O principal propósito da Comunicação Não-Violenta (CNV) é gerar conexão entre as pessoas.

Sabemos que a intenção da grande maioria das empresas e organizações é atingir metas e objetivos, através da criação de produtos e serviços. Mais do que nunca, essas instituições estão conscientes de que a qualidade das relações humanas no ambiente de trabalho interfere na produtividade de seus colaboradores, e consequentemente, na entrega de resultados.

No ambiente de trabalho, é comum que muitas pessoas não estejam preparadas para se colocarem num lugar de vulnerabilidade, de expor seus sentimentos e necessidades. As práticas de Comunicação Não-Violenta neste caso não vêm com a intenção primária de entrar num nível de cura ou transformação interna, mas sim para possibilitar a construção de relações de confiança e garantir compreensão compartilhada. Serão como catalisadores de diálogo e co-construção de soluções criativas.

Se você busca praticar uma liderança colaborativa, em vez de dominação sobre as pessoas da equipe, a inserção da Comunicação Não-Violenta na cultura da organização a tornará num ambiente mais humano, agradável e criativo.

Segue as dicas!

 

1. Não basta escutar. Demonstre que você escutou.

Escute primeiro para compreender, para depois responder.

Demonstre que você escutou o que seu liderado disse, refletindo para ele o que você compreendeu, e checando se você entendeu corretamente.

Após a compreensão estabelecida, a busca por estratégias para resolver os problemas será mais assertiva e colaborativa.

 
2. Seja o primeiro a saber como você está se sentindo.

Emoções são contagiosas. O contágio emocional de pessoa para pessoa opera automaticamente instantaneamente, inconscientemente e fora do nosso controle intencional.

Quem emite as emoções que passam entre as pessoas e quem as recebe?

Para grupos pares (onde não há diferenças hierárquicas) o emissor tende a ser a pessoa mais emocionalmente expressiva do grupo. Mas em grupos onde há diferenças de poder, é a pessoa com maior poder o emissor emocional.

Em qualquer grupo humano, as pessoas prestam mais atenção ao – e colocam mais importância no – que a pessoa mais poderosa desse grupo diz ou faz.

Não é que você tenha que se sentir o tempo todo feliz, animado, engajado. Isso é impossível. Você é um ser humano cujas emoções oscilam. Mas esteja consciente das suas emoções, para que você possa escolher seu comportamento. E não acabar sendo refém delas, e afetando o estado emocional do resto do grupo.

 

3. Ofereça empatia primeiro.

Veja os sentimentos e necessidades por trás das ações das outras pessoas, mesmo que essa iniciativa não seja recíproca.

Embora possamos facilmente ter empatia com nossos colegas e com aqueles em posição de menor poder, é mais difícil ter empatia com aqueles que parecem ter mais poder, status ou recursos.

Por isso, não espere que seus liderados te ofereçam empatia. Ofereça você primeiro. Até que todos percebam que você valoriza a necessidade de todos, da mesma forma como você valoriza as suas.

 

4. Para oferecer empatia, você precisa ter combustível no seu tanque.

Saiba onde você pode reabastecer seu tanque de empatia. Quem são as pessoas que te escutam e te compreendem? Quem são as pessoas com quem você se sente pertencido, aceito e seguro? Tenha pessoas com quem você pode contar como apoio empático. Caso você não tenha, comece a construir sua rede.

Exercícios de autoconexão individuais são práticas frequentes de pessoas que buscam uma comunicação consciente e responsável. Como você está se sentindo? Do que você está mais precisando? Quais estratégias você pode escolher para cuidar dessas necessidades?

Pratique o autocuidado. Para que a gente não esgote a nossa capacidade de cuidar, precisamos cuidar de nós mesmos.

Pratique autocompaixão. O primeiro passo para se comunicar de uma forma mais clara e cuidadosa com os outros, é se comunicar de uma forma mais clara e cuidadosa com você mesmo.

 
5. Não queira que seus liderados atendam seus pedidos por medo, culpa ou vergonha.

Ao contrário de educar, ações que provocam medo, culpa ou vergonha geram ressentimento e hostilidade. Elas nos distanciam de termos nossas necessidades atendidas num longo prazo. O medo da punição diminui a autoestima, a boa vontade e, consequentemente a criatividade e a produtividade.

Nossos liderados atenderão nossos pedidos compassivamente se esses pedidos contemplarem as necessidades deles também. Dessa forma, eles não só atenderão nossos pedidos, mas confiarão que seus líderes se importam com eles.

 

6. Reforce para seus liderados que seus pedidos são pedidos, e não exigências.

Quando estamos diante de alguém nos fazendo uma exigência, temos apenas duas opções. Ou nos submetemos, ou nos rebelamos. Diante de uma exigência, não temos a oportunidade de viver a cooperação e a consideração mútua.

Quando trabalhamos numa instituição estruturada hierarquicamente, as pessoas abaixo de nós na hierarquia têm uma tendência a escutar exigências, mesmo que essa não seja nossa intenção. Por isso muitas equipes convivem com o clima de medo, ou de revolta.

Quanto mais formos vistos como superiores que fazem exigências ou como agentes de punição, mais difícil será para os outros contribuírem conosco de livre vontade.

Exemplos:

“Estou pedindo isso, mas estou aberto a outras ideias!”

“Quero que saiba que você é livre para dizer ‘não’. Podemos juntos pensar em outras estratégias.”

 

7. Não insista, nem desista. Persista. Escute e demonstre que você se importa com as necessidades por trás do “Não”.

Se alguém disse “não” ao seu pedido, ele está dizendo “sim” para alguma necessidade dele. E esta é uma ótima oportunidade para descobrir quais são essas necessidades através das hipóteses empáticas.

Ou mesmo, demonstre abertura para que a pessoa expresse suas necessidades:

“Estou curioso para saber, por que não? Você pode me dizer?”

“O que te leva a dizer não? Você tem outras ideias?”

Se a sua estratégia inicial expressada no pedido que foi negado não cuida das necessidades da outra pessoa, esteja aberto a encontrar outras que cuidem.

As chances de você ter as suas necessidades atendidas de forma efetiva são muito maiores do que se você insistir na sua estratégia, tornando seu pedido em exigência.

 

8. Crie métodos que possibilitem os feedbacks baseados em observações, em vez de em avaliações

Pesquisas de clima organizacional, pesquisas de satisfação dos clientes e estatísticas administrativas ajudam a oferecer feedbacks baseados em fatos observáveis, e não em julgamentos individuais, que, por não poderem ser vistos, podem provocar resistência quando escutados.

 

9. Expresse seus agradecimentos

Quando alguém atender alguma necessidade sua, diga mais do que um “obrigado”. Expresse as suas necessidades atendidas. No dia-a-dia, é comum nos esquecermos disso. Mas é algo extremamente poderoso na motivação do trabalho colaborativo.

Por exemplo: “Obrigado por ter me ligado para lembrar da reunião de hoje. Trabalho mais seguro por saber que tenho seu apoio.”

 

10. Expresse seus arrependimentos

Fazendo parte do problema, você fará parte da solução. Se responsabilize (não se culpe) pelas suas falhas e pelas falhas da sua equipe. Tem algo que você poderia ter feito, mas não imaginou naquele momento? Expresse isso para as pessoas envolvidas.

Por exemplo: “Que pena que a proposta não foi aprovada por conta deste erro. Eu poderia ter feito uma revisão final, ou ter solicitado para alguém da equipe. Farei isso da próxima vez”

Desta forma, você demonstra que a liderança é realmente colaborativa. E dá o exemplo para seus liderados de como se responsabilizar pelas falhas, sem se culpar nem culpar os outros.

 

A Comunicação Não-Violenta oferece mecanismos que nos ajudam a desenvolver nossa habilidade de nutrir relações de confiança. Como qualquer ferramenta poderosa, aplicada mecanicamente pode ser usada com a intenção de ferir, manipular ou diminuir outras pessoas. A CNV deve ser utilizada com comprometimento à conexão humana – ao ato de valorizar as necessidades do outro tanto quanto as nossas próprias.

 

Confira qual o tipo de liderança que você tem cultivado na sua organização!

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Juliana Matsuoka
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