa sobrevivência, de estímulos que ameaçam nossos valores. E acaba nos colocando em situações que podemos nos arrepender mais tarde.

Aprender a lidar com esse mecanismo de defesa é um bom primeiro passo para a não violência. Não violência é uma terceira opção, além de lutar (usar a violência) ou fugir (passividade), para lidar com os conflitos.

 

Temos a tendência de rotular e julgar

Imagine só fazer compras no mercado, mas todos os produtos estão sem rótulo. Ficaríamos bastante perdidos não é? 

Nosso cérebro gosta de rótulos, é mais fácil para ele se localizar e proteger a nossa sobrevivência julgando se algo ameaça nossa integridade ou não a partir dos rótulos que ele vê.

Mas precisamos lembrá-lo que não estamos numa selva. Podemos perceber muita violência invisível nas nossas relações, como acusações, humilhações, críticas. Mas em sua maioria, as ameaças que existem no nosso cotidiano são simbólicas, elas não são uma ameaça à nossa sobrevivência.

Precisamos lembrar o nosso cérebro também que não estamos num mercado, e que os seres humanos não se limitam aos rótulos que colocamos neles.

 

Temos a tendência de pensar de forma dualista

Ou estou certo, ou estou errado. Ou ele é bom, ou ele é ruim. Ou é esquerda, ou é direita. Ou é do mal, ou é do bem. Ou é verdade, ou é mentira.

Ver o mundo através da lente dualista é como enxergar só o preto ou só o branco. E se privar de viver a experiência que é enxergar todas as possibilidades de colorido que há entre esses dois extremos.

 

Temos a tendência a querer vencer

Você já sentiu a satisfação que é escutar “você tem razão”? De sentir o empoderamento que dá ser designado pelo seu oponente como vencedor da conversa?

O incentivo à competição está presente em todos os contextos da nossa existência. Quem é a mais bonita, a mais inteligente? Quem vai mais rápido? Quem tem o melhor argumento? Quem manda aqui?

A cultura da competição alimenta a cultura da violência. Porque desejar vencer do outro, é desejar que ele perca. Dominar, para não ser dominado.

Na cultura de paz, abrimos mão de vencer, para que todos possamos ganhar. O meu bem estar e o bem estar do outro, são uma coisa só.

 

Temos a tendência de concluir verdades fixas e determinadas

Quem nunca sentiu a satisfação de ser designado como detentor da única verdade que existe? E essa verdade é permanente, universal, e inquestionável.

Nós tendemos a naturalizar nossa própria cultura. Torná-la como centro do mundo. Achar que tudo nela sempre foi assim e assim continuará sendo.

Claudio Thebas e Christian Dunker

Somos seres humanos dinâmicos utilizando uma linguagem que não dá conta de acompanhar tal dinamismo. A estaticidade da nossa linguagem é uma limitação com a qual precisamos estar lidando o tempo todo. Tendo a atenção de dizer, por exemplo, “eu estou me sentindo nervosa”, em vez de “eu sou nervosa”.

Temos uma inabilidade de suportar ou admitir o fato de que nós não podemos encontrar verdades últimas. Mas uma vez que entendemos que este mundo não está limitado ao modo como nós o percebemos, pode ser fiquemos menos apegados em relação às nossas próprias verdades.

Podemos ver como a ampliação de nossas lentes trabalha contra nossa tendência habitual de se fechar em conhecer as coisas de maneira fixa ou determinada, e como isso também nos leva a uma abordagem de menos reação e mais resposta diante dos conflitos.

 

 

 

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É você quem tem necessidades. Não são elas que te tem.

É você quem tem necessidades. Não são elas que te tem.

Quando se aprende na Comunicação Não-Violenta que podemos pedir aos outros, ou para nós mesmos, por algo que atenda nossas necessidades, é muito fácil cair na cilada de fazer das nossas necessidades, o centro do universo.

“Ok, eu sei qual é minha necessidade aqui. E estou muito aflito porque ela NÃO ESTÁ SENDO ATENDIDA, e nem vai ser tão cedo! O que eu faço?”. Muitas vezes ter nossas necessidades atendidas depende de causas e condições que não estão ao nosso alcance em um determinado momento.

Todos nós temos várias vozes internas que tentam cuidar de nós, cada uma com sentimentos e necessidades diferentes. E que são o tempo todo impactadas pela impermanência. Ou seja, elas fluem, mudam, se transformam, contraem, expandem… Uma voz que expressava em voz alta sua necessidade de autonomia, por exemplo, num outro momento é silenciada por outra que deseja direção/orientação. 

Em uma mesma situação, podemos ter diferentes conjuntos de necessidades, que não se anulam. Por exemplo, quando uma pessoa tem uma voz interna que busca propósito/sentido no trabalho. E ao mesmo tempo, outra que cuida de sustento, segurança. E ainda, outra que quer conexão, amizade. Uma não anula a outra, todas elas existem.

Mas às vezes, uma voz interna não dá conta, e quer ter sua necessidade atendida a qualquer custo.

Imagine que dentro de você existe uma equipe de pessoas trabalhando numa única sala com mesas conectadas, como numa empresa, cada uma cuidando de algo importante para que tudo continue funcionando bem. E, de repente, o computador de uma das pessoas da equipe quebra, e ela não consegue mais fazer o que estava fazendo. E então, aos gritos, ela empurra o computador no chão, se levanta, e começa a empurrar todos os outros computadores de seus colegas também.

É o mesmo quando deixamos a necessidade de uma de nossas vozes ficar tão alta a ponto de não conseguirmos mais escutar as outras, a ponto de pensarmos que não há vida sem termos aquela única necessidade atendida.

 

Lembre-se que você é o líder das suas vozes internas.

Você pode oferecer empatia para suas vozes, e escolher quais serão expressadas no diálogo. Não se esqueça que o objetivo da CNV é gerar conexão humana. Você pode escolher quais necessidades te aproximam desse objetivo.

Às vezes escutamos mais alto a Voz Interna Crítica, que faz julgamentos e críticas. Ou a Voz Interna Zelosa, que tenta agradar a todos. O líder interno sustenta tudo com compaixão, oferece empatia e apreciação, fala e faz coisas que acalmam e tranquilizam. Ele é sábio, e reconhece quando ele mesmo precisa de ajuda, quando está sobrecarregado.

Somos uma coleção de partes internas e de necessidades. Desenvolver um líder interno fortalecido nos ajuda a não nos perder tanto em nossos desafios. Com ele, podemos aprofundar nossa relação com nós mesmos e ampliar espaço para compaixão, equilíbrio emocional e empoderamento.

 

 

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Não existe criança teimosa

Não existe criança teimosa

Quem foi chamado de “teimoso” por uma vida toda, sabe o quanto escutar isso não ensinou lição alguma.

Quando estamos agindo de forma que alguém pense que somos teimosos, estamos simplesmente desejando fazer nossas próprias escolhas, ser protagonista de nossas vidas, aprender com nossas próprias experiências.

A criança não nasce com impulso de desobedecer, de provocar. Ela nasce com o impulso de atender as necessidades dela. Durante a vida ela descobre estratégias para atender essas necessidades. Com a nossa ajuda, ela pode ir descobrindo possibilidades de atender essas necessidades de formas menos custosas possível, de forma que cuide das pessoas que estão à volta dela também.

Quanto mais uma criança escutar uma exigência, mais ela vai querer proteger sua necessidade de autonomia, e menos ela desejará fazer o que o adulto está pedindo. Ou ela se submete ao medo. O resultado de insistir na exigência, é que tanto o adulto quanto a criança perdem a oportunidade de vivenciar a cooperação e a consideração mútua.

Busque estratégias que deem autonomia para esse ser humano, dentro dos limites que também cuidam do que é importante.

Tudo que fazemos, fazemos na tentativa de atender nossas necessidades. Às vezes não percebemos as consequências das ações que escolhemos, nem o impacto que elas terão sobre as outras pessoas. Mas são ações que não deixam de ser simples tentativas de cuidar do que é importante para nós.

Praticar empatia na Comunicação Não-Violenta é ver a ação de alguém, pedir licença para as vozes que julgam se isso é certo ou errado, e entrar na seguinte pesquisa: “Do que essa pessoa está tentando cuidar?”

Empatia é “se colocar no lugar do outro”, acompanhado pela incerteza do que se passa dentro dele. A curiosidade permeia a empatia, por isso a expressamos através de hipóteses.

Minhas hipóteses empáticas para uma pessoa que pensamos que está sendo teimosa são essas: autonomia, escolha. autenticidade. Quais são as suas?

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Que tipo de liderança você pratica?

Que tipo de liderança você pratica?

Pergunta 1:

a. Você é o líder que prefere tomar todas as decisões sozinho, porque se considera o único capacitado para isso? Porque foi assim que a vida te ensinou a ser? Porque foi dessa forma que você conquistou tudo que conseguiu, e acredita que isso já faz parte da sua personalidade?

b. Ou você é o líder que sabe que, considerar o que as pessoas pensam nos levam a estratégias mais criativas e efetivas? Que tem o hábito de expor suas ideias, e logo perguntar para o outro “o que você acha disso?”.

 

Pergunta 2:

a. Você é o líder que não tem tempo para escutar seus liderados, porque precisa fazer outras coisas mais importantes? O líder que a equipe nem procura para conversar, porque tem medo ou vergonha de você?

b. Ou você é o líder que busca estratégias para criar tempo e meios para escutar sua equipe? Porque sabe que acesso ao diálogo é pré-requisito para construção de relações de confiança. E que relações de confiança são as vias mais efetivas para resolução de problemas e aumento da produtividade?

 

Pergunta 3:

a. Você é o líder que vê um conflito e faz de tudo para evitá-lo, ou resolvê-lo da forma mais prática possível? Porque gera desconforto e consome o pouco tempo que você já tem?

b. Ou você é o líder que que sabe que conflitos fazem parte de qualquer relação humana? Que conflitos mal resolvidos se transformam nas tóxicas “conversas de corredor”. Que vê os conflitos como oportunidades para identificar necessidades ocultas das pessoas envolvidas e de encontrar soluções efetivas para os problemas, em vez de soluções que apenas “apaguem o incêndio”?

 

Pergunta 4:

a. Você é o líder que faz exigências, que não aceita “não” como resposta, e que quem disser isso, está fora da equipe?

b. Ou você é o líder que prefere um “Não” sincero, do que a submissão acompanhada por trabalhos realizados com indiferença e um descontentamento crônico? Que sabe que um “Não” é uma oportunidade para o diálogo, e que através do diálogo que cuida das necessidades de todos, soluções sustentáveis são encontradas.

 

Pergunta 5:

a. Você é o líder que usa sua autoridade para punir as pessoas que fazem coisas erradas?

b. Ou que usa seu poder para ajudar a atender as necessidades e cuidar dos valores das pessoas e da organização?

 

Pergunta 6:

a. Você é o líder que quer ter “poder sobre” sua equipe?

b. Ou que quer ter “poder com” a sua equipe?

 

Se você encontrou mais respostas letra “a”, são grandes as chances de a cultura de dominação sob a qual todos nós fomos criados acabar sendo perpetuada através do seu tipo de liderança. E mínimas as chances de você construir uma equipe colaborativa, criativa e consistente.

Em contrapartida, quanto mais identificação você encontrou nas respostas “b”, mais próximo de uma cultura de convívio e de parceria você se encontra. A consciência da Comunicação Não-Violenta já mora em você, e as ferramentas práticas dela irão te ajudar a construir um ambiente organizacional mais humano, produtivo e respeitoso.

 

“O seu comportamento diante de um conflito não é algo que faz parte da sua personalidade. É algo que pode ser aprendido e praticado.”

Dana Caspersen

 

Veja aqui 10 dicas práticas de Comunicação Não-Violenta na relação com seus liderados.

 

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10 Dicas sobre Comunicação Não-Violenta na relação com seus liderados

10 Dicas sobre Comunicação Não-Violenta na relação com seus liderados

O principal propósito da Comunicação Não-Violenta (CNV) é gerar conexão entre as pessoas.

Sabemos que a intenção da grande maioria das empresas e organizações é atingir metas e objetivos, através da criação de produtos e serviços. Mais do que nunca, essas instituições estão conscientes de que a qualidade das relações humanas no ambiente de trabalho interfere na produtividade de seus colaboradores, e consequentemente, na entrega de resultados.

No ambiente de trabalho, é comum que muitas pessoas não estejam preparadas para se colocarem num lugar de vulnerabilidade, de expor seus sentimentos e necessidades. As práticas de Comunicação Não-Violenta neste caso não vêm com a intenção primária de entrar num nível de cura ou transformação interna, mas sim para possibilitar a construção de relações de confiança e garantir compreensão compartilhada. Serão como catalisadores de diálogo e co-construção de soluções criativas.

Se você busca praticar uma liderança colaborativa, em vez de dominação sobre as pessoas da equipe, a inserção da Comunicação Não-Violenta na cultura da organização a tornará num ambiente mais humano, agradável e criativo.

Segue as dicas!

 

1. Não basta escutar. Demonstre que você escutou.

Escute primeiro para compreender, para depois responder.

Demonstre que você escutou o que seu liderado disse, refletindo para ele o que você compreendeu, e checando se você entendeu corretamente.

Após a compreensão estabelecida, a busca por estratégias para resolver os problemas será mais assertiva e colaborativa.

 
2. Seja o primeiro a saber como você está se sentindo.

Emoções são contagiosas. O contágio emocional de pessoa para pessoa opera automaticamente instantaneamente, inconscientemente e fora do nosso controle intencional.

Quem emite as emoções que passam entre as pessoas e quem as recebe?

Para grupos pares (onde não há diferenças hierárquicas) o emissor tende a ser a pessoa mais emocionalmente expressiva do grupo. Mas em grupos onde há diferenças de poder, é a pessoa com maior poder o emissor emocional.

Em qualquer grupo humano, as pessoas prestam mais atenção ao – e colocam mais importância no – que a pessoa mais poderosa desse grupo diz ou faz.

Não é que você tenha que se sentir o tempo todo feliz, animado, engajado. Isso é impossível. Você é um ser humano cujas emoções oscilam. Mas esteja consciente das suas emoções, para que você possa escolher seu comportamento. E não acabar sendo refém delas, e afetando o estado emocional do resto do grupo.

 

3. Ofereça empatia primeiro.

Veja os sentimentos e necessidades por trás das ações das outras pessoas, mesmo que essa iniciativa não seja recíproca.

Embora possamos facilmente ter empatia com nossos colegas e com aqueles em posição de menor poder, é mais difícil ter empatia com aqueles que parecem ter mais poder, status ou recursos.

Por isso, não espere que seus liderados te ofereçam empatia. Ofereça você primeiro. Até que todos percebam que você valoriza a necessidade de todos, da mesma forma como você valoriza as suas.

 

4. Para oferecer empatia, você precisa ter combustível no seu tanque.

Saiba onde você pode reabastecer seu tanque de empatia. Quem são as pessoas que te escutam e te compreendem? Quem são as pessoas com quem você se sente pertencido, aceito e seguro? Tenha pessoas com quem você pode contar como apoio empático. Caso você não tenha, comece a construir sua rede.

Exercícios de autoconexão individuais são práticas frequentes de pessoas que buscam uma comunicação consciente e responsável. Como você está se sentindo? Do que você está mais precisando? Quais estratégias você pode escolher para cuidar dessas necessidades?

Pratique o autocuidado. Para que a gente não esgote a nossa capacidade de cuidar, precisamos cuidar de nós mesmos.

Pratique autocompaixão. O primeiro passo para se comunicar de uma forma mais clara e cuidadosa com os outros, é se comunicar de uma forma mais clara e cuidadosa com você mesmo.

 
5. Não queira que seus liderados atendam seus pedidos por medo, culpa ou vergonha.

Ao contrário de educar, ações que provocam medo, culpa ou vergonha geram ressentimento e hostilidade. Elas nos distanciam de termos nossas necessidades atendidas num longo prazo. O medo da punição diminui a autoestima, a boa vontade e, consequentemente a criatividade e a produtividade.

Nossos liderados atenderão nossos pedidos compassivamente se esses pedidos contemplarem as necessidades deles também. Dessa forma, eles não só atenderão nossos pedidos, mas confiarão que seus líderes se importam com eles.

 

6. Reforce para seus liderados que seus pedidos são pedidos, e não exigências.

Quando estamos diante de alguém nos fazendo uma exigência, temos apenas duas opções. Ou nos submetemos, ou nos rebelamos. Diante de uma exigência, não temos a oportunidade de viver a cooperação e a consideração mútua.

Quando trabalhamos numa instituição estruturada hierarquicamente, as pessoas abaixo de nós na hierarquia têm uma tendência a escutar exigências, mesmo que essa não seja nossa intenção. Por isso muitas equipes convivem com o clima de medo, ou de revolta.

Quanto mais formos vistos como superiores que fazem exigências ou como agentes de punição, mais difícil será para os outros contribuírem conosco de livre vontade.

Exemplos:

“Estou pedindo isso, mas estou aberto a outras ideias!”

“Quero que saiba que você é livre para dizer ‘não’. Podemos juntos pensar em outras estratégias.”

 

7. Não insista, nem desista. Persista. Escute e demonstre que você se importa com as necessidades por trás do “Não”.

Se alguém disse “não” ao seu pedido, ele está dizendo “sim” para alguma necessidade dele. E esta é uma ótima oportunidade para descobrir quais são essas necessidades através das hipóteses empáticas.

Ou mesmo, demonstre abertura para que a pessoa expresse suas necessidades:

“Estou curioso para saber, por que não? Você pode me dizer?”

“O que te leva a dizer não? Você tem outras ideias?”

Se a sua estratégia inicial expressada no pedido que foi negado não cuida das necessidades da outra pessoa, esteja aberto a encontrar outras que cuidem.

As chances de você ter as suas necessidades atendidas de forma efetiva são muito maiores do que se você insistir na sua estratégia, tornando seu pedido em exigência.

 

8. Crie métodos que possibilitem os feedbacks baseados em observações, em vez de em avaliações

Pesquisas de clima organizacional, pesquisas de satisfação dos clientes e estatísticas administrativas ajudam a oferecer feedbacks baseados em fatos observáveis, e não em julgamentos individuais, que, por não poderem ser vistos, podem provocar resistência quando escutados.

 

9. Expresse seus agradecimentos

Quando alguém atender alguma necessidade sua, diga mais do que um “obrigado”. Expresse as suas necessidades atendidas. No dia-a-dia, é comum nos esquecermos disso. Mas é algo extremamente poderoso na motivação do trabalho colaborativo.

Por exemplo: “Obrigado por ter me ligado para lembrar da reunião de hoje. Trabalho mais seguro por saber que tenho seu apoio.”

 

10. Expresse seus arrependimentos

Fazendo parte do problema, você fará parte da solução. Se responsabilize (não se culpe) pelas suas falhas e pelas falhas da sua equipe. Tem algo que você poderia ter feito, mas não imaginou naquele momento? Expresse isso para as pessoas envolvidas.

Por exemplo: “Que pena que a proposta não foi aprovada por conta deste erro. Eu poderia ter feito uma revisão final, ou ter solicitado para alguém da equipe. Farei isso da próxima vez”

Desta forma, você demonstra que a liderança é realmente colaborativa. E dá o exemplo para seus liderados de como se responsabilizar pelas falhas, sem se culpar nem culpar os outros.

 

A Comunicação Não-Violenta oferece mecanismos que nos ajudam a desenvolver nossa habilidade de nutrir relações de confiança. Como qualquer ferramenta poderosa, aplicada mecanicamente pode ser usada com a intenção de ferir, manipular ou diminuir outras pessoas. A CNV deve ser utilizada com comprometimento à conexão humana – ao ato de valorizar as necessidades do outro tanto quanto as nossas próprias.

 

Confira qual o tipo de liderança que você tem cultivado na sua organização!

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Como responder às críticas por estar utilizando a linguagem da Comunicação Não-Violenta

Como responder às críticas por estar utilizando a linguagem da Comunicação Não-Violenta

Você está iniciando sua jornada de aprendizado da Comunicação Não-Violenta… Já é um desafio gigante começar a escutar sentimentos e necessidades por trás dos seus próprios pensamentos.

Como é para você quando você tenta se expressar a partir desse novo lugar com uma outra pessoa, e ela diz:

“Você está agindo de um jeito esquisito.”

“Você fica falando essas coisas estranhas.”

“Lá vem você com CNV para cima de mim.”

 

Isso é muito fácil de acontecer, principalmente quando nos perdemos do objetivo principal da CNV, que não é obter o que queremos, mas nos conectar com outro ser humano. Mostrar para ele que você se importa com ele, tanto quanto você se importa consigo mesmo.

 

Questione-se sobre qual é a sua intenção ao se expressar a partir dos componentes ou termos da CNV. Eles nos apoiam a não usar palavras que carreguem julgamentos na nossa expressão, mas se eles estiverem gerando desconexão, não faz muito sentido seguir desta forma.

Pedidos de conexão, antes de pedidos de ação, podem evitar esses incidentes.

Escutar o que o outro pensa, sente e quer, também.

Expressar a sua real intenção, mais ainda.

Lembre-se que você está falando Com o outro, e não Para o outro.

 

Segue um exemplo de reação para essa situação:

1. Escute com empatia, e compreenda as necessidades do outro quando diz o que diz. Mostre que compreendeu:

“Você fica incomodado ao me ver falando de um jeito diferente que eu costumava? Você gostaria que tivéssemos conversas mais leves, mais espontâneas…?”

 

2. Exponha sua intenção ao fazer o que você está fazendo:

“…eu também quero que nossas conversas sejam espontâneas. E quero encontrar formas da gente se entender, cuidar da nossa relação. Praticar Comunicação Não-Violenta foi uma estratégia que encontrei para isso…”

 

3. Faça um pedido de conexão:

“…mas enquanto estou aprendendo, as coisas podem não sair tão espontâneas como eu gostaria. Seria muito bom ter compreensão, e apoio nesse processo. O que você pensa sobre isso?”

 

E a partir dessa conexão, um pedido de ação que contemple as necessidades dos dois é muito mais possível de ser encontrado.

 

Experimente, e conte para mim como foi!

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Como utilizar a comunicação não-violenta de forma natural

Como utilizar a comunicação não-violenta de forma natural

Necessidades Humanas Universais

São nossos motivadores mais centrais. Tudo que fazemos, fazemos com a intenção de atender nossas necessidades humanas universais.

Todos os seres humanos compartilham das mesmas necessidades. Nós todos precisamos das mesmas coisas para nos sentirmos prósperos e realizados. Além das necessidades óbvias de abrigo, ar, e alimento, por exemplo, todos nós queremos ter Autenticidade, Autonomia, Pertencimento, Reconhecimento, Consideração.

As estratégias que utilizamos para atender essas necessidades podem ser diferentes. Os conflitos ocorrem no nível das estratégias, acoplado com interpretações, e não no nível das necessidades.

A linguagem das necessidades humanas universais

A Comunicação Não-Violenta nos convida a substituir a linguagem da culpa e dos julgamentos pela linguagem das necessidades. Mas como utilizar uma linguagem da qual, muitos de nós, nem temos vocabulário? Nem sabemos quais palavras utilizar para expressar o que precisamos!

Infelizmente, nossa cultura não nos estimula a olhar para o que estamos precisando. Mas sim, a olhar o que os outros fazem de certo e errado.

Por isso Marshall Rosenberg criou uma lista de palavras que expressam sentimentos e necessidades, e que nos apóia no processo de aprendizagem dessa nova linguagem. Autores da Comunicação Não-Violenta, permanecem desenvolvendo essa lista. Aqui você pode baixar gratuitamente uma versão da lista de palavras que expressam sentimentos e necessidades.

 

Como tornar o uso da linguagem da Comunicação Não-Violenta mais natural

Um dos maiores argumentos de quem resiste à pratica da CNV é que ela é muito robótica, mecânica, artificial.

Isso é trágico porque o objetivo da CNV é conexão. E ela não acontece se a outra pessoa sente que está conversando com um livro.

 

Primeira dica: Procure não utilizar a palavra “necessidade”

Tendo claro o conceito das necessidades humanas universais, quando você for expressar suas necessidades ou fazer hipóteses empáticas, procure substituir a palavra “necessidade” por termos como:

“Eu gostaria / Você gostaria”, “Eu adoraria / Você adoraria”, “Eu quero / Você quer”, “Eu preciso / Você precisa”

Por exemplo:

Utilizando a palavra “necessidade”
Substituindo a palavra “necessidade”
Sua necessidade é de espontaneidade?
Você gostaria de ter mais espontaneidade?
Eu tenho a necessidade de companhia.
Eu adoraria ter companhia.
Eu tenho a necessidade de reconhecimento.
Eu quero reconhecimento.
Minha necessidade é de autenticidade.
Eu preciso de autenticidade.

 

Em vez de utilizar a palavra “necessidade”, podemos utilizar também o termo “Isso me traria / Isso te traria”, por exemplo:

Utilizando a palavra “necessidade”
Substituindo a palavra “necessidade”
Sua necessidade é de segurança?
Isso te traria mais segurança?
Eu tenho a necessidade de aprendizado.
Isso me traria aprendizado.

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Se você quiser se aprofundar na prática, vem conhecer o nosso grupo!

 

Segunda dica: Substitua as palavras da lista de necessidades

Segurança, Escuta, Empatia, Pertencimento, Igualdade… As palavras que expressam necessidades humanas universais são palavras que não temos o hábito de utilizar no nosso dia a dia. Num diálogo real, pode ser que utilizá-las gere algum estranhamento e não seja tão produtivo.

Uma estratégia para identificar necessidades, além da utilização das listas, é encontrar respostas para as seguintes perguntas:

Para investigar e expressar as minhas necessidades:

“Do que eu mais preciso agora?”

“O que o meu coração realmente quer?”

“O que enriqueceria a minha vida neste momento?”

 

Para investigar as necessidades de outra pessoa e demonstrar empatia por ela:

“Do que você mais precisa agora?”

“O que o seu coração realmente quer?”

“O que enriqueceria a sua vida neste momento?”

 

Segue alguns exemplos de expressões de necessidades, sem necessariamente utilizar as palavras da lista. E que podem te ajudar a ter um diálogo de forma mais natural e fluida, com pessoas de qualquer idade. Ao utilizá-los, escolha o que funciona para você e para o seu contexto.

 

  • Autonomia:

Escolher o que é melhor para si

Tomar suas próprias decisões

 

Compare as frases utilizando cada dica:

Utilizando a palavra “necessidade”Substituindo a palavra “necessidade”
O que o coração realmente quer?
Sua necessidade é de autonomia?Você gostaria de ter mais autonomia?
Você gostaria de escolher o que é melhor para você?
Tenho a necessidade de autonomia.Eu adoraria ter mais autonomia.
Eu adoraria tomar minhas próprias decisões.

O mesmo pode se aplicar para todas as necessidades humanas universais.

 

  • Expressão:

Falar suas opiniões

Expressar seus sentimentos

 

  • Autenticidade:

Ser quem você realmente é

 

  • Escuta:

Ser escutado

 

  • Consideração:

Ser considerado

Ter suas ideias levadas em consideração

 

  • Inclusão:

Se sentir incluído

Sentir que faz parte

 

  • Pertencimento:

Saber que pertence

Saber que faz parte de um lugar

Saber que faz parte de um grupo

 

  • Igualdade:

Que todos tenham direitos iguais

Que todos sejam considerados

 

  • Importância:

Saber que é importante

Saber que é útil

Saber que suas necessidades importam

 

  • Contribuição:

Poder ajudar os outros

 

  • Confiança:

Poder confiar

Se sentir confiante

 

  • Previsibilidade:

Saber o que vai acontecer

Se preparar para o que vier

 

  • Proteção:

Evitar/prevenir riscos

Evitar/prevenir decepções

Evitar/prevenir desconfortos

Evitar/prevenir dores

 

  • Empatia:

Que as pessoas tentem se colocar no seu lugar

Que tentem imaginar como você se sente

Que tentem imaginar o que é importante para você

 

  • Reconhecimento / Valorização

Ter reconhecimento pelos seus esforços, dedicação

Ser reconhecido

Ser valorizado

 

  • Propósito:

Fazer coisas que façam sentido

Ter objetivos que façam sentido

 

  • Realização:

Se sentir realizado

Alcançar seus objetivos

 

Lembre-se que o objetivo da Comunicação Não-Violenta é conexão humana. Quando a CNV “não dá certo”, são grandes as chances de que você esteja a utilizando com uma intenção que esteja em desacordo com os pressupostos da abordagem. Leia este artigo sobre a intenção da CNV: Comunicação Não Violenta é uma questão de Intenção.

Se, mesmo diante das tentativas sugeridas neste artigo, utilizar a linguagem da Comunicação Não-Violenta gerou estranhamento para outras pessoas, leia este artigo aqui: Como responder às críticas por estar utilizando a linguagem da Comunicação Não-Violenta.

 

Se o que escrevi te tocou de alguma forma, deixe eu saber disso! Vou adorar receber seu feedback, seja qual for.

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Qual a origem do termo “Comunicação Não-Violenta”?

Qual a origem do termo “Comunicação Não-Violenta”?

A Comunicação Não-Violenta, também chamada de Comunicação Compassiva, é um processo que faz uma integração entre desenvolvimento pessoal e transformação social

A abordagem da Comunicação Não-Violenta, bem como seu nome, foi criada pelo psicólogo americano Marhsall Rosenberg. Ele faz uso do termo ‘não-violência’ com o sentido que Gandhi atribuiu ao mesmo – referindo-se a nosso estado compassivo natural quando a violência houver se afastado do coração.

Gandhi se referia à não-violência utilizando o termo sânscrito Ahimsa.

“Ahimsa significa a erradicação do desejo de ferir ou matar.” Mohandas Gandhi

É um princípio abrangente, não se limita à dualidade da oposição à violência, mas trata-se de um princípio ético que se baseia no potencial que é desencadeado quando a vontade de ferir o outro é transcendida.

Reconhecer que somos violentos é o primeiro passo para que possamos mudar a qualidade de nossas atitudes. Com frequência, não reconhecemos nossa violência porque somos ignorantes a respeito dela.

 

Segue as palavras de Marshall sobre o termo “Comunicação Não-Violenta”:

“Eu não gosto desse título, mas porque eu uso? Bem, eu uso porque ao longo dos anos isso me conecta com pessoas ao redor do mundo que acham nosso treinamento muito valioso para suas vidas e para suas atividades políticas. Então eu tenho usado esse nome porque ele me conecta com pessoas. 

Mas por que eu não gosto do título? Uma das razões é a mesma pela qual Gandhi não gostava da expressão “não-violenta”. Porque expressa algo que não é. E a Comunicação Não-Violenta foca no que nós queremos, não somente no que não queremos. Além disso, comunicação é apenas uma pequena parte do que irei compartilhar.”

 

Muitas pessoas têm uma impressão errônea sobre essa visão. Como se não-violência fosse sinônimo de passividade, conformismo. Mas estamos falando sobre não-violência, e não sobre não-ação.

Sem a consciência da não-violência, tendemos a acreditar que as únicas respostas possíveis a um ataque são nos render ou lutar para nos defender: a resposta de lutar-ou-fugir. A não-violência é a escolha que se abre quando não queremos adotar nenhuma dessas duas posturas. Ela nos oferece uma terceira via possível e natural.

Em termos da nossa intenção consciente, não estamos tentando “vencer”, nem com medo de perder; nosso objetivo é crescer, se possível, até mesmo juntamente com aquele que se opõe a nós.

“A não-violência é o maior poder com o qual a humanidade foi dotada” Mohandas Gandhi

 

A linguagem da Comunicação Não-Violenta é uma via que nos ajuda a trocar as lentes que olhamos para o mundo e para as pessoas. A gerar compreensão e compaixão onde parecia ser improvável, aliados à ação e à mudança. Comunicação Não-Violenta nos aproxima do que Gandhi chamava de Ahimsa.

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Treinamento de Comunicação Não-Violenta

14 e 15 de março 2020

O que podemos fazer quando ninguém parece estar disposto a nos escutar?

O que podemos fazer quando ninguém parece estar disposto a nos escutar?

Num post anterior, escrevi sobre as dificuldades de praticar a Comunicação Não-Violenta quando você não tem ninguém próximo a você com o mesmo objetivo. Sobre o quanto isso pode ser solitário e desmotivador.

Aqui vamos falar sobre o que podemos fazer quando nos sentirmos dessa forma.

O que podemos fazer para cuidar de nós mesmos quando ninguém parece estar disposto a nos escutar?

O que podemos fazer para construir uma comunidade onde possamos nos apoiar?

 

Olhar para dentro

  • Antes de mais nada, é importante tomar um tempo

Me lembro de vezes que tive a infeliz ideia de pedir para ser escutada, ser compreendida, afogada num estado cerebral tomado pelo instinto de luta, na tentativa de me defender. Parecia que era uma questão de vida ou morte – é essa a impressão que temos quando agimos por impulso, e há grandes chances de um momento como esse ser acompanhado por um amargo arrependimento.

Para prevenir isso, crie uma estratégia para escutar seu corpo quando ele entra em um estado de luta, fuga ou paralisação. E para se lembrar de que este não é um momento fisiologicamente favorável para ter conversas desafiadoras e tomar decisões.

 

  • Você com você mesmo, pode procurar identificar: “o que estou sentindo, do que estou precisando?”

Autoconexão. Quais são seus sentimentos? Quais são suas necessidades? Esse é o ponto de partida se queremos nos preparar para buscar estratégias não violentas para atender nossas necessidades. Tudo bem precisar das cartas do baralho, das listas de apoio à prática da Comunicação Não Violenta. Tudo bem precisar escrever, ou mesmo descobrir isso com ajuda de alguém através de uma escuta empática. Ter clareza é um ponto de partida que faz toda diferença.

 

  • Você com você mesmo, pode também procurar esclarecer como você quer sua necessidade seja atendida

Mais autoconexão. Se quero ser escutada, se quero empatia, e quero pedir por isso, o que eu espero que o outro faça? O outro não tem como adivinhar. Faz sentido pedir isso para essa pessoa específica, nessa ocasião?

Em várias ocasiões em que eu precisei de escuta, não fazia sentido para mim pedir para que o outro esperasse eu terminar de falar antes dizer algo, me dissesse o que ele entendeu do que eu disse, me dissesse como ele imaginava que eu estava me sentindo, ou do que eu estava precisando. Porque naqueles momentos era mais importante espontaneidade, leveza, aceitação, inclusão.

 

  • Você com você mesmo, pode ir aos poucos ir tomando consciência dos seus limites

Sim, autoconexão de novo. Tendo consciência dos meus limites, eu me protejo, protejo os outros, e mantenho meu abastecimento de energia para seguir praticando a consciência nas minhas relações.

 

  • Um conselho: aceite que a prática da Comunicação Não-Violenta, da empatia, da escuta, nem sempre acontecerá com as pessoas próximas a você

Foi, e ainda é doloroso aceitar que não serei escutada da forma como eu gostaria pelas pessoas mais próximas a mim. Geralmente elas querem contribuir, consertar as situações para interromper o meu sofrimento, antes de eu esvaziar o que tenho a dizer e sentir.

Enquanto as pessoas estiverem inconscientes do quanto é enriquecedor e curativo ajudar apenas estando presente, silenciando suas vozes para dar vez à nossa, teremos que procurar apoio com pessoas fora do nosso círculo de convivência.

 

Estratégias de ação

  • Construir uma rede de apoio

Não há nada mais aliviante do que saber que tenho pessoas preparadas para me escutar, como eu quero ser escutada. Que me acompanham nos meus sentimentos. Que não tentam me diagnosticar, me consertar. Elas me ajudam a encontrar meus sentimentos e necessidades quando estou no campo dos julgamentos.

E é bom ter várias pessoas com quem possamos contar, porque elas também têm suas questões e indisponibilidades. Assim você aumenta a possibilidade de ter alguém disponível nos momentos que você precisar.

Eu resisti um pouco a isso no começo. Me soava estranho, artificial. Espontaneidade era (e ainda é) algo importante para mim. Mas aos poucos fui percebendo o quanto APOIO era mais importante que espontaneidade naquele momento. E vejo que adquirimos naturalidade e leveza através da prática, do tempo e da constância.

 

  • Frequentar e construir grupos que cultivam práticas de empatia

Em várias cidades do Brasil já existem movimentos acessíveis que cultivam práticas da Comunicação Não-Violenta. Se você não encontrar na sua cidade, você pode começar a construir um grupo. O instituto CNV Brasil pode te apoiar neste movimento de construir Círculos Empáticos.

Para quem já passou por algum curso introdutório de CNV, tem também a possibilidade de participar do grupo online de apoio à prática da Comunicação Não-Violenta:

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Se você quiser se aprofundar na prática, vem conhecer o nosso grupo!

  • E principalmente, seja a mudança que você quer ver no mundo

Os desafios nas relações humanas estão aí todos os dias, todas as horas, e podemos aproveitá-las para gerar transformação com cada escolha que fazemos.

“A cada interação, conversa e pensamento, vemo-nos diante de uma escolha: promover a paz ou perpetuar a violência.”

Marshall Rosenberg

 

Para acalmar nossos corações, leia um conto sobre vencer as dolorosas dificuldades de construir um mundo melhor neste post aqui.

E para você, uma música maravilhosa de aquecer o coração – Ciganos do Espaço, da banda Tukum.

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Reconexão com o que é mais importante

Reconexão com o que é mais importante

Em um post anterior escrevi sobre o quanto pode ser ser solitário e desmotivador praticar a Comunicação Não-Violenta quando não temos ninguém próximos a nós com o mesmo objetivo.

Num outro escrevi sobre o que podemos fazer para cuidar de nós mesmos quando ninguém parece estar disposto a nos escutar, e o que podemos fazer para construir uma comunidade onde possamos nos apoiar.

E aqui neste post te apresento a Esperança expressada em ficção, mas acredito que ressoará dentro de você com de uma forma surpreendentemente real.

Se desprenda de suas crenças e das definições enrijecidas que você possa ter de palavras específicas, e se deleite!

 

Um Encontro da Tribo…

Por Charles Eisenstein / Tradução: Jade Arantes

Era uma vez, uma grande tribo de pessoas que moravam em um mundo muito distante do nosso. Se muito distante no espaço, no tempo, ou até mesmo além do espaço/tempo, nós não sabemos.

Eles viviam em um estado de encantamento e alegria que poucos de nós, hoje, ousamos acreditar que poderia existir, a não ser naquelas experiências de pico excepcionais, quando vislumbramos o verdadeiro potencial da vida e da mente.

Um dia o xamã dessa tribo convocou um encontro. As pessoas se reuniram em volta dele, e ele falou solenemente. “Meus amigos”, ele disse, “existe um mundo que precisa de nossa ajuda. Seu nome é Terra, e seu futuro está ameaçado. Seus humanos alcançaram um ponto crítico de seu processo de nascimento coletivo, e eles estarão natimortos sem a nossa ajuda. Quem gostaria de se voluntariar para uma missão nesse tempo e espaço, e oferecer serviço à humanidade?

“Nos conte mais dessa missão”, pediram.

“Estou feliz que você perguntou, porque não é uma missão pequena. Eu os colocarei em um transe profundo, tão completo que vocês se esquecerão de quem são. Vocês viverão uma vida humana, e no início vocês irão se esquecer completamente de suas origens. Vocês se esquecerão até de sua língua nativa e de seus verdadeiros nomes. Vocês serão separados da maravilha e beleza de nosso mundo, e do amor que envolve a todos nós. 

Vocês sentirão uma saudade profunda, no entanto, vocês não saberão exatamente do que estão sentindo falta. Vocês irão se lembrar do amor e beleza que conhecemos como normal por aqui, somente como um anseio no seu coração.”

“Sua memória tomará a forma de uma sabedoria intuitiva, enquanto mergulham na Terra dolorosamente marcada, de que um mundo mais bonito é possível.”

“À medida que crescerem naquele mundo, sua sabedoria receberá ataques constantes. Você será dito em milhões de maneiras que um mundo de destruição, violência, esgotamento, ansiedade e degradação é normal. Você pode passar por um período no qual estará completamente sozinho, sem nenhum aliado para assegurar a sua sabedoria de que há um mundo mais bonito. Você pode mergulhar em uma profundidade de desespero que nós, no nosso mundo de luz, não podemos imaginar. Mas independente de qualquer coisa, uma faísca dessa sabedoria nunca vai lhe abandonar. A memória de sua verdadeira origem estará codificada em seu DNA. Essa faísca estará adormecida em você, até um dia ser despertada.”

“Saiba, mesmo que você se sinta, por um período, absolutamente sozinho, você não estará sozinho. Eu lhe enviarei assistência, ajuda que você irá experimentar como miraculosa, experiências que você descreverá como transcendentes. Por alguns momentos, ou horas, ou dias, você se reacenderá para a beleza e alegria que são o seu destino. Você perceberá na Terra, mesmo que o planeta e seu povo estejam profundamente feridos, a beleza que ainda existe lá, projetada do passado e do futuro para o presente, como uma promessa do que é possível e um lembrete do que é real.”

“Vocês também receberão a ajuda uns dos outros. Assim que vocês iniciarem o despertar para sua missão, vocês conhecerão outros de sua tribo. Vocês os reconhecerão por seu propósito, valores e intuições comuns, e pela semelhança dos caminhos que vocês trilharam. À medida que a Terra alcance proporções de crise, os seus caminhos se cruzarão mais e mais. O tempo de solidão, o tempo de acharem que poderiam estar loucos, chegará ao fim.”

“Vocês encontrarão pessoas de sua tribo ao redor de toda a Terra, e se tornarão conscientes delas através das tecnologias de comunicação a longa distância daquele planeta. Mas a transformação real, o verdadeiro reconhecer, acontecerá em encontros cara a cara em lugares especiais na Terra. Quando muitos de vocês se reunirem, vocês se lançarão a um novo estágio de sua jornada, o qual, eu os asseguro, vai terminar onde começou. Então, a missão que se encontrava inconsciente dentro de você irá florescer à sua consciência.

A sua revolta intuitiva contra o mundo apresentado à você como normal se transformará em uma busca explícita para construir um mundo mais bonito.”

“Nos períodos de solidão, vocês estarão sempre procurando se reafirmar de que não estão loucos. Vocês farão isso dizendo para outras pessoas tudo que há de errado com o mundo, e vocês sentirão um verdadeiro sentimento de traição quando não lhe escutarem. Vocês estarão famintos por histórias de injustiça, atrocidade e destruição ecológica, tudo aquilo que confirma a legitimidade da intuição de que existe um mundo melhor. Mas depois de terem recebido completamente a ajuda que eu os enviarei, e despertarem juntos em seus encontros, vocês não mais precisarão fazer isso. Porque vocês saberão.

Sua energia se moverá ativamente na direção da criação daquele mundo melhor.”

Uma mulher da tribo perguntou ao xamã, “Como você sabe que isso irá funcionar? Você tem certeza que seus poderes xamânicos são grandes o suficiente para nos enviar em uma jornada como essa?”

O xamã respondeu, “Eu sei que vai funcionar porque eu já fiz isso várias vezes antes. Muitos já foram enviados para a Terra, para viverem vidas humanas, e construírem a fundação para a missão que vocês vão iniciar agora. Eu estive praticando! A única diferença é que agora muitos de vocês irão viajar para lá de uma vez. A novidade do período que vocês vão viver lá, é que os Encontros estão começando a acontecer.”

Um homem da tribo perguntou, “Existe um perigo de nos perdermos naquele mundo, e de nunca acordarmos do transe? Há um perigo de que o desespero, o cinismo, a dor da separação seja tão grande que apagará a faísca de esperança, a lembrança de quem verdadeiramente somos e de nossa origem, e então nós ficaremos separados de nossos amores para sempre?”

O xamã respondeu, “Isso é impossível. Quanto mais profundamente você estiver perdido, mais poderosa será a ajuda que vamos lhe enviar. A experiência dessa ajuda pode te chegar como a experiência de um colapso do seu mundo pessoal, da perda de tudo o que é importante para você. Você vai reconhecer, posteriormente, o presente que recebeu nisso tudo. Nós nunca vamos lhe abandonar.”

Outro homem perguntou, “É possível que a nossa missão falhe, e que esse planeta Terra irá perecer?”

O xamã respondeu, “Eu vou responder a sua pergunta com um paradoxo. É impossível que a sua missão falhe. Entretanto, o seu sucesso depende de suas ações. O destino do mundo está em suas mãos. A chave para esse paradoxo se encontra dentro de você, no sentimento que você carrega de que as suas ações, mesmo as suas batalhas internas mais secretas, tem significância cósmica.

Você saberá então, como sabe agora, que tudo que você faz importa.

Deus vê tudo.”

Não houveram mais perguntas. Os voluntários se reuniram em um círculo, e o xamã foi a cada um deles. Sua última lembrança é do xamã assoprando fumaça em suas faces. Eles entraram em um transe profundo e sonharam os seus caminhos para o mundo em que nos encontramos hoje.

Leitura extraída do capítulo 36 do Livro “The More Beautiful World Our Hearts Know Is Possible” – Charles Eisenstein.

Fonte: https://www.institutocnvb.com.br/post/um-encontro-da-tribo-1

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Quando viver a Comunicação Não Violenta parece ser extremamente solitário

Quando viver a Comunicação Não Violenta parece ser extremamente solitário

Comunicação Não-Violenta é linda!

Descobrir a mágica que a empatia faz, compreender as necessidades que motivam as pessoas a fazerem o que fazem, aprender a oferecer nossa escuta, nossa presença, aceitar que os sentimentos vêm e vão… Tudo isso transforma nossas vidas e relações profundamente.

Adquirimos clareza sobre julgamentos que nos perseguiram por tantos anos, isso nos liberta daquela visão limitada que tínhamos sobre as pessoas. Conseguimos ver a beleza por trás de tantas coisas que antes eram incompreensíveis!

Chegamos num lugar onde somos capazes de oferecer nossa empatia, nossa presença, nossa energia divina para os outros.

“Para além das ideias de certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá.” – Rumi

É maravilhoso ir para esse campo ao qual Rumi se refere, onde enxergamos o mundo e as pessoas além dos julgamentos sobre eles. Seria maravilhoso ir para esse lugar junto com as pessoas que estão próximas a nós. Mas muitas vezes isso não acontece.

 

E tem momentos que parece ser solitário. E até mesmo desmotivador.

Porque é muito difícil mudar hábitos enraizados em nós, mudar toda uma cultura, SOZINHOS. Sem o apoio das pessoas com quem nos relacionamos. Não julgar, não criticar, não corrigir, não interromper os outros, enquanto estamos rodeados de pessoas nos julgando, nos corrigindo, nos criticando, nos interrompendo.

Aprender Comunicação Não-Violenta, e encarar nossos trabalhos, famílias e comunidades violentas é algo extremamente desafiador. E não estou me referindo apenas à violência física, nem à violência aparente (xingamentos, acusações). Mas àquela intolerância mais sutil. Àquelas situações onde não parece ser aceitável ser quem você é, sentir o que você sente, precisar do que você precisa.

Eu acabei de passar por uma situação dessas, assim como já passei várias vezes. Eu estava carregada emocionalmente, num ambiente que acreditava estar segura. Eu esperava que as pessoas me escutassem como quando eu escuto alguém, de coração.

 

Seria lindo que as pessoas me escutassem como eu gostaria de ser escutada

Como quando eu me vejo surfando na onda da história da outra pessoa, silenciando meus pensamentos (sugestões, críticas, conselhos) para escutá-la, mostrando verbalmente e corporalmente para ela que estou compreendendo, checando com ela se estou compreendendo corretamente, e quando ela está completa, verificando se ela tem algum pedido para mim. Sem concordar, sem discordar. Oferecendo minha presença.

Anna Bolenna Quadrinhos

 

Eu queria tudo isso, mas eu não pedi. Porque “escuta” é algo estranho de se pedir dentro da nossa cultura. (Na nossa cultura é estranho “pedir” – por qualquer coisa que seja). A gente não aprende a pedir escuta. A gente não é ensinado a escutar.

 

Aprendemos a escutar para responder. E não para compreender.

E isso, para as abordagens que estudo, não é escutar.

Somos milhões de pessoas que precisam muito, muito, muito serem compreendidas. Mas também somos milhões de pessoas que não temos espaço dentro de nós para compreender os outros. Poucos de nós temos modelos de pessoas que façam isso na nossa educação, no nosso dia a dia.

A escuta, a compreensão, o acompanhar sentimentos desconfortáveis, acabou se tornando tarefa de profissionais especializados nisso. Mas não há profissionais e consultórios suficientes para atender tamanha demanda.

 

Do que precisamos afinal?

  • De Escuta, de Compreensão, de Clareza

Seria maravilhoso que as pessoas compreendessem que sentimentos desconfortáveis não precisam ser extirpados. Que, antes de conselhos, sugestões, intervenções, queremos apenas que elas nos compreendam. E quando falamos com alguém, encontramos também a rica oportunidade de escutar a nós mesmos, o que faz as coisas ficarem mais claras e compreensíveis para nós.

  • De Apoio, de Suporte, de Segurança, de Reciprocidade

Seria lindo poder contar que essas pessoas irão nos ajudar a identificar nossas intenções, observações, sentimentos, necessidades e pedidos, quando estamos afogados em julgamentos e dor. E essa pessoa também saber pode contar comigo.

  • De Autenticidade, de Vulnerabilidade, de Expressão

E assim, possamos nos sentir livres para nos expressar em nossa totalidade, sem medo, culpa ou vergonha.

  • De Comunidade, de Equilíbrio

E saber que estamos numa relação de benefício mútuo, onde não há sacrifício de nenhuma das partes. Pois todos se apoiam obedecendo seus limites, escutando suas próprias necessidades.

 

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Quais estratégias podemos colocar em ação para atender essas necessidades? Veja algumas sugestões neste post!

 

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Comunicação Não Violenta é uma questão de Intenção

Comunicação Não Violenta é uma questão de Intenção

A intenção da Comunicação Não Violenta é desenvolver uma qualidade de conexão que nos permita compreender e valorizar as necessidades uns dos outros, e então juntos explorar formas de atender as necessidades de todos. Nós mantemos essa intenção de nos conectar de coração para coração – mesmo quando estamos com raiva ou quando “não estamos afim” de nos conectar – através da lembrança de que, neste momento estamos escolhendo viver a partir do valor da Conexão.

Se focarmos apenas em obter resultados específicos, sem a intenção de nos conectar de ser humano para ser humano, coração para coração, então não importa o quão nosso discurso esteja de acordo com o modelo da Comunicação Não Violenta (observações, sentimentos, necessidades e pedidos), nós não estaremos expressando a consciência da CNV.

O modelo CNV consiste de mecanismos que nos ajudam a desenvolver nossa habilidade de nutrir relações compassivas. Como qualquer ferramenta poderosa, a CNV aplicada mecanicamente pode ser usada com a intenção de ferir, manipular ou diminuir outras pessoas. A CNV deve ser utilizada com comprometimento à compaixão – ao ato de valorizar as necessidades do outro tanto quanto as nossas.

Toda palavra e toda ação é uma escolha, por trás dela sempre há uma intenção. Cultive a atenção na intenção por trás das suas escolhas. Antes de abrir a boca para falar, ou de agir, se pergunte: “Qual a minha intenção aqui?”

Quando estamos conscientes da nossa intenção, temos a liberdade de permanecer nela ou de mudá-la.

(Raj Gill, Lucy Leu e Judi Morin – NVC Toolkit for facilitators)

 

Intenção que desconecta
Intenção que conecta
Mudar o outro
Ajudar o outro a atender suas necessidades de forma menos custosa