Que legal sua presença aqui! Fico feliz que a Comunicação Não Violenta esteja fazendo sentido para cada vez mais e mais pessoas.

Mas antes, preciso te deixar saber que esses passos são direcionados:

  • Para quem sabe que não pode mudar as outras pessoas, mas que as mudanças no seu próprio comportamento geram transformações nas reações delas;
  • Para quem não quer perpetuar violência através das suas ações;
  • Para quem tem como objetivo criar relações de confiança, e não manipular as pessoas para obter o que quer.

 

Nós não começamos a praticar Comunicação Não Violenta nas conversas que temos com as outras pessoas. Mas sim nas conversas que temos com nós mesmos.

Afinal, a linguagem que usamos em pensamento influencia na qual utilizaremos para nos comunicar com os outros.

Essa dinâmica da CNV na qual obtemos clareza e compreendemos o que se passa dentro de nós, chama-se Autoconexão. E ela é a raiz para uma boa escuta e para uma boa expressão. Por isso começaremos por ela.

O que ajuda a realizar mudanças sustentáveis relacionadas aos nossos hábitos de comunicação é fazer mudanças pequenas e incrementais que possam se sustentar com o tempo, ao invés de almejar mudanças bruscas, dolorosas e revolucionárias.

Por isso, em vez de consumir este conteúdo numa única sentada, sugiro que você dedique a energia de um dia todo para cada reflexão.

A proposta é que sejam 7 dias de reflexões e práticas para começar a praticar a Comunicação Não Violenta nas conversas que você tem consigo mesmo.

 

Dia 1:

Crie um espaço entre seus pensamentos e suas ações, onde haja a opção de fazer escolhas. De agir em vez de reagir.

Pare de agir impulsivamente e comece a agir conscientemente.

Essas vídeo aulas podem ajudar:

Comece a praticar a presença de estar no aqui e agora. Peça licença para as distrações internas (preocupações com o futuro e lamentações do passado) e externas (tecnologias, informações) para que você esteja consciente do que faz e pensa.

Tenha estratégias de fácil alcance para te prevenir de agir impulsivamente na hora do aperto. Porque não é sobre “se” esse momento vai acontecer, é sobre “quando” ele acontecerá.

Segue uma sugestão para deixar baixado no seu celular: Técnica STOP para gerenciamento emocional.

 

Dia 2:

Por trás dos nossos sentimentos de revolta, de raiva, de inconformação, por trás das acusações, das críticas e dos julgamentos que fazemos às pessoas, temos sentimentos vivos.

Na verdade, o tempo todo temos sentimentos. Só deixamos de ter sentimentos quando morremos. Quando achamos que não estamos sentindo nada, na verdade só não estamos percebendo o que estamos sentindo.

Acesse aqui uma lista sugestiva de palavras que expressem sentimentos.

Comece a dar nome para o que você sente. Afinal, só sabemos lidar com aquilo que conhecemos.

 

Insira no seu dia a dia, a prática do Check in:

Faça pausas entre uma tarefa e outra ao longo do dia. Entre tomar o café e voltar a trabalhar, entre finalizar os estudos e ir fazer o lanche, entre finalizar a refeição e arrumar a cozinha…

  1. Decida pausar;
  2. Faça 3 respirações profundas. Sinta o ar oxigenando todas as células do seu corpo;
  3. Faça uma checagem de como está o seu corpo 
  4. Procure uma palavra que expresse como você está se sentindo agora;
  5. Siga para a próxima atividade.

Tenha a lista de sentimentos acessível para te ajudar a encontrar palavras que expressem sentimentos.

Executar a prática é muito simples. O mais difícil é se lembrar de fazer.

Se você vive com o celular ao lado de você, troque as espiadas nas redes/mensagens no celular por um check in.

 

Dia 3:

Os sentimentos são mensageiros. Eles vêm para nós avisar que nossas necessidades estão sendo atendidas ou não.

A lista sugestiva de palavras que expressam necessidades humanas universais está na segunda página, logo após a lista de sentimentos que você baixou há pouco (ou clique aqui para baixar).

Quando temos sentimentos confortáveis, eles dizem que temos necessidades atendidas.

Quando temos sentimentos desconfortáveis, eles dizem que temos necessidades atendidas.

Por exemplo:

Eu me sinto cansada quando preciso de “descanso. Me sinto com medo quando não tenho “segurança”. Eu fico triste quando tenho a necessidade de “afeto” não atendida.

Me sinto maravilhada quando tenho “colaboração”. Me sinto segura quando tenho minha necessidade de “apoio” atendida.

Comece a dar nomes para as suas necessidades.

Como você se sente agora? Qual necessidade atendida ou não atendida esse sentimento vem para te avisar?

Use as palavras da lista para te ajudar a criar esse vocabulário de necessidades.

Na sua prática de pausa e check in, além dos seus sentimentos, identifique quais as necessidades atendidas ou não.

 

Dia 4:

Toda violência é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida.

Na tentativa de atender necessidades, muitas vezes escolhemos estratégias que, quando paramos para pensar, não fazem sentido algum, pois nos distanciam de termos as nossas necessidades atendidas.

Por exemplo, quando eu grito com alguém, estou tentando atender a minha necessidade de ser escutada, ser considerada. Mas na realidade, o que acontece, é o contrário. Quanto mais eu grito, menos as pessoas me escutam e me consideram.

Além de me distanciar de ter as minhas necessidades atendidas, quando não estou consciente delas, eu acabo causando danos para mim e para as outras pessoas.

Olhe com compaixão para as violências invisíveis que você pratica.

Identifique quais necessidades você tentava atender. Do que você estava tentando cuidar, quando fez ou disse algo que saiu de forma agressiva.

Dia 5:

Na CNV, partimos do princípio que tudo o que fazemos, fazemos para atender nossas necessidades humanas universais. São os motivadores mais centrais de todos os seres humanos.

Consciente ou inconscientemente, todos nós fazemos escolhas que tentam cuidar de coisas importantes para nós.

Você está lendo este material para atender, provavelmente, as suas necessidades de aprendizado, de conhecimento, de clareza.

Você toma banho para atender suas necessidades, pode ser de saúde e de bem estar.

Se você trabalha, você trabalha para atender suas necessidades. Pode ser de sustento, de segurança, de valorização, reconhecimento.

Se uma pessoa entrega sua bolsa para um ladrão armado, ela o faz para atender a sua necessidade de proteção, de sobrevivência.

Se uma pessoa deixa de fazer o que gosta para obedecer às ordens dos seus pais, pode ser que ela esteja atendendo suas necessidades de ser aceito, de pertencimento, de amor.

Na prática da Comunicação Não Violenta queremos sair do jogo da culpa, e começar a nos comunicar a partir do que está vivo em nós.

Faça o exercício de autorresponsabilidade.

Vamos começar a desafiadora jornada de nos responsabilizar pelas nossas ações.

 

Dia 6:

Nessa transformação da linguagem da culpa na linguagem das vida, a CNV nos convida a fazer a distinção entre o ESTÍMULO para os nossos sentimentos, e a CAUSA deles.

O estímulo consiste em tudo que acontece. Os fatores externos a nós. A causa consiste nas minhas necessidades atendidas ou não.

Por exemplo: Quando meu sócio não compareceu à reunião (estímulo), me senti irritado, pois a minha necessidade de apoio atendida (causa).

Um mesmo estímulo pode despertar sentimentos diferentes para mim, em momentos diferentes.

Por exemplo: Quando meu sócio não compareceu à reunião (estímulo), me senti aliviado, pois eu não tinha terminado o relatório que havíamos combinado de discutir. Tive minha necessidade de tranquilidade atendida (causa).

E um mesmo estímulo pode despertar sentimentos diferentes em pessoas submetidas à mesma experiência.

Por exemplo: Quando nosso sócio não compareceu à reunião (estímulo), eu me senti muito irritado porque a minha necessidade de apoio não foi atendida. Mas meu outro sócio se sentiu motivado porque, assim, ele teve a oportunidade de mostrar suas habilidades para o cliente. Ele pôde atender a sua necessidade de contribuição plenamente.

Pense em situações que você se diz que seus sentimentos são causados por outras pessoas. Escreva essas situações:

  1. Me sinto cansado porque meus filhos não me ajudam.
    2. Fiquei angustiada porque meu fornecedor não me entregou a matéria prima.
    3. Fico preocupada com o meio ambiente porque as pessoas não se conscientizam.
    4. Me sinto grata porque o meu marido é muito carinhoso.

Agora, para cada sentimento, separe Estímulo (o que acontece) da Causa (necessidades):

  1. Sentimento: Cansado / Estímulo: Meus filhos não me ajudam / Causa: Necessidade de apoio não atendida.
  2. Sentimento: Angustiada / Estímulo: Meu fornecedor não me entregou a matéria prima / Causa: Necessidade de previsibilidade não atendida.
  3. Sentimento: Preocupada / Estímulo: As pessoas não se conscientizam / Causa: Necessidade de colaboração, comunidade e apoio não atendidas.
  4. Sentimento: Grata / Estímulo: Meu marido é muito carinhoso / Causa: Necessidade de afeto e amor atendidas.

 

Dia 7:

Na linguagem da culpa misturamos os fatos com o que pensamos sobre os fatos. Com isso, ficamos presos em nossos julgamentos e na nossa visão distorcida sobre as pessoas e sobre o mundo.

Por isso, outra distinção importante da CNV é entre nossos julgamentos e as observações (fatos observáveis por qualquer observador).

Separe o que aconteceu, das suas opiniões sobre isso.

Por exemplo, se eu penso: “Meus tios são muito insensíveis, eles não cuidam da minha avó.” Este é um julgamento. Não há nada de errado em fazer julgamentos. Todos nós fazemos isso. O que queremos, é transcendê-los. E começamos separando-os dos fatos observáveis.

Para responder isso, pergunte-se: O que você viu ou escutou, que te despertaram esse pensamento?

A observação que você encontraria poderia ser: “Eu escutei minha tia dizer: ‘eu não tenho tempo de ficar cuidando dela’.”. Ou “Eu vejo minha avó sozinha em casa no dia do aniversário dela.”

Quando você se perceber fazendo julgamentos ou emitindo opiniões, dê um passo para trás e procure ter claro: quais os fatos observáveis de onde partiram suas opiniões, avaliações e julgamentos.

Descreva como se você estivesse fazendo um relato para a construção de um boletim de ocorrência.

Juliana Matsuoka
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