Estamos acostumados a encontrar pessoas se queixando, insatisfeitas com seu trabalho, não pela atividade em si. Mas pelas péssimas relações com seus colegas, clientes e chefes. Relações tóxicas, que geram ambientes tóxicos, pessoas desestimuladas, e resultados que deixam a desejar.

Num ambiente de trabalho onde as pessoas se acusam, se criticam, se ameaçam, elas não podem fazer nada diferente além de se defender ou atacar. Perdendo o foco do que é realmente importante, se distanciando cada vez mais do que todos desejam para si e para o mundo.

A Comunicação Não Violenta nos convida a reduzir os ruídos na comunicação causados por esses velhos padrões de ataque e defesa, para focar no estabelecimento de uma via por onde as mensagens que realmente queremos passar cheguem ao outro. Essa via se chama conexão humana.

Quando abandonamos a necessidade de nos atacar ou nos defender, uma gama enorme de possibilidades, de olhares e estratégias se abre.

Segue algumas práticas que você pode começar hoje, e cultivar ao longo do tempo:

 

– Fazer a prática do Check in e Check out nas reuniões

Cuidando do tempo para que ele não se extrapole, essas práticas nos ajudam a trazer nossa presença e consciência. A atmosfera muda para um clima de cuidado, de humanidade e conexão.

Check In: “Como você chega hoje?”, “Como você está se sentindo?”

Check Out: “Como você sai da reunião?”, “Como você está se sentindo?”

 

– Dê alguns segundos antes de reagir instintivamente

Num diálogo, espere alguns segundos para responder. É uma boa ideia deixar uma pausa de 5 segundos entre as falas. Isso permite que algumas pessoas processem o que foi dito e tragam uma qualidade de atenção plena. Dessa forma podemos escolher como iremos agir, em vez de simplesmente reagir, e acabar apenas seguindo padrões antigos de comportamento. 

 

– Evidencie suas intenções por trás do que você diz

Qual a sua intenção por trás dos seus pedidos, das suas queixas, de tudo que você diz? Expor a sua real intenção pode te ajudar a conectar ao outro, ou mesmo a revisar suas intenções para que então, você possa mudá-las caso elas não atendam suas necessidades.

 

– Pergunte ao outro “como ele se sentiu” ou “o que ele achou” do que você disse

Em vez de aguardar por uma simples resposta, e correr risco de ela ser vazia, peça por conexão. Mais importante do que um “sim” ou um “não”, é compreender o que há por trás dessas respostas, se ela é verdadeira.

Desta forma, você demonstra que realmente quer saber a opinião da outra pessoa, e dá a oportunidade para que ela se sinta escutada e valorizada.

 

– Faça pedidos de ação que sejam:

Positivos: Diga “o que você quer”, em vez de dizer “o que você não quer” ou “o que quer que o outro pare de fazer”.

Quando gerente diz a um funcionário “Você deixou o cliente falando sozinho! Não faça mais isso!”, ele poderia dizer “Quando estiver com pressa, você poderia informar ao cliente que você precisa fazer outra tarefa urgente antes de sair da recepção?”

 

Concretos: Especifique ações concretas que você quer que acontençam, evitando frases vagas, abstratas ou ambíguas.

Por exemplo, quando alguém diz “Você fica aí parado! Quero que você me ajude!”. Ajudar pode ser fazer algo no seu lugar, pode ser fazer algo junto com você, pode ser perguntar se você precisa de ajuda. “Você poderia checar a lista de afazeres e fazer o que estiver pendente?” seria um exemplo de pedido concreto.

 

Presentes: Faça sua pergunta de forma que a pessoa tenha a oportunidade de responder no momento presente se ela te atenderá ou não.

Se eu disser “Gostaria que você fizesse o relatório na semana que vem”, dou espaço para respostas diferentes da minha expectativa (sim ou não). 

O que eu quero neste momento presente? Seguindo o exemplo, poderia ser “Você poderia me dizer (neste momento) se poderá fazer o relatório na semana que vem?”

 

Negociáveis: Se você não aceita um “não” como resposta, você está fazendo uma exigência, e não um pedido. E quando uma pessoa escuta uma exigência, ela vê duas opções: se submeter, ou se rebelar. Ou ela obedece por medo, culpa ou vergonha, ou ela se defende de você. Se você estiver aberto a receber um “não” como resposta, determinado a compreender os motivos pelos quais o outro disse “não”, e a encontrar junto com ele soluções que atendam as necessidades de vocês dois, aí sim você estará fazendo um pedido.

É muito mais provável que o outro atenda seu pedido de bom grado, se ele estiver seguro que pode dizer “não”.

 

Experimente e me conte como foi!

Juliana Matsuoka
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