“Racismo é uma doença cultural traiçoeira. É tão traiçoeira que ela não se importa se você é uma pessoa branca que gosta de pessoa negra, ela ainda vai achar uma forma de infectar você. Sim, racismo parece ódio, mas ódio é só uma de suas manifestações. Privilégio a outra. Acesso é outra. Ignorância é outra. Apatia é outra. E assim por diante. Então, ainda que eu concorde com pessoas que dizem que ninguém nasce racista, ele continua sendo um sistema poderoso no qual somos imediatamente inseridos. É como nascer no oxigênio: você o internaliza assim que você respira. Não é um resfriado que você consegue superar. Não existe uma aula que te dê um certificado de anti-racista. É uma série de armadilhas socioeconômicas e valores culturais que são agitados toda vez que interagimos com o mundo. É algo que você tem que continuar tirando do barco da sua vida para que você não se afogue.”

Scott Woods

 

“Meu desenvolvimento psicossocial aconteceu nas águas da supremacia branca. É isso que chamo de sistema. Eu não estou falando do KKK. Eu falo do sistema no qual a cultura branca e as pessoas brancas são o centro, e elas são vistas como inerentemente superiores em relação às pessoas negras. Minha personalidade foi formada nessa água. Minha visão de mundo foi formada nessa água. Eu não escolhi isso, não é minha culpa. Mas sou responsável por mudar isso porque o padrão da nossa sociedade é a reprodução do racismo. Ele está em todo o sistema e em toda instituição. E se apenas vivermos nossas vidas da forma mais confortável, nós iremos reproduzi-lo. Não há espaço neutro. Não ação é uma forma de ação.”

Dr. Robin DiAngelo

 

E como eu, pessoa que não é preta, posso combater o racismo para além das correntes das redes sociais?

  • Me educando: E isso não é buscar opiniões com as quais eu concordo. É aprender o que não sei sobre história, sobre a vida das pessoas, sobre políticas públicas… É possível fazer isso com a ajuda do instagram. Segue alguns perfis que podem ajudar: @levikaief @giovborges @ajmoreirabh @djamilaribeiro @pretitudes @escurecendofatos
  • Criando crianças conscientes: Crianças que tenham relacionamentos com pessoas pretas, que não de subalternidade; que conheçam a história da escravidão; que saibam dos seus privilégios; que leiam livros, vejam filmes e brinquem com brinquedos com personagens pretas; contribuindo na construção de uma escola representativa. @criandocriancaspretas
  • Sabendo que o lugar de fala/protagonismo não é meu. Mas que a luta também é minha.
  • Me abrindo e me esforçando para enxergar meus privilégios, sobre os quais sempre haverão pontos cegos.
  • Criando estratégias construtivas para usar quando estiver diante de falas e comportamentos racistas.
  • Incentivando pessoas, ações e políticas públicas que reduzam a desigualdade social.
  • Compreendendo e tendo empatia por pessoas que escolhem estratégias com as quais discordo no movimento antirracismo.
  • Me permitindo ser influenciada por pessoas pretas (autores, artistas, produtores de conteúdo, intelectuais).
  • Incentivando diálogo com amigos, família, com todas as pessoas que estiverem abertas.
Juliana Matsuoka
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