A maioria das pessoas da nossa geração para as anteriores foi criada e educada com base nas punições, tenham sido elas físicas ou emocionais.

Estamos buscando oferecer uma educação para nossas crianças bem diferente daquela que sabemos como fazer.

Na história das nossas vidas podemos ter lembranças fortes de pessoas que nos disciplinavam e nos ensinavam. Mas raramente temos referências de pessoas que realmente nos escutavam e nos compreendiam.

Por isso é bem vindo todo apoio possível que nos ajude a trilhar este caminho novo e desconhecido que é criar crianças através da empatia, da compaixão e da conexão humana.

 

Por que conversar sobre emoções com as crianças?

Porque é conversando sobre as emoções que as crianças aprenderão a lidar com elas. Elas só vão saber lidar com o que elas conhecem. E não há forma melhor de conhecer mais sobre as emoções do que através de boas conversas com as pessoas que elas mais confiam, que são seus cuidadores principais.

Precisamos conversar sobre emoções porque comportamentos agressivos contra si ou contra os outros são expressões de sentimentos e necessidades não escutados.

E é provado cientificamente que suprimir ou ignorar as emoções causa a exacerbação delas. Assista esta palestra TED que fala sobre isso.

Se quiser, veja neste documentário os tristes efeitos de uma cultura que reprime a expressão das emoções.

 

Adulto preparado

Para ser possível conversar sobre emoções com as crianças, é preciso:

  1. Compreender que a parte do cérebro responsável pela regulação das emoções e do corpo (córtex pré frontal) NÃO está completamente formada até os vinte e poucos anos.
  2. Partir do princípio que emoções não são boas nem ruins. São reações naturais de todos os seres humanos.
  3. Compreender que as emoções são passageiras. Não é porque você está conversando sobre a tristeza que você está incentivando a criança a ser triste. Emoções não escutadas é que permanecem e podem se transformar em traumas.
  4. Compreender que as emoções desconfortáveis passam mais rápido e mais efetivamente quando as percebemos e as acolhemos.
  5. Compreender que os exemplos consistentes valem mais do que mil palavras. Não adianta ensinar e conversar se você mesmo(a) não lida com suas próprias emoções. Se você age de forma violenta quando vem raiva, é isso que você estará ensinando seu filho fazer. 

Agora segue algumas sugestões de materiais de apoio para estimular as conversas com as crianças sobre emoções:

 

LIVROS

Os livros são ferramentas didáticas para pais e docentes.

São muito úteis em casa, pois reforçam o vínculo entre a criança e seus pais no ato da leitura. Além disso, os livros nos “lembram” de coisas que geralmente nós mesmos já sabemos, mas acabamos nos esquecendo na rotina do dia a dia.

Os livros também servem de apoio para os docentes nas escolas. Eles podem promover a troca de ideias em sala de aula e inspirar atividades em grupo.

 

Coleção Lidando com as emoções – James Missie

Minha filha ama esses livros. Antes dos 2 anos ela já se interessava, associava as emoções às reações corporais e se divertia bastante quando a gente lia. Clique para saber mais: Coleção Sentimentos e Emoções – James Missie

 

Ciranda do ser – Cristina Lobato

Este livro é um recurso para aproximar as pessoas da Comunicação Não Violenta de forma mais lúdica.

Em sua produção, detalhes importantes foram cuidadosamente pensados. O papel reciclável é uma lembrança dos ciclos da Terra e da nossa corresponsabilidade pelo ambiente. Os personagens representam diferentes etnias, inclui pessoas com deficiência e traz o protagonismo tanto do feminino quanto do masculino.

As crianças adoram as páginas que são para colorir. Além disso, o livro pode ser utilizado no processo de aprendizagem da língua inglesa (o livro é bilíngue).

Para adquirir, entre em contato com a autora: cirandadoserCNV@gmail.com ou @cirandadoser.

 

Emocionário

É um livro em forma de dicionário que traz uma descrição e uma arte referente a 42 emoções. Ele é destinado para crianças a partir de 6 anos, apesar de ser perfeitamente adaptável para ser utilizado antes dessa idade. Clique para saber mais: Emocionário: Diga o que você sente

 

MÚSICAS

Não é de hoje que a música vem sendo apontada como uma das áreas de conhecimento que mais impulsionam o desenvolvimento infantil.

A linguagem musical promove a integração entre o corpo e a mente, a sensibilidade e a razão, a técnica e a criatividade.

Como cantar facilita a memorização, a música é uma ótima estratégia para introduzir e fixar aprendizados, de maneira leve, lúdica e espontânea.

 

Emoções (Show no Paiol) – Hélio Ziskind e a Turma do Cocoricó

 

Mundo Bita – Sinto o que Sinto

 

Mundo Bita – Que saudade que eu tô

 

Mundo Bita – Todo mundo chora

 

BRINQUEDOS

 

Faça você mesma(o): Expressões faciais

As expressões faciais dizem muito sobre nossas emoções. Brincando com as expressões, a criança não só aprende a se conscientizar das suas próprias emoções, mas trabalha também a empatia, o imaginar como o outro se sente. O passo a passo de como fazer (em inglês, mas com imagens explicativas) você encontra clicando aqui.

 

Faça você mesma(o): Bonecos de bexiga e farinha

Além de uma atividade legal para fazer junto com a criança, os bonecos de bexiga podem ser formas de ajudar a criança se expressar. Ela pode ter a chance de dizer “Agora eu tô me sentindo assim ó, igual este boneco aqui, muito bravo”.

 

Espero que você tenha se inspirado para ter boas conversas sobre emoções com as crianças!

Juliana Matsuoka
Share This