Quando viver a Comunicação Não Violenta parece ser extremamente solitário

Quando viver a Comunicação Não Violenta parece ser extremamente solitário

Comunicação Não-Violenta é linda!

Descobrir a mágica que a empatia faz, compreender as necessidades que motivam as pessoas a fazerem o que fazem, aprender a oferecer nossa escuta, nossa presença, aceitar que os sentimentos vêm e vão… Tudo isso transforma nossas vidas e relações profundamente.

Adquirimos clareza sobre julgamentos que nos perseguiram por tantos anos, isso nos liberta daquela visão limitada que tínhamos sobre as pessoas. Conseguimos ver a beleza por trás de tantas coisas que antes eram incompreensíveis!

Chegamos num lugar onde somos capazes de oferecer nossa empatia, nossa presença, nossa energia divina para os outros.

“Para além das ideias de certo e errado, existe um campo. Eu me encontrarei com você lá.” – Rumi

É maravilhoso ir para esse campo ao qual Rumi se refere, onde enxergamos o mundo e as pessoas além dos julgamentos sobre eles. Seria maravilhoso ir para esse lugar junto com as pessoas que estão próximas a nós. Mas muitas vezes isso não acontece.

 

E tem momentos que parece ser solitário. E até mesmo desmotivador.

Porque é muito difícil mudar hábitos enraizados em nós, mudar toda uma cultura, SOZINHOS. Sem o apoio das pessoas com quem nos relacionamos. Não julgar, não criticar, não corrigir, não interromper os outros, enquanto estamos rodeados de pessoas nos julgando, nos corrigindo, nos criticando, nos interrompendo.

Aprender Comunicação Não-Violenta, e encarar nossos trabalhos, famílias e comunidades violentas é algo extremamente desafiador. E não estou me referindo apenas à violência física, nem à violência aparente (xingamentos, acusações). Mas àquela intolerância mais sutil. Àquelas situações onde não parece ser aceitável ser quem você é, sentir o que você sente, precisar do que você precisa.

Eu acabei de passar por uma situação dessas, assim como já passei várias vezes. Eu estava carregada emocionalmente, num ambiente que acreditava estar segura. Eu esperava que as pessoas me escutassem como quando eu escuto alguém, de coração.

 

Seria lindo que as pessoas me escutassem como eu gostaria de ser escutada

Como quando eu me vejo surfando na onda da história da outra pessoa, silenciando meus pensamentos (sugestões, críticas, conselhos) para escutá-la, mostrando verbalmente e corporalmente para ela que estou compreendendo, checando com ela se estou compreendendo corretamente, e quando ela está completa, verificando se ela tem algum pedido para mim. Sem concordar, sem discordar. Oferecendo minha presença.

Anna Bolenna Quadrinhos

 

Eu queria tudo isso, mas eu não pedi. Porque “escuta” é algo estranho de se pedir dentro da nossa cultura. (Na nossa cultura é estranho “pedir” – por qualquer coisa que seja). A gente não aprende a pedir escuta. A gente não é ensinado a escutar.

 

Aprendemos a escutar para responder. E não para compreender.

E isso, para as abordagens que estudo, não é escutar.

Somos milhões de pessoas que precisam muito, muito, muito serem compreendidas. Mas também somos milhões de pessoas que não temos espaço dentro de nós para compreender os outros. Poucos de nós temos modelos de pessoas que façam isso na nossa educação, no nosso dia a dia.

A escuta, a compreensão, o acompanhar sentimentos desconfortáveis, acabou se tornando tarefa de profissionais especializados nisso. Mas não há profissionais e consultórios suficientes para atender tamanha demanda.

 

Do que precisamos afinal?

  • De Escuta, de Compreensão, de Clareza

Seria maravilhoso que as pessoas compreendessem que sentimentos desconfortáveis não precisam ser extirpados. Que, antes de conselhos, sugestões, intervenções, queremos apenas que elas nos compreendam. E quando falamos com alguém, encontramos também a rica oportunidade de escutar a nós mesmos, o que faz as coisas ficarem mais claras e compreensíveis para nós.

  • De Apoio, de Suporte, de Segurança, de Reciprocidade

Seria lindo poder contar que essas pessoas irão nos ajudar a identificar nossas intenções, observações, sentimentos, necessidades e pedidos, quando estamos afogados em julgamentos e dor. E essa pessoa também saber pode contar comigo.

  • De Autenticidade, de Vulnerabilidade, de Expressão

E assim, possamos nos sentir livres para nos expressar em nossa totalidade, sem medo, culpa ou vergonha.

  • De Comunidade, de Equilíbrio

E saber que estamos numa relação de benefício mútuo, onde não há sacrifício de nenhuma das partes. Pois todos se apoiam obedecendo seus limites, escutando suas próprias necessidades.

 

Grupo de apoio à prática da Comunicação Não-Violenta OnLine

Se você quiser se aprofundar na prática, vem conhecer o nosso grupo!

Quais estratégias podemos colocar em ação para atender essas necessidades? Veja algumas sugestões neste post!

 

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Online | 19nov

Comunicação Não Violenta é uma questão de Intenção

Comunicação Não Violenta é uma questão de Intenção

A intenção da Comunicação Não Violenta é desenvolver uma qualidade de conexão que nos permita compreender e valorizar as necessidades uns dos outros, e então juntos explorar formas de atender as necessidades de todos. Nós mantemos essa intenção de nos conectar de coração para coração – mesmo quando estamos com raiva ou quando “não estamos afim” de nos conectar – através da lembrança de que, neste momento estamos escolhendo viver a partir do valor da Conexão.

Se focarmos apenas em obter resultados específicos, sem a intenção de nos conectar de ser humano para ser humano, coração para coração, então não importa o quão nosso discurso esteja de acordo com o modelo da Comunicação Não Violenta (observações, sentimentos, necessidades e pedidos), nós não estaremos expressando a consciência da CNV.

O modelo CNV consiste de mecanismos que nos ajudam a desenvolver nossa habilidade de nutrir relações compassivas. Como qualquer ferramenta poderosa, a CNV aplicada mecanicamente pode ser usada com a intenção de ferir, manipular ou diminuir outras pessoas. A CNV deve ser utilizada com comprometimento à compaixão – ao ato de valorizar as necessidades do outro tanto quanto as nossas.

Toda palavra e toda ação é uma escolha, por trás dela sempre há uma intenção. Cultive a atenção na intenção por trás das suas escolhas. Antes de abrir a boca para falar, ou de agir, se pergunte: “Qual a minha intenção aqui?”

Quando estamos conscientes da nossa intenção, temos a liberdade de permanecer nela ou de mudá-la.

(Raj Gill, Lucy Leu e Judi Morin – NVC Toolkit for facilitators)

 

Intenção que desconecta
Intenção que conecta
Mudar o outro
Ajudar o outro a atender suas necessidades de forma menos custosa

 

Primeiros passos diante da Raiva

Primeiros passos diante da Raiva

O nosso sistema neurológico determina quem somos e o que fazemos. A maioria de nós não pensa no fato de que nosso cérebro tem muitas partes e funções diversas. É quase como se nosso cérebro tivesse múltiplas personalidades – algumas racionais, algumas irracionais; algumas ponderadas, algumas reativas. O segredo para prosperar é ajudar essas partes a trabalharem juntas, ou seja, integrá-las. A integração pega partes diferentes do cérebro e as ajuda a trabalharem juntas, como um todo.

Para que sejamos capazes de dar o nosso melhor durante uma conversa desafiadora, o nosso estado cerebral deve estar preparado para desempenhar esta função.

Quando nos permitimos agir com as emoções à flor da pele, somos tomados por elas, e perdemos a oportunidade de escolher o melhor comportamento para aquele momento. Perdemos a cabeça, fazemos e falamos coisas que não contribuem para uma solução construtiva.

Precisamos ter o domínio de nós mesmos (autodomínio), o que requer autoconsciência (capacidade de estarmos conscientes de nossos próprios sentimentos e entendê-los) e autorregulação (gestão dos nossos estados interiores), componentes essencias da inteligência emocional.

A autorregulação da emoção e dos impulsos depende grandemente da interação entre o córtex pré frontal e a amígdala.

 

Andar superior do cérebro

O córtex pré frontal é a área neural essencial para a autorregulação. Ela é o “bom patrão” do cérebro, no sentido de nos orientar para o melhor de nós. É o lugar do controle cognitivo, regulando a atenção, a tomada de decisões, a ação voluntária, o raciocínio e a flexibilidade na resposta.

Imagine que seu cérebro é uma casa, com um andar de cima e um de baixo. O cérebro do andar de baixo inclui o tronco cerebral e a região límbica, situadas nas partes mais baixas do cérebro. O andar de cima é feito do córtex cerebral e de suas diversas partes, especialmente o córtex pré frontal médio.

O cérebro do andar de cima é mais evoluído e dá uma perspectiva mais completa do mundo. Você pode imaginá-lo como um gabinete iluminado no segundo andar de um biblioteca repleta de janelas e claraboias que lhe permitem ver tudo com mais clareza. É onde ocorrem os processos mentais mais intrincados como pensar, imaginar e planejar. 

Quando o cérebro do andar de cima está acessível e funcionando bem, conseguimos controlar nossas próprias emoções, pensar nas consequências, refletir antes de agir e levar em consideração como os outros se sentem.

 

Andar inferior do cérebro e o Sequestro da Amígdala

Existe uma parte específica do andar de baixo do cérebro: a amígdala. É ela que nos permite agir antes de pensar. É a parte do cérebro que instrui nosso braço a se esticar para proteger o passageiro quando estamos dirigindo e precisamos frear de repente.

Ela é o radar do cérebro para ameaças. Nosso cérebro foi projetado como uma ferramenta de sobrevivência. Na planta do cérebro a amígdala detém uma posição privilegiada. Se ela detecta uma ameaça, logo aciona formas de lidar com o perigo imediato percebido. Quando este sistema de alarme dispara, o corpo recebe um fluxo de hormônios de estresse, principalmente cortisol e adrenalina, e obtemos a clássica reação lute-corra-ou pare. Num instante a amígdala consegue dominar o resto do cérebro – particularmente o córtex pré frontal – e temos o que é sequestro da amígdala.

O problema disso é que muitas vezes a amígdala comete erros. Embora ela obtenha seus dados no que vemos e ouvimos, ela apenas recebe uma pequena fração dos sinais que esses sentidos recebem. A vasta maioria vai para outras partes do cérebro que demoram mais tempo para analisar as informações mais rigorosamente. A amígdala, em contraste, obtém um retrato rudimentar e reage instantaneamente. Ela frequentemente comete erros, particularmente na vida moderna, em que os “perigos” são simbólicos, não são ameaças físicas. Então reagimos exageradamente de maneira das quais nos arrependemos mais tarde.

O sequestro da amígdala captura a nossa atenção, destinando-a exclusivamente à ‘ameaça’ em curso. Se você estiver no trabalho quando for sequestrado pela amígdala, não vai conseguir se concentrar no que seu trabalho exige – só vai conseguir pensar sobre o que está perturbando. Nossa memória também se esquiva, de maneira que nos lembramos prontamente do que é relevante em relação à ameaça – mas não conseguimos nos lembrar tão bem de outras coisas.

Durante um sequestro, não conseguimos aprender e dependemos de hábitos memorizados repetidamente, de comportamentos repetidos consecutivamente. Durante um sequestro, não conseguimos inovar, nem ser flexíveis.

Como resultado disso, somos incapazes – momentaneamente, ao menos – de controlar o corpo ou as emoções e  de usar todas as habilidades de pensamento de alta ordem, como pensar em consequências, resolver problemas, ou considerar o sentimento dos outros.

 

Sequestro da amígdala crônico

Na atmosfera de grande incerteza que vivemos, há muito medo flutuando livremente no ar. A ansiedade se apodera de nós. Há muita gente operando dia após dia no que vem a constituir um sequestro da amígdala crônico e de baixo nível.

Uma boa forma de ilustrar esse processo é comparar a maneira como humanos e animais reagem diante do perigo. Você deve se lembrar de algum documentário sobre a vida selvagem que assistiu na TV. Onde havia um rebanho de gazelas sendo caçado por um leopardo na savana africana. Aterrorizados, os animais correram feito loucos até que o leopardo capturou um deles ou desistiu da caçada naquele dia. Uma vez passado o perigo, as gazelas voltaram a pastar tranquilamente. Algo no cérebro delas foi acionado quando avistaram o leopardo e depois desativado quando a ameaça se dissipou.

Mas a mente humana é diferente. Quando nossas reações de luta-fuga-ou pare entram em ação, nossa mente começa a percorrer, de forma inconsciente, nossas lembranças em busca de algo que explique por que nos sentimos daquele jeito. Ela desenterra memórias de ocasiões passadas que nos sentimos ameaçados e depois cria cenários do que poderá ocorrer no futuro. O resultado disso é que os sinais de alerta do cérebro são ativados não apenas pelo perigo atual, mas por ameaças passadas e preocupações futuras.

Ao contrário das gazelas, não paramos de correr.

 

O que fazer diante disso?

 

SE APROXIME DA RAIVA

Quando identificamos a raiva como o resultado de algo errado em nós, nossa tendência é reprimí-la, em vez de lidar com ela. Reprimir ou negá-la nos leva a expressá-la de formas perigosas para nós e para os outros.

A raiva não é algo que deve ser suprimida. A raiva é um presente que nos desafia a nos conectar com necessidades não atendidas que desencadearam a nossa reação.

Não diga a si mesmo que “não deveria” pensar daquela maneira. Não diga que é errado sentir raiva. Pois isso só perpetuaria a raiva para si.

 

TOME O TEMPO QUE VOCÊ PRECISA

A melhor escolha a se fazer quando estivermos com raiva, é parar. Muitos caminhos se abrem se dermos tempo para evocar nossas habilidades para lidar com ela.

“Quando uma aflição mental surgir, aja como um pedaço de madeira” Shantideva

No livro Living Non Violent Communication, com edição de 2012 ainda sem tradução para o português, Marshall Rosenberg escreveu sobre as três palavras que ele provavelmente disse mais que qualquer três palavras nos últimos quarenta anos: TAKE YOUR TIME.

A tradução que eu acredito que seria mais fiel é: tome o tempo que você precisa.

Neste livro, ele fala sobre uma figura poderosa que o ajudava a se lembrar de tomar o tempo que ele precisa. Era um amigo de Israel, que perdeu o filho em batalha. Ele escreveu um livro em homenagem ao filho para o ajudar a superar a perda, e na primeira página tinha a foto do filho dele, que usava uma camiseta escrito “Take your time”. Marshall pediu a imagem em tamanho maior para o amigo/autor do livro para o ajudar a se lembrar disso, e explicou o porquê essas três palavras eram tão importantes para ele. E então o amigo disse, uma coisa que ajudaria mais ainda. Quando o filho dele morreu, ele foi ao escritório do comandante e perguntou “Porque você mandou o meu filho? Você não percebeu que qualquer pessoa que você mandasse para essa missão, seria pra ser morto?” E o comandante falou: “We didn’t take our time.” Ou seja, nós não tiramos o tempo que precisávamos.

Por isso que ele disse o quanto era importante para ele ser capaz de diminuir o ritmo, tomar o tempo que precisa, para partir de uma energia que ele escolha partir, a partir da energia que ele acredita ser a energia que fomos feitos para partir, e não a energia que foi programada em nós.

Este amigo de Marshall escreveu um poema do qual primeira frase era “Take your time, it’s yours you know. ” Que traduzindo, seria, tome o tempo que você precisa, ele é seu afinal.

No momento da raiva, diminua o ritmo e assista os julgamentos que se passam na sua cabeça, como se estivesse assistindo um filme. Apenas perceba.

Lembre-se que, fazendo isso, não estamos negando o desejo natural do cérebro de solucionar problemas. Estamos simplesmente nos dando um tempo para escolher a melhor forma de resolvê-los.

 

VOCÊ NÃO É SEUS PENSAMENTOS

Veja os pensamentos como eventos mentais, em vez de vê-los como reais. Em vez de se definir como aquilo que você está sentindo.

Os pensamentos não passam de pensamentos. São eventos criados pela mente. Costumam ser valiosos para tomar nossas decisões, mas eles não são “você” ou a “realidade”. São uma narração interna sobre você e seu mundo.

A pura consciência transcende o pensamento. Permite que você cale a mente tagarela e iniba seus impulsos e emoções reativas. Possibilita que você olhe para o mundo com os olhos abertos.

“As nuvens sempre passam. Podem ser nuvens claras ou escuras, mas sempre passam. Talvez tenha que chover uma tempestade, mas ela também passa. Compreenda que você não é a nuvem, você é o céu.”

Sri Prem Baba

 

PERCEBA SEU CORPO

Tome consciência das coisas que acontecem com o seu corpo quanto você está com raiva. Os batimentos cardíacos aumentam, o sangue flui para as mãos e as aquecem, a respiração se torna mais intensa, você transpira mais? Dá uma pontada no estômago? Ombros enrijecidos? Dentes cerrados? Punhos fechados?

Se você puder perceber sensações familiares de que um sequestro da amígdala está começando. Quanto mais no início do ciclo do sequestro você estiver, mais fácil será interromper o processo.

 

Cérebro integrado

Depois que você se perceber que não é mais refém de um sequestro da amígdala, e consegue acessar o andar de cima do seu cérebro, existem muitas possibilidades de interagir com as pessoas a partir de uma energia que você escolheu partir. O diálogo é uma delas.

 

Bibliografia:

GOLEMAN, Daniel. O Cérebro e a Inteligência Emocional – Novas Perspectivas. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

ROSENBERG, Marshall. Living Nonviolent Communication – Practical Tools to Connect and Communicate Skillfully in Every Situation. Bouder: Sounds True, 2012.

ROSENBERG, Marshall. Comunicação Não-Violenta – Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Editora Ágora, 2006.

SIEGEL, Daniel. O Cérebro da Criança: 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho e ajudar sua família a prosperar. São Paulo: nVersos, 2015.

WILLIAMS, Mark; PENMAN, Danny. Atenção Plena: Mindfulness. Rio de Janeiro: Sextante, 2015.

As nove necessidades humanas básicas

As nove necessidades humanas básicas

Toda crítica, toda atribuição de culpa, toda reclamação, é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida.

Podemos ser muito mais verdadeiros se dissermos qual a nossa necessidade, sem nenhuma palavra que implique culpa ou crítica. Mas isso não é fácil porque as pessoas geralmente não têm essa linguagem de necessidades.

Nós sugerimos que cada um tenha um vocabulário de pelo menos nove necessidades humanas. Eu escolhi o número 9 após ter lido uma pesquisa feita pelo economista Manfred Max-Neef, do Chile. Todo seu sistema de economia é baseado em necessidades humanas. Manfred Max-Neef e seus colegas avaliaram o sucesso de uma economia de uma forma radicalmente diferente da que fazemos nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, assim como no Brasil, o sucesso de uma economia depende do PIB (produto interno bruto), que essencialmente nos diz quanto dinheiro é feito em determinadas áreas. Esse modo de sistema considera sucesso quando os ricos ficam mais ricos e os pobres ficam mais pobres.

Na abordagem de Manfred Max-Neef a medida do sucesso econômico é baseada no quanto as necessidades humanas estão sendo atendidas por todas as partes da cultura. Assim, como todo o seu sistema de economia é baseado em necessidades humanas, eles tiveram que pesquisar quais são as necessidades humanas básicas que precisam ser atendidas se quisermos ter um mundo seguro, saudável e pacífico. Eles chegaram ao total de 9 necessidades essenciais. O sucesso de um sistema econômico desse tipo é medido pelo quão bem essas necessidades estão sendo atendidas por todos na população.

Essa pesquisa realmente me ajudou, pois eu tinha uma lista de cerca de 150 palavras que me ajudavam a desenvolver meu vocabulário de necessidades. Mas eu percebi que algumas dessas palavras falavam a mesma coisa de maneira diferente e que poderiam ser consideradas uma só necessidade. Então talvez nós possamos sintetizar as necessidades humanas essenciais em nove principais. As quais precisamos ser realmente capazes de expressar para as outras pessoas. Então deixe-me dizer quais são essas nove necessidades que o Manfred Max-Neef utilizou, mas eu vou usar mais a minha linguagem do que a dele:

 

  1. Sustento (Necessidades físicas básicas)
  2. Segurança (Proteção)
  3. Amor
  4. Empatia (Ser escutado)
  5. Descontração
  6. Comunidade (Integração social)
  7. Criatividade
  8. Autonomia (Escolher nosso próprio modo de viver, nosso próprio caminho)
  9. Sentido (Contribuir para a vida. Ver como nossos esforços fizeram a vida das pessoas mais prósperas)

 

Pegue essas nove necessidades, e adapte-a para o seu próprio vocabulário. Não precisa ser essas palavras que foram mencionadas. Procure palavras que façam sentido para você. Em seguida, quando você desenvolver um vocabulário de necessidades que funcione para você, você verá que nem sempre ele funcionará para outras pessoas com quem você está se comunicando.

Por exemplo, se você tem uma criança de três anos na sua casa, a palavra “autonomia” pode não fazer sentido para ela. Mesmo que você saiba o que ela significa, e que ela faça sentido para você. Mas a criança de 3 anos, pode não conhecer a palavra autonomia. Porém ela tem a necessidade de autonomia.

Porque todos os seres humanos têm as mesmas necessidades. Mesmo que nossos vocabulários para descrever essas necessidades sejam diferentes, todos nós temos as mesmas necessidades.

Para nos conectarmos realmente de modo a promover compaixão entre nós e as pessoas, precisamos ser capazes de expressar nossas necessidades em uma linguagem que faça sentido para elas.

Então pegue, por exemplo, essa lista de nove necessidades que fazem sentido para você, e tente adaptá-las para fazer sentido para a uma criança de três anos de idade, por exemplo. E se você tiver que lidar com um grupo de jovens adolescentes, pense em como você poderia expressar essas necessidades, de modo que faça sentido para eles. Se estiver trabalhando em uma escola com professores, traduza essas necessidades para uma linguagem que eles possam compreender. E assim por diante.

Em outras palavras, se realmente queremos nos conectar com seres humanos, de uma forma que nos permita apreciarmos uns aos outros, desfrutar e contribuir para o bem estar uns dos outros, temos que ser muito alfabetizados na linguagem das necessidades.

 

Fonte: Fala de Marshall Rosenberg | https://www.youtube.com/watch?v=ZPCjezkAgWI&t=1353s

 

Indicações de livros

Indicações de livros

Muita gente me pede indicações de livros para iniciar a jornada de construir relacionamentos melhores com os outros e consigo mesmo. Por isso fiz este post com uma relação dos livros que indico sobre o assunto. Esta lista está sendo constantemente alimentada, algo que está em constante construção.

Boa leitura!

 

Sobre Comunicação Não-Violenta

  • Comunicação Não-violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – por Marshall B. Rosenberg
  • A linguagem da paz num mundo de conflitos – por Marshall B. Rosenberg
  • Vivendo a comunicação não violenta – por Marshall B. Rosenberg
  • Deixe de Ser Bonzinho e Seja Verdadeiro – por Thomas D’Ansembourg
  • Não Seja Bonzinho, Seja Real – por Kelly Bryson

 

Sobre conexão consigo mesm@

  • Comunicação Não-violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – por Marshall B. Rosenberg
  • Autocompaixão: Pare de se torturar e deixe a insegurança pra trás – por Kristin Neff
  • A arte da imperfeição – por Brené Brown
  • A coragem de ser imperfeito: Como aceitar a própria vulnerabilidade, vencer a vergonha e ousar ser quem você é – por Brené Brown

 

Sobre criação de filhos de forma não violenta

  • Comunicação Não-violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais – por Marshall Rosenberg
  • A Autoestima do Seu Filho – por Dorothy Corkille Briggs
  • Disciplina positiva: O guia clássico para pais e professores que desejam ajudar as crianças a desenvolver autodisciplina, responsabilidade, cooperação e habilidades para resolver problemas – por Jane Nelsen
  • Disciplina positiva para crianças de 0 a 3 anos: como criar filhos confiantes e capazes – por Jane Nelsen
  • O cérebro da criança: 12 estratégias revolucionárias para nutrir a mente em desenvolvimento do seu filho e ajudar sua família a prosperar – por Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson
  • Cérebro adolescente: O grande potencial, a coragem e a criatividade da mente dos 12 aos 24 anos – por Daniel J. Siege
  • Educação não violenta – por Elisama Santos
  • Criar filhos compassivamente – por Marshall Rosenberg

 

Para apoiar no relacionamento com as crianças

  • Emocionário: Diga o que você sente – por Cristina Núñez Pereira,‎ Rafael R. Valcárcel
  • Ciranda do Ser – Comunicação Não-Violenta para Crianças – por Cristina Lobato
  • É Conversando que a Gente Se Entende – por Julia Luz
  • A linguagem da Girafa – Jean Morrison

 

Sobre Transformação de conflitos e Justiça Restaurativa

  • Transformação de conflitos – por John Paul Lederach
  • Mudando o tom da conversa: 17 princípios para resolver conflitos – por Dana Caspersen
  • Justiça restaurativa – por Howard Zehr
  • Trocando as lentes: justiça restaurativa para o nosso tempo – por Howard Zehr
  • Processos circulares de construção de paz – por Kay Pranis
  • Justiça Restaurativa na educação: Promover responsabilidades, cura e esperança nas escolas – Katherine Evans e Dorothy Vaandering

 

Sobre Sistemas de Dominação x Sistemas de Parceria

  • O cálice e a espada – por Riane Eisler
  • Amar e brincar – por Humberto Maturana e Gerda Verden-Zoller

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Metodologias Colaborativas com Cristina Lobato

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