Para prosperar, uma organização precisa cuidar das necessidades das pessoas individualmente e também das necessidades da própria organização. O tempo, geralmente, é um recurso escasso. Por isso, uma comunicação assertiva facilita a convivência e a compreensão entre as pessoas, ajudando a construir relações produtivas para a organização.

 

O que NÃO é uma comunicação assertiva?

Uma comunicação onde haja julgamentos, rótulos e acusações passam longe do que é uma comunicação assertiva. Muitas pessoas confundem a objetividade de uma fala assertiva com a tirania de uma fala julgadora.

Outro extremo do que não é uma comunicação assertiva vem de uma postura de passividade e insegurança. A fala que pisa em ovos, que dá mil voltas antes de chegar na questão central, que tem medo de ser julgada e de ofender as pessoas.

 

O que é uma comunicação assertiva?

É uma comunicação clara e objetiva que nasce de quem:

– tem consciência sobre o conceito de autorresponsabilidade (apesar de gerarmos impactos uns nos outros, eu sou responsável pelas minhas emoções, e as outras pessoas são responsáveis pelas delas);

– pensa e reflete antes, durante e após se posicionar;

– está consciente do que precisa;

– tem a empatia como ponto de partida para suas falas.

 

Como faço para me comunicar de forma mais assertiva sem ser violenta?

 

Tenha clareza sobre o que você quer

1) Pense no que você quer dizer;

2) Pergunte-se: 

– “o que quero com isso que tenho a dizer?”

– “qual o meu objetivo com isso que tenho a dizer?”

– “o que espero da outra pessoa?”

3) Deixe às claras para a outra pessoa as respostas para essas perguntas.

 

Por exemplo:

“Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de sua preferência.”

Como tornar essa fala mais assertiva? Informando o seu objetivo ao dizer isso. Segue algumas possibilidades:

– Informar:

Só informando: Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de preferência.”

– Coletar feedback:

“Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de preferência. Quero escutar a opinião de vocês em relação a isso.”

– Consultar objeções:

“Para o coffee break teremos coxinha de frango. Quem quiser é livre para trazer outro alimento de preferência. Quero saber se alguém tem objeções.”

 

Outro exemplo: “Coxinha?! Por que não pediram empada?”

Como tornar essa fala mais assertiva? Deixando a outra pessoa saber o que você quer ao dizer isso:

– Fazer uma pergunta:

Tenho uma dúvida: É possível trocar por empada?”

– Expressar uma consideração:

“Não me oponho, mas tenho uma consideração: alimentos fritos perdem a qualidade quando não são consumidos imediatamente. Penso que empada seria uma opção mais versátil.”

– Propor um acordo:

“Se eu tivesse sido consultada antes, teria dito que prefiro empada do que coxinha. Seria possível combinarmos, para os próximos cursos, fazermos uma enquete sobre a preferência de cada um antes de a comissão tomar essa decisão?”

Outras falas não tão assertivas poderiam surgir, e, talvez, gerar algum desequilíbrio no grupo. Todas as vozes são legítimas, entretanto algumas falas podem entrar em discordância com as necessidades do grupo em determinado momento, por exemplo:

– Compartilhar experiências pessoais:

“Tenho uma história para compartilhar sobre isso, pessoal. Coxinha de frango me faz lembrar de quando eu morava em Araraquara e ia toda semana até Bueno de Andrada com meus amigos comer as melhores coxinhas do Brasil. A gente se divertia muito, e sempre tínhamos uma discussão sobre quem ia ficar sem beber para dirigir na volta. Teve um dia que o Luciano se comprometeu a ser o motorista da vez, mas ele acabou se esquecendo…”

(desejo de compartilhar, necessidade de expressão, de conexão, de escuta)

– Fazer uma reclamação : 

“Eu tenho uma reclamação! Toda vez coxinha! Estou enjoado disso. Não aguento mais comer a mesma coisa. Quem é o responsável pelo coffee break?”

(desejo de variedade, necessidade de cuidado, de eficiência, de ser escutado)

São necessidades legítimas, que, talvez, precisariam ser cuidadas em outros momentos, por exemplo, no intervalo do almoço e numa reunião de feedback, respectivamente.

 

Especifique

Muitas vezes, supomos que as pessoas pensam exatamente como nós pensamos. Quanto mais partimos de suposições, maiores são as chances de haver mal-entendidos.

Por exemplo, em vez de dizer “me ajuda com esse documento?”, deixe a pessoa saber como ela pode te ajudar: “você pode ler esses documentos e me indicar se encontrar algum erro ortográfico?”

 

Contextualize

Antes de se dedicar a falar o que tem a dizer, certifique-se de que você e a outra pessoa estão na mesma página, de que vocês estão falando sobre a mesma coisa.

Por exemplo: ao invés de começar uma conversa com “Você não tem executado sua função de secretária muito bem” ou “Acho que a secretária está sobrecarregada” poderia ser dito “Na ata da reunião do dia 30/01, não encontrei a lista de pessoas que estavam presentes na reunião.”

 

Rompa o silêncio

Ao invés de apenas pensar silenciosamente sobre seu colega de trabalho “Mas ele disse que ia adequar a apresentação e agora está jogando nas minhas costas?!”, diga “Eu tinha entendido que você ficaria responsável por adequar a apresentação. Você pode fazer isso?”

Ao invés de reclamar em pensamento “Que reunião mais improdutiva!” diga “Não ficou claro para mim o que ficou decidido. Poderia me dizer quais são as propostas?”

Ao invés de pensar “Lá vem a Joana que não para de falar”, diga para ela “Estou com tempo apertado, preocupada com algumas pendências para resolver, podemos tratar sobre isso em 10 minutos?”

Em todas essas sugestões, existe algo em comum: fale de si, em primeira pessoa, em direção à sua honestidade vulnerável. Não fale sobre qual é o problema da outra pessoa ou sobre o que há de errado com ela. Fale sobre as suas compreensões, sentimentos, necessidades e pedidos.

 

Usar uma comunicação assertiva não é garantia de que a outra pessoa fará o que você está pedindo. A intenção de obter a obediência das pessoas não é o que queremos aqui. A intenção primária é que as pessoas compreendam umas às outras e tenham condições de fazerem acordos de benefício mútuo.

Usar uma comunicação assertiva não é garantia de que a outra pessoa irá te compreender exatamente como você gostaria. Não descarte a necessidade de fazer e solicitar checagens de compreensão, mesmo quando você pensar que está se comunicando perfeitamente.

Usar uma comunicação assertiva não fará as pessoas gostarem mais ou menos de você. Principalmente se você for uma mulher, muito provavelmente as pessoas acabem gostando menos. As expectativas sobre as mulheres recaem sobre a antiga construção da mulher que se preocupava em atender as necessidades dos outros em detrimento das suas, ou seja, da mulher passiva, e não da mulher assertiva.

É possível ter uma comunicação não violenta, empática, respeitosa e assertiva, compreendendo que o nosso objetivo não é fazer as pessoas gostarem de nós. Mas sim, o de sermos coerentes com os nossos valores.

Juliana Matsuoka
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