Todos nós temos algumas tendências que precisamos primeiramente acolher e depois ir além delas, para que possamos nos comunicar de forma consciente e não violenta.

Nessa jornada de me relacionar melhor com as pessoas e comigo mesma, busco fazer escolhas conscientes, e não ser cegamente conduzida pelos meus hábitos, instintos e tendências.

Veja se você identifica alguma tendência mais viva em você agora.

 

Temos a tendência de nos proteger

Nosso instinto de defesa, através dos mecanismos de lutar ou fugir, garantiu a nossa sobrevivência até hoje.

Nosso cérebro têm estruturas que funcionam como um alarme para as ameaças, que é o nosso par de amígdalas cerebrais. Diante de uma ameaça, ele faz com que o cérebro e o corpo não façam mais nada, além de se defender, lutando ou fugindo.

Mas esse alarme tem dificuldades de discernir estímulos que ameaçam a nossa sobrevivência, de estímulos que ameaçam nossos valores. E acaba nos colocando em situações que podemos nos arrepender mais tarde.

Aprender a lidar com esse mecanismo de defesa é um bom primeiro passo para a não violência. Não violência é uma terceira opção, além de lutar (usar a violência) ou fugir (passividade), para lidar com os conflitos.

 

Temos a tendência de rotular e julgar

Imagine só fazer compras no mercado, mas todos os produtos estão sem rótulo. Ficaríamos bastante perdidos não é? 

Nosso cérebro gosta de rótulos, é mais fácil para ele se localizar e proteger a nossa sobrevivência julgando se algo ameaça nossa integridade ou não a partir dos rótulos que ele vê.

Mas precisamos lembrá-lo que não estamos numa selva. Podemos perceber muita violência invisível nas nossas relações, como acusações, humilhações, críticas. Mas em sua maioria, as ameaças que existem no nosso cotidiano são simbólicas, elas não são uma ameaça à nossa sobrevivência.

Precisamos lembrar o nosso cérebro também que não estamos num mercado, e que os seres humanos não se limitam aos rótulos que colocamos neles.

 

Temos a tendência de pensar de forma dualista

Ou estou certo, ou estou errado. Ou ele é bom, ou ele é ruim. Ou é esquerda, ou é direita. Ou é do mal, ou é do bem. Ou é verdade, ou é mentira.

Ver o mundo através da lente dualista é como enxergar só o preto ou só o branco. E se privar de viver a experiência que é enxergar todas as possibilidades de colorido que há entre esses dois extremos.

 

Temos a tendência a querer vencer

Você já sentiu a satisfação que é escutar “você tem razão”? De sentir o empoderamento que dá ser designado pelo seu oponente como vencedor da conversa?

O incentivo à competição está presente em todos os contextos da nossa existência. Quem é a mais bonita, a mais inteligente? Quem vai mais rápido? Quem tem o melhor argumento? Quem manda aqui?

A cultura da competição alimenta a cultura da violência. Porque desejar vencer do outro, é desejar que ele perca. Dominar, para não ser dominado.

Na cultura de paz, abrimos mão de vencer, para que todos possamos ganhar. O meu bem estar e o bem estar do outro, são uma coisa só.

 

Temos a tendência de concluir verdades fixas e determinadas

Quem nunca sentiu a satisfação de ser designado como detentor da única verdade que existe? E essa verdade é permanente, universal, e inquestionável.

Nós tendemos a naturalizar nossa própria cultura. Torná-la como centro do mundo. Achar que tudo nela sempre foi assim e assim continuará sendo.

Claudio Thebas e Christian Dunker

Somos seres humanos dinâmicos utilizando uma linguagem que não dá conta de acompanhar tal dinamismo. A estaticidade da nossa linguagem é uma limitação com a qual precisamos estar lidando o tempo todo. Tendo a atenção de dizer, por exemplo, “eu estou me sentindo nervosa”, em vez de “eu sou nervosa”.

Temos uma inabilidade de suportar ou admitir o fato de que nós não podemos encontrar verdades últimas. Mas uma vez que entendemos que este mundo não está limitado ao modo como nós o percebemos, pode ser fiquemos menos apegados em relação às nossas próprias verdades.

Podemos ver como a ampliação de nossas lentes trabalha contra nossa tendência habitual de se fechar em conhecer as coisas de maneira fixa ou determinada, e como isso também nos leva a uma abordagem de menos reação e mais resposta diante dos conflitos.

 

 

 

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Juliana Matsuoka
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